Economia

Alunorte: R$ 1,6 bi em alumínio verde mira prêmio na Europa

Empresa norueguesa Hydro mira reconhecimento internacional com produção de baixo carbono e aposta em sustentabilidade