Mundo

Trump diz que Xi garantiu que China deixará de apoiar o Irã

Informação foi divulgada durante reunião bilateral e pode alterar o equilíbrio de forças no Oriente Médio

Trump diz que Xi garantiu que China deixará de apoiar o Irã
2>Trump diz ter conversado com Xi sobre guerra contra o Irã e garante que China recuará no apoio a Teerã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que manteve conversas com o presidente da China, Xi Jinping, sobre a guerra contra o Irã, em meio a uma escalada de tensão no Oriente Médio que já preocupa mercados internacionais e governos em todo o mundo. Segundo o embaixador norte-americano na China, David Perdue, Trump reiterou a Xi que qualquer apoio chinês — direto ou indireto — ao Irã é "totalmente inaceitável". A declaração foi feita durante a visita de Estado de três dias do líder chinês a Washington.

O que Trump e Perdue disseram

Quando questionado por repórteres sobre se havia discutido o tema com Xi, Trump foi direto: "Sim, discutimos. Acho que vamos nos sair muito bem." A resposta curta, porém enfática, sinaliza que o tema iraniano entrou formalmente na agenda bilateral entre as duas maiores economias do planeta.

Poucas horas antes, em entrevista à CNBC e à Fox News, o embaixador David Perdue detalhou o teor das conversas. Segundo Perdue, o governo norte-americano recebeu garantias de Pequim de que a China não estaria mais fornecendo apoio ao Irã. "Já vimos avanços nesse sentido. Esse é o compromisso. Eles nos garantiram ontem que não estão fazendo isso", afirmou o embaixador ao programa "America's Newsroom", da Fox News.

"O apoio direto ou indireto ao Irã é totalmente inaceitável" — David Perdue, embaixador dos EUA na China, em entrevista à CNBC.

Por que o apoio chinês ao Irã é central no conflito

A China é historicamente o maior comprador de petróleo iraniano e um dos principais parceiros comerciais de Teerã. Nos últimos anos, Pequim manteve um fluxo constante de importações de energia iraniana, mesmo sob sanções internacionais, o que ajudou o regime dos aiatolás a financiar parte de seu programa militar e nuclear.

Por isso, qualquer recuo chinês — ainda que parcial — representa um golpe financeiro relevante para o Irã. Analistas ouvidos por veículos internacionais nos últimos meses apontam que o petróleo responde por mais de 40% da receita estatal iraniana, e a China absorve a maior parte das exportações que conseguem escapar das sanções ocidentais.

Ao pressionar Pequim publicamente, a Casa Branca tenta fechar a principal válvula de sustentação econômica do regime iraniano, ao mesmo tempo em que busca o engajamento chinês em eventuais negociações de paz.

Contexto da visita de Xi Jinping a Washington

A conversa sobre o Irã aconteceu à margem de uma visita de Estado de três dias que Xi Jinping realiza aos Estados Unidos — a primeira do tipo desde 2017. O roteiro inclui reuniões bilaterais sobre comércio, inteligência artificial, semicondutores e segurança regional.

Durante a visita, Trump e Xi não responderam a perguntas formais da imprensa, o que dá ainda mais peso às declarações posteriores do presidente americano e do embaixador Perdue. O formato sugere que o tema iraniano foi tratado em canais reservados e só veio à tona após o encerramento das agendas oficiais.

Qual é o papel do Brasil nesse cenário?

Embora o Brasil não seja parte direta do conflito, a tensão entre EUA, China e Irã tem efeitos concretos sobre o país:

  • Preço do petróleo: O Irã é membro da Opep+ e qualquer interrupção nas exportações chinesas pode gerar volatilidade nos preços internacionais do barril, impactando diretamente a Petrobras e o preço dos combustíveis no Brasil.
  • Comércio exterior: A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Uma eventual deterioração nas relações sino-americanas tende a respingar em Pequim como mercado consumidor de commodities agrícolas e minerais brasileiros.
  • Diplomacia: O Itamaraty historicamente busca mediação em crises internacionais, e um conflito prolongado no Oriente Médio pode abrir espaço para uma postura mais ativa do governo brasileiro em fóruns multilaterais como a ONU e o G20.

Repercussão internacional e próximos passos

A declaração de Trump de que "vamos nos sair muito bem" foi interpretada por observadores como um sinal de otimismo cauteloso, mas não há, até o momento, anúncio oficial de acordo formal entre Washington e Pequim sobre o Irã. Diplomatas chineses ainda não se pronunciaram publicamente sobre o teor específico das conversas.

Especialistas em relações internacionais lembram que a China costuma agir com pragmatismo nos bastidores, evitando declarações unilaterais que possam comprometer sua relação com Teerã — parceiro estratégico no Oriente Médio e fornecedor-chave de energia. Por isso, a "garantia" citada por Perdue provavelmente se traduzirá em ações silenciosas, como a redução gradual das importações de petróleo iraniano, e não em um anúncio formal.

Nos próximos dias, a expectativa é que o Departamento de Estado americano e o Ministério das Relações Exteriores da China publiquem comunicados conjuntos ou notas oficiais detalhando os entendimentos alcançados durante a visita de Xi.

O que ainda não está claro

Apesar do tom уверен das declarações de Trump e Perdue, três pontos permanecem nebulosos:

  1. O tipo específico de "apoio" que a China estaria supostamente fornecendo ao Irã — se financeiro, logístico, energético ou militar.
  2. Se Xi Jinping teria confirmado pessoalmente o compromisso ou se a garantia foi dada por outros interlocutores chineses.
  3. Que tipo de "avanços" concretos Washington já teria observado — algo que não foi detalhado publicamente pelo embaixador.

Enquanto não houver comunicado oficial conjunto, as informações disponíveis são as declarações de Trump e do embaixador Perdue, reportadas pelo portal Terra.com.br e outros veículos internacionais.

Perguntas frequentes

Trump conversou diretamente com Xi Jinping sobre o Irã?
Sim. Segundo declaração do próprio presidente americano a repórteres nesta sexta-feira, o tema foi discutido durante a visita de Estado do líder chinês a Washington. Os dois líderes, porém, não responderam a perguntas formais da imprensa.

O que a China prometeu em relação ao Irã?
De acordo com o embaixador dos EUA na China, David Perdue, Pequim garantiu que não está mais apoiando o Irã. A declaração foi feita em entrevistas à CNBC e à Fox News, mas ainda não houve confirmação oficial do lado chinês.

Por que o apoio chinês ao Irã preocupa os Estados Unidos?
Porque a China é o maior comprador de petróleo iraniano e um parceiro comercial estratégico de Teerã. Qualquer financiamento chinês ajuda o regime iraniano a manter seu programa militar e sua influência regional.

Como a guerra contra o Irã pode afetar o Brasil?
O principal impacto é sobre o preço do petróleo e a volatilidade dos mercados. Como a China é o maior parceiro comercial do Brasil, uma deterioração nas relações sino-americanas também pode afetar as exportações brasileiras de commodities.

Existe risco de o conflito se alastrar para outros países?
Sim. O Irã tem aliados e proxies em diversos países do Oriente Médio, como Líbano, Iêmen, Síria e Iraque. Uma escalada maior pode desestabilizar rotas marítimas estratégicas, incluindo o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo mundial.

Gostou desta matéria? Compartilhe com quem precisa ficar bem informado e assine a newsletter do GCBS NEWS para receber as principais notícias direto no seu e-mail.

Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

Leia também