A cinco dias do primeiro turno das eleições presidenciais, uma disputa sobre publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida provocou uma sequência de decisões entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). André Mendonça ordenou a remoção de um post contestado pela defesa de Flávio Bolsonaro; Flávio Dino suspendeu essa ordem, e Luiz Fux restabeleceu a decisão eleitoral. Agora, o plenário virtual do TSE deve analisar o caso.
O julgamento foi marcado pelo presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, para esta quarta-feira (30/9), com votação prevista entre 10h e 23h59. Segundo o portal BBC News, o processo trata de uma publicação do humorista Antonio Tabet que relacionava a imagem da padroeira do Brasil a uma crítica política, sem citar Flávio nominalmente.
O que aconteceu na disputa sobre Nossa Senhora Aparecida?
O caso começou na Justiça Eleitoral, após a defesa de Flávio Bolsonaro contestar uma publicação feita nas redes sociais. O post mostrava uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada de uma frase que atribuía a uma “família miliciana” uma suposta hostilidade contra mulheres negras e contra a santa.
Os advogados do candidato do PL argumentaram que a publicação circulou em meio à disseminação de informações falsas e ajudou a impulsioná-las. Embora o texto não mencionasse Flávio pelo nome, a defesa questionou a associação política feita na mensagem e pediu providências à Justiça Eleitoral.
A controvérsia ganhou dimensão institucional porque decisões sucessivas de ministros do STF alteraram, em poucos dias, os efeitos de uma determinação tomada no âmbito eleitoral. A disputa não envolveu apenas o conteúdo do post: também colocou em evidência a tramitação de uma contestação às vésperas da votação.
Qual foi a sequência de decisões?
Os atos ocorreram em um intervalo curto, com mudanças no status da ordem de remoção:
- Sexta-feira (25/9): André Mendonça, vice-presidente do TSE e ministro do STF, determinou que fossem removidas publicações associando Flávio Bolsonaro a um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
- Domingo (27/9): Flávio Dino, ministro do STF, derrubou a decisão de Mendonça.
- Segunda-feira (28/9): Luiz Fux, também ministro do Supremo, suspendeu a decisão de Dino. Com isso, voltou a valer a determinação de Mendonça no âmbito da Justiça Eleitoral.
- Quarta-feira (30/9): o plenário virtual do TSE foi previsto para analisar a publicação de Antonio Tabet contestada pela defesa de Flávio.
Essa sequência explica por que o caso foi descrito como um vaivém judicial. Uma decisão suspendia ou restabelecia os efeitos da anterior, enquanto o plenário do TSE ainda teria de deliberar sobre a publicação sob análise.
O que o TSE vai julgar?
De acordo com as informações divulgadas, os ministros do TSE vão votar sobre uma publicação específica de Antonio Tabet, contestada pela defesa de Flávio Bolsonaro. A janela de votação no plenário virtual está prevista para começar às 10h e terminar às 23h59 de quarta-feira (30/9).
No plenário virtual, os ministros registram seus votos em ambiente eletrônico, dentro do período definido para o julgamento. O resultado depende das manifestações dos integrantes do tribunal. Até que a votação seja concluída, não é possível antecipar qual será a decisão final nem afirmar se a ordem de remoção será mantida, modificada ou derrubada pelo colegiado.
Também é importante separar o alcance da decisão já descrita da discussão submetida ao plenário. O post questionado não citava Flávio nominalmente, mas a defesa sustentou que a mensagem contribuía para espalhar notícias falsas relacionadas ao candidato. Caberá aos ministros examinar o caso dentro do processo eleitoral, sem que o texto de referência indique antecipadamente a conclusão do julgamento.
Por que STF e TSE aparecem no mesmo caso?
O TSE é o tribunal responsável pela condução da Justiça Eleitoral em âmbito nacional, enquanto o STF é a mais alta corte do Judiciário brasileiro. André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux integram o Supremo; Mendonça também ocupava a vice-presidência do TSE no período relatado.
