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Vista cansada afeta 800 milhões e OMS projeta 2,1 bi em 2030

Quase metade dos adultos acima dos 40 anos apresenta a condição, que tem solução simples quando diagnosticada precocemente.

Vista cansada afeta 800 milhões e OMS projeta 2,1 bi em 2030

O que é a vista cansada e por que ela aparece depois dos 40 anos

Dificuldade para ler mensagens no celular, enxergar letras miúdas em cardápios, costurar ou trabalhar horas seguidas diante do computador. Esses são sintomas clássicos da chamada "vista cansada", cujo nome técnico é presbiopia. Trata-se de uma alteração natural do envelhecimento ocular, sem relação direta com o uso excessivo de telas, embora o estilo de vida contemporâneo torne o problema mais perceptível. Segundo reportagem do portal Terra.com.br, a condição costuma se manifestar com mais frequência a partir dos 40 anos e tende a se intensificar de forma progressiva até cerca dos 60.

Como o olho perde a capacidade de focar de perto

A presbiopia acontece por uma mudança na estrutura interna do olho. O cristalino — a lente natural localizada logo atrás da pupila — vai se tornando progressivamente mais rígido com o passar dos anos. Quando jovem, essa lente muda de forma com facilidade para ajustar o foco entre objetos distantes e próximos, um processo chamado acomodação. Com o enrijecimento, o cristalino perde essa maleabilidade, e os músculos que o controlam precisam fazer mais força para enxergar de perto.

O resultado é uma visão nítida para longe acompanhada de borrões, desconforto e cansaço visual em atividades a curtas distâncias. A boa notícia é que, ao contrário de outros problemas oculares, a presbiopia não causa danos permanentes à saúde dos olhos: é uma consequência fisiológica do envelhecimento, e não uma doença.

Os números da vista cansada no mundo e no Brasil

A relevância do tema ganhou dimensão global em uma atualização recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estimou em mais de 800 milhões o número de pessoas com comprometimento da visão de perto associado à presbiopia. A projeção da entidade é que esse contingente alcance 2,1 bilhões até 2030, impulsionado pelo envelhecimento populacional em todas as regiões.

No Brasil, o cenário é particularmente expressivo. Dados do IBGE divulgados em 2024 mostram que a população com 60 anos ou mais chegou a 34,1 milhões de pessoas, um crescimento de 53,3% em relação a 2012. Como a presbiopia avança justamente nessa faixa etária, a tendência é que a demanda por soluções oftalmológicas cresça de forma consistente nas próximas décadas, pressionando consultas, exames e procedimentos.

Sinais mais comuns da presbiopia

Os sintomas costumam aparecer de forma gradual. Entre os mais relatados por pacientes, estão:

  • Necessidade de afastar livros, jornais, celulares e rótulos para conseguir ler;
  • Cansaço visual ao final do dia ou após longas sessões em frente a telas;
  • Dor de cabeça frontal ou ao redor dos olhos após leitura prolongada;
  • Dificuldade para enxergar em ambientes com pouca iluminação;
  • Sensação de que os braços "não são longos o suficiente" para segurar o material de leitura.

Quem nunca precisou de óculos pode estranhar os primeiros sinais, mas a consulta com um oftalmologista é a forma mais segura de confirmar o diagnóstico e descartar outros problemas que também afetam a visão de perto, como hipermetropia não corrigida, olho seco ou alterações na retina.

Por que ir além dos óculos é uma decisão cada vez mais comum

A associação imediata entre presbiopia e óculos de leitura leva muitos pacientes a acreditarem que não há alternativa. Para o oftalmologista Arthur van den Berg, ouvido pela reportagem do Terra.com.br, essa é uma visão incompleta. Com 20 anos de carreira na especialidade, ele defende que a escolha do tratamento precisa começar pelo perfil real de cada pessoa.

"Não existe uma única solução para todas as pessoas. Antes de discutir qualquer procedimento, é preciso entender como aquele paciente trabalha, dirige, pratica esportes, usa telas, lê e quais são suas expectativas. A estratégia precisa acompanhar a vida do paciente, e não apenas um número encontrado no exame", afirma van den Berg.

Esse raciocínio explica por que a oftalmologia contemporânea dispõe de um leque cada vez maior de opções para corrigir a vista cansada — algumas temporárias, outras com efeito mais duradouro.

Óculos: a solução mais tradicional e acessível

Os óculos continuam sendo a alternativa mais comum e, em muitos casos, suficiente. Existem três formatos principais indicados para presbiopia:

  • Óculos de leitura: indicados para quem tem boa visão de longe e usa a correção apenas para atividades próximas. São práticos, baratos e fáceis de trocar quando o grau evolui.
  • Lentes bifocais: têm uma área superior para visão de longe e outra inferior para perto, separadas por uma linha visível.
  • Lentes multifocais (progressivas): oferecem graduação contínua entre longe, intermediário e perto, sem linhas aparentes. São a opção preferida por quem não quer trocar de óculos ao longo do dia.

