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TikTok paga US$ 400 milhões nos EUA por dados de crianças

Investigação descobriu que o app compartilhava localização e hábitos de consumo de usuários jovens com anunciantes; empresa afirma ter corrigido falhas.

TikTok paga US$ 400 milhões nos EUA por dados de crianças

O TikTok e sua controladora ByteDance firmaram um acordo de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões em cotação atual) com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar um processo que acusava a plataforma de coletar dados pessoais de crianças menores de 13 anos sem o consentimento dos pais, em violação à lei federal americana de proteção da privacidade infantil online. O anúncio foi feito na sexta-feira (21), e o acordo encerra definitivamente a ação judicial sem que a empresa tenha precisado admitir culpa.

O que motivou o processo contra o TikTok?

A ação, aberta em 2024, partiu da constatação de que o aplicativo permitiu que milhões de crianças utilizassem a rede social ao longo dos anos, mesmo já tendo enfrentado um processo federal anterior por motivos semelhantes. Segundo o Departamento de Justiça, o TikTok teria dificuldades persistentes para identificar e remover usuários menores de idade, além de ter alterado aspectos de suas políticas de cadastro de forma a tornar mais difícil verificar se os usuários tinham idade suficiente para usar o serviço.

A acusação também aponta que a empresa manteve e utilizou dados de crianças — inclusive informações que poderiam ser aplicadas em publicidade direcionada — mesmo após alertas internos de funcionários preocupados com a presença de menores na plataforma.

O que é a COPPA e por que ela pesa contra o TikTok?

A COPPA (Children's Online Privacy Protection Act) é a lei americana de proteção à privacidade online de crianças em vigor desde 2000. Ela determina que serviços claramente direcionados a menores de 13 anos, ou que tenham conhecimento real de que coletam dados desse público, precisam obter autorização parental verificável antes de qualquer coleta de informação pessoal — como nome, endereço, e-mail, telefone, localização ou identificadores usados para rastrear comportamento.

O descumprimento pode gerar sanções milionárias por violação, razão pela qual o valor de US$ 400 milhões se torna um dos maiores já pagos sob esse tipo de acusação nos Estados Unidos.

O histórico do TikTok com a privacidade infantil

Este não é o primeiro capítulo do TikTok em tribunais americanos por causa da proteção de crianças. Em 2019, a empresa — quando ainda operava como Musical.ly — pagou US$ 5,7 milhões para encerrar acusações de violação à COPPA. Naquele acordo, comprometeu-se formalmente a adotar medidas para impedir que menores de 13 anos criassem contas na plataforma.

Para muitos críticos, o pagamento atual de US$ 400 milhões representa um sinal claro de que as medidas prometidas em 2019 não foram suficientes. A diferença entre os valores (de US$ 5,7 milhões para US$ 400 milhões em poucos anos) ilustra a escalada das penalidades e a reincidência atribuída à companhia pelo órgão americano.

Que medidas o novo acordo impõe ao TikTok?

Além do pagamento financeiro, o acordo prevê um conjunto robusto de obrigações para reforçar a proteção de usuários jovens, conforme relatado por veículos especializados como o TechCrunch:

  • Controles de idade mais rigorosos na criação e na verificação de contas;
  • Salvaguardas adicionais para crianças identificadas na plataforma;
  • Ferramentas ampliadas de supervisão parental, permitindo que pais acompanhem a atividade e os dados pessoais dos filhos;
  • Limitações ao uso de dados de menores para fins de publicidade direcionada.

O objetivo declarado é corrigir falhas estruturais que, segundo o processo, persistiram por anos e expuseram crianças a práticas de coleta incompatíveis com a legislação.

Por que o caso importa para usuários brasileiros?

Embora o acordo tenha sido firmado com autoridades americanas, o tema tem repercussão direta no Brasil. O TikTok é uma das redes sociais mais usadas por adolescentes no país, e muitos pais brasileiros enfrentam dúvidas parecidas: como impedir que filhos menores de 13 anos abram contas? Como funcionam os mecanismos de verificação de idade? Quais dados são coletados?

No Brasil, a proteção de dados de crianças é regulada pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que traz um capítulo específico sobre o tratamento de dados de menores. A LGPD determina que informações de crianças e adolescentes só podem ser coletadas com consentimento específico e destacado de pelo menos um dos pais ou responsáveis, e o tratamento deve ser realizado com base no melhor interesse da criança. Casos como o do TikTok nos EUA costumam servir de referência para discussões sobre enforcement da LGPD pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Para famílias brasileiras, a lição prática é clara: ferramentas de controle parental e configuração de privacidade no próprio aplicativo continuam sendo essenciais, independentemente de decisões judiciais em outros países.

Como o TikTok tem lidado globalmente com监管 privacidade infantil?

O caso americano soma-se a uma série de episódios recentes que colocaram o TikTok sob escrutínio em diferentes jurisdições. A plataforma já enfrentou restrições na Índia, foi alvo de debates sobre segurança nacional nos Estados Unidos europeus, e passou por investigações na União Europeia relacionadas ao cumprimento de regras de proteção de dados — incluindo questionamentos sobre a versão do app voltada para menores.

Esse histórico ajuda a explicar por que reguladores em todo o mundo acompanham com atenção o desfecho de ações como a dos US$ 400 milhões: elas tendem a estabelecer precedentes que podem ser invocados em outros países, inclusive no Brasil.

Próximos passos após o acordo

Com o fechamento do processo nos EUA, o próximo desafio da empresa será implementar e comprovar as medidas acordadas. Esse tipo de settlement costuma incluir monitoramento por prazo determinado, e novas falhas podem reabrir a discussão tanto em território americano quanto em outras jurisdições onde a empresa opera.

Para pais, educadores e gestores de políticas públicas, o episódio reforça três pontos centrais:

  1. Verificação de idade em redes sociais ainda é frágil e depende de múltiplas camadas de proteção;
  2. Consentimento parental precisa ser ativo e verificável, não apenas declarado em termos de uso;
  3. Empresas têm responsabilidade legal sobre o uso que fazem de dados de menores, com risco financeiro relevante em caso de descumprimento.

Perguntas frequentes

1. Por que o TikTok pagou US$ 400 milhões?

Para encerrar um processo do Departamento de Justiça dos EUA que acusava a empresa de coletar dados de crianças menores de 13 anos sem consentimento dos pais, em violação à COPPA. O acordo encerra o caso sem admissão de culpa.

2. O que é a COPPA?

É a lei americana de proteção à privacidade online de crianças (Children's Online Privacy Protection Act), que exige autorização parental antes da coleta de dados pessoais de menores de 13 anos.

3. Crianças brasileiras também estão expostas a esse tipo de problema?

Sim. O TikTok é amplamente usado por adolescentes no Brasil, e a LGPD traz regras próprias para proteção de dados de crianças e adolescentes, prevendo consentimento parental e tratamento baseado no melhor interesse do menor.

4. O TikTok admitiu culpa no acordo?

Não. A empresa fechou o acordo sem necessidade de admitir culpa, prática comum em settlements nos Estados Unidos.

5. O que pais podem fazer para proteger filhos menores no TikTok?

Utilizar o Modo Restrito e as ferramentas de Sincronização Familiar do aplicativo, ativar controles parentais no dispositivo, não autorizar crianças menores de 13 anos a criar contas e revisar periodicamente as configurações de privacidade disponíveis.

Fonte primária da notícia: portal Olhardigital.com.br. Reportagem complementar produzida pela equipe do GCBS NEWS com base em informações públicas já divulgadas.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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