A participação de ministros que atuam nas duas cortes ajuda a explicar a sobreposição institucional descrita no caso. A determinação original foi tomada na esfera eleitoral, mas decisões posteriores de ministros do STF alteraram seus efeitos. A análise prevista para o plenário do TSE pode dar ao colegiado a oportunidade de deliberar sobre a controvérsia levada à Justiça Eleitoral.
Isso não significa, por si só, que já exista uma decisão definitiva sobre todos os conteúdos relacionados ao tema. A informação disponível trata de uma ordem sobre publicações e de um julgamento referente ao post de Tabet. O alcance exato de cada decisão e eventuais desdobramentos dependem do que for decidido no processo.
O que muda para o eleitor e para quem compartilhou o post?
Para o eleitor, o principal efeito é a incerteza sobre a permanência da publicação contestada enquanto o tribunal não conclui a análise. O caso também mostra como conteúdos políticos divulgados nas redes sociais podem se tornar objeto de disputas judiciais durante uma campanha eleitoral, especialmente quando uma parte afirma que a mensagem espalha informação falsa ou associa candidatos a acusações.
Para quem compartilhou o conteúdo, a sequência de decisões não permite concluir, com base apenas nas informações disponíveis, que haja uma punição automática ou uma proibição geral de falar sobre o assunto. A determinação relatada se refere a publicações contestadas e a um processo específico. Por isso, é importante não interpretar uma ordem judicial como se ela necessariamente abrangesse qualquer postagem sobre Nossa Senhora Aparecida ou sobre a eleição.
A disputa ocorre em um período sensível da campanha: faltavam cinco dias para o primeiro turno. Esse prazo aumenta a relevância prática de decisões sobre circulação de conteúdo político, mas não altera a necessidade de verificar o que foi efetivamente decidido, por qual órgão e em relação a qual publicação.
O que ainda não está confirmado?
Com base nas informações disponíveis, o resultado da votação do plenário virtual ainda não havia sido informado. Também não há indicação sobre eventuais votos individuais, sobre a duração de uma possível ordem de remoção ou sobre medidas adicionais após o julgamento.
Até a conclusão da análise, os pontos centrais são estes: a decisão de Mendonça voltou a valer após Fux suspender a determinação de Dino; o TSE marcou para quarta-feira a análise do post contestado; e o desfecho depende da deliberação dos ministros. Novas informações sobre o resultado devem ser atribuídas a comunicações oficiais do tribunal ou a veículos de imprensa que acompanhem o julgamento.
Perguntas frequentes
Quem determinou a remoção das publicações?
André Mendonça, ministro do STF e vice-presidente do TSE no período relatado, determinou a remoção de publicações associando Flávio Bolsonaro a um projeto sobre o título de Nossa Senhora Aparecida.
O que Flávio Dino e Luiz Fux decidiram?
Dino derrubou a ordem de Mendonça no domingo (27/9). Na segunda-feira (28/9), Fux suspendeu a decisão de Dino, fazendo voltar a valer a determinação eleitoral de Mendonça.
O post de Antonio Tabet citava Flávio Bolsonaro?
Não nominalmente. A publicação trazia uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e uma frase de teor político; a defesa de Flávio contestou o conteúdo e afirmou que ele contribuía para impulsionar notícias falsas.
Quando o TSE deve analisar o caso?
O julgamento no plenário virtual foi marcado para quarta-feira (30/9), com votação prevista entre 10h e 23h59. O resultado não consta das informações disponíveis.
O caso proíbe qualquer publicação sobre Nossa Senhora Aparecida?
As informações relatadas dizem respeito a publicações contestadas e a um processo específico. Elas não indicam uma proibição geral de conteúdos sobre a santa ou sobre o tema eleitoral.
Gostou desta matéria? Compartilhe com quem precisa ficar bem informado e assine a newsletter do GCBS NEWS para receber as principais notícias direto no seu e-mail.