Lentes de contato multifocais

Pacientes que não se adaptam a óculos ou praticam esportes podem avaliar lentes de contato multifocais. Elas funcionam com zones ópticas diferentes para visão de longe e de perto, e são indicadas pelo oftalmologista após avaliação da curvatura da córnea, do tamanho da pupila e do estilo de vida. Exigem um período de adaptação e acompanhamento regular.

Procedimentos cirúrgicos a laser

Para quem busca reduzir a dependência de óculos, existem técnicas cirúrgicas a laser já consolidadas na prática oftalmológica. Entre as mais conhecidas estão a PresbyLASIK, que remodela a córnea criando múltiplos pontos de foco, e outros protocolos personalizados que ajustam a visão para diferentes distâncias. São procedimentos rápidos, geralmente ambulatoriais, mas nem todos os pacientes são candidatos — a espessura da córnea, o grau e a presença de outras doenças oculares influenciam a indicação.

Implante de lentes intraoculares

Outra alternativa, indicada com maior frequência em pacientes com mais de 50 ou 55 anos, é a substituição do cristalino por uma lente intraocular multifocal. O procedimento é semelhante ao da cirurgia de catarata e tem como vantagem corrigir simultaneamente a presbiopia e outros erros refrativos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo. A decisão por essa via deve ser tomada em conjunto com o oftalmologista após uma bateria detalhada de exames.

Monovisão: um olho para longe, outro para perto

Há ainda a estratégia de monovisão, em que um olho é corrigido para enxergar de longe e o outro para perto — podendo ser feita com óculos, lentes de contato ou cirurgia a laser. É uma solução bastante utilizada, mas exige teste prévio porque o cérebro precisa aprender a privilegiar cada olho conforme a distância do objeto. A adaptação varia de pessoa para pessoa.

O papel da consulta oftalmológica na escolha do tratamento

O ponto em comum entre todas as alternativas é que nenhuma deveria ser adotada sem avaliação médica. A consulta oftalmológica completa inclui refração, mapeamento da córnea, medição da pressão intraocular e exame de fundo de olho, além da análise das queixas e do cotidiano do paciente. É nesse momento que o médico consegue cruzar o resultado dos exames com a rotina real — tempo de tela, profissão, hobbies, direção — e indicar a solução mais segura.

Pacientes com doenças prévias como glaucoma, retinopatia diabética ou ceratocone podem ter opções reduzidas, o que reforça a importância do diagnóstico individualizado antes de qualquer decisão.

Cuidados que ajudam a lidar com a vista cansada no dia a dia

Embora a presbiopia não possa ser evitada, algumas medidas de rotina podem reduzir o desconforto visual:

  • Manter boa iluminação ao ler ou trabalhar;
  • Respeitar a distância mínima de cerca de 35 a 40 centímetros entre os olhos e o material de leitura;
  • Fazer pausas regulares durante o uso de telas, seguindo a chamada regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar para algo a 6 metros de distância por pelo menos 20 segundos;
  • Usar lágrimas artificiais em casos de olho seco associado;
  • Manter a prescrição de óculos ou lentes atualizada, já que o grau da presbiopia costuma mudar a cada dois ou três anos.

Perguntas frequentes sobre a vista cansada

A presbiopia pode piorar se a pessoa usar muito celular ou computador?
Não há evidência de que o uso de telas cause ou agrave a presbiopia, já que ela é consequência natural do envelhecimento do cristalino. O uso prolongado, porém, pode acentuar o desconforto visual e a sensação de cansaço, tornando os sintomas mais perceptíveis.

Existe idade mínima para considerar cirurgia de presbiopia?
A indicação varia de acordo com o grau, a saúde ocular e o estilo de vida. Procedimentos a laser costumam ser avaliados a partir dos 40 ou 45 anos, enquanto o implante de lentes intraoculares tende a ser recomendado a partir dos 50 ou 55 anos, especialmente quando há sinais iniciais de catarata.

Usar óculos de leitura enfraquece a vista?
Não. Os óculos de leitura apenas corrigem a dificuldade de foco de perto. Quando a pessoa passa a usá-los, percebe nitidamente o quanto enxergava com esforço antes, mas isso não significa que a visão ficou pior — apenas que ficou mais clara.

Quem tem miopia pode ser menos afetado pela vista cansada?
Pessoas míopes costumam relatar sintomas de presbiopia mais tarde, porque conseguem ler retirando os óculos de grau. Ainda assim, a presbiopia se instala da mesma forma e, mais cedo ou mais tarde, exige correção específica para perto.

De quanto em quanto tempo é preciso refazer os óculos?
Como o grau da presbiopia tende a evoluir, o recomendado é repetir o exame oftalmológico pelo menos a cada dois anos, ou sempre que houver mudança significativa na visão.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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