A violência gera um custo adicional de R$ 31,1 bilhões por ano para a economia do Estado do Rio de Janeiro, conforme levantamento divulgado nesta quarta-feira (5) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O valor dimensiona o efeito da insegurança sobre a atividade produtiva e evidencia o peso do crime sobre empresas, consumidores e cadeias logísticas em todo o território fluminense. Segundo o portal Abril.com.br, o estudo traça um retrato de uma década de transformações no perfil da criminalidade no estado.
Quanto a violência custa ao Rio e por que esse número importa?
O montante estimado pela Firjan corresponde a uma soma de impactos diretos e indiretos. Entre os efeitos contabilizados estão perdas com roubos e furtos, custos de segurança privada, gastos com seguros, absenteísmo, queda de faturamento em setores expostos à criminalidade e desvio de investimentos para outras regiões. Para uma economia estadual que responde por cerca de 9% do PIB nacional, a conta é relevante: o ônus se traduz em menos empregos, menos arrecadação e menor competitividade.
Em termos práticos, trata-se de recursos que deixam de circular em comércio, indústria, serviços, turismo e logística. Pequenos e médios empresários são os mais vulneráveis, já que operam com margens estreitas e têm menos capacidade de absorver perdas com mercadorias roubadas, veículos blindados e sistemas de proteção.
Como o crime mudou no Rio entre 2015 e 2025?
O estudo da Firjan, baseado em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) entre 2015 e 2025, aponta uma mudança estrutural no mapa da criminalidade fluminense. Crimes "tradicionais", como roubos de rua, roubos de carga e roubos de veículos, recuaram ao longo da última década. Em paralelo, ganharam espaço modalidades mais sofisticadas, vinculadas à economia digital e à atuação de organizações criminosas.
Esse movimento acompanha duas tendências observadas em outras partes do Brasil: a migração de quadrilhas para atividades de maior retorno financeiro e menor risco de confronto armado, e a expansão de fraudes facilitadas pelo uso massivo de celulares, aplicativos e redes sociais.
Estelionato dispara e já é o crime que mais cresce no estado
O estelionato foi o delito que mais avançou no período analisado. Em 2025, foram registrados 146.981 casos, alta de 313% em relação a 2015. O crescimento se espalhou por todas as regiões fluminenses, mas três áreas lideram o ranking:
- Centro-Sul: aumento de 767% nas ocorrências;
- Centro-Norte: alta de 615%;
- Região Serrana: crescimento de 497%.
Na prática, isso significa que golpes via Pix, falsas centrais de atendimento, fraudes em compras online, clonagem de WhatsApp e investimentos fraudulentos se tornaram parte do cotidiano de moradores e comerciantes do interior do estado — não apenas da capital e da Região Metropolitana.
O que explica a explosão de golpes digitais?
A expansão do estelionato está ligada a um conjunto de fatores:
- Digitalização dos pagamentos: o uso massivo de Pix e carteiras digitais facilitou transferências imediatas, mas também abriu novas brechas para fraudadores.
- Facilidade de الحصول dados pessoais: vazamentos massivos e o compartilhamento excessivo de informações em redes sociais fornecem matéria-prima para golpes cada vez mais personalizados.
- Baixo risco para o criminoso: diferente do roubo de rua, o estelionato muitas vezes é praticado à distância, com difícil rastreabilidade.
- Fragilidade na educação digital: parte significativa da população ainda não domina mecanismos básicos de verificação de procedência de mensagens e sites.
Extorsão também cresce e se espalha pelo interior
A extorsão é outro delito em expansão disseminada. O número de registros subiu para 3.646 em 2025, 80% acima do observado dez anos antes. As maiores altas se concentraram nas regiões Centro-Sul, Norte e Noroeste do estado.
O dado preocupa porque a extorsão costuma atingir diretamente o setor produtivo: comerciantes, transportadores, prestadores de serviço e pequenos empreendedores são alvo frequente de cobranças ameaçadoras, muitas vezes vinculadas a milícias e facções que disputam território. Em diversos municípios, esse tipo de crime funciona como uma espécie de "imposto paralelo", comprimindo margens e desestimulando novos negócios.
Por que crimes de rua caíram enquanto fraudes e extorsões avançaram?
Especialistas em segurança pública ouvidos em diferentes estudos apontam três explicações principais:
- Reorganização das quadrilhas: facções redirecionaram mão de obra para atividades mais lucrativas e menos visíveis, como fraudes digitais, jogos de azar online e controle de comunidades.
- Investimento em tecnologia: ferramentas de criptografia, contas laranja e dinheiro em espécie dificultam o rastreamento das operações criminosas.
- Resposta policial seletiva: ações mais ostensivas contra roubos em determinadas áreas podem ter empurrado parte da criminalidade para modalidades com menor exposição ao confronto.
Em resumo, o crime não diminuiu — mudou de forma, migrou para o ambiente digital e se infiltrou em cadeias econômicas lícitas.
Qual o impacto concreto para quem mora, empreende ou investe no Rio?
O custo bilionário não é apenas uma estatística abstrata. Ele se traduz em efeitos concretos para diferentes públicos:
- Para o consumidor: preços mais altos em produtos e serviços, já que empresas embutem perdas com fraudes, seguros e segurança nos custos finais.
- Para o pequeno empresário: necessidade de investir em câmeras, controle de acesso, seguros e treinamento de equipe, muitas vezes comprometendo a margem de lucro.
- Para o trabalhador: menor oferta de vagas em setores diretamente afetados, como comércio, transporte e turismo.
- Para o estado: redução da base tributária e disputa com outras unidades da Federação por investimentos sensíveis à segurança.
O que empresas e cidadãos podem fazer diante desse cenário?
Embora a solução estrutural dependa de políticas públicas de segurança e justiça, algumas medidas reduzem a exposição ao risco:
- Adotar autenticação em duas etapas em aplicativos bancários e redes sociais.
- Não compartilhar códigos de verificação recebidos por SMS com terceiros, mesmo que o interlocutor se identifique como funcionário de banco.
- Atualizar sistemas e treinar equipes contra phishing e engenharia social.
- Registrar ocorrências em delegacias especializadas, como as Delegacias de Crimes Cibernéticos, para alimentar estatísticas e orientar políticas de combate.
Perguntas frequentes sobre o impacto da violência na economia do Rio
De onde vem o cálculo de R$ 31,1 bilhões da Firjan?
O valor é estimado a partir de dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) entre 2015 e 2025 e inclui efeitos diretos e indiretos da criminalidade sobre a atividade econômica, como perdas com roubos, custos de segurança, absenteísmo e impacto sobre investimentos.
Quais crimes mais cresceram no Rio na última década?
O estelionato lidera, com alta de 313% em dez anos, seguido pela extorsão, que cresceu 80%. Crimes digitais e ligados ao crime organizado avançaram em todas as regiões fluminenses.
Os roubos de rua diminuíram no Rio?
Sim. Segundo o levantamento, roubos de rua, de carga e de veículos recuaram ao longo da última década, embora sigam respondendo por parcela significativa dos registros criminais.
Como a violência afeta o preço que o consumidor paga?
Empresas repassam para preços e tarifas os custos com seguros, segurança privada, perdas de mercadoria e equipamentos. Em setores mais expostos, como comércio, transporte e serviços financeiros, esse repasse é mais perceptível.
O que o estado pode fazer para reduzir esses custos?
A combinação apontada por especialistas inclui reforço na investigação de crimes digitais, integração entre forças de segurança, programas de educação financeira e digital, e políticas de proteção ao pequeno empreendedor.
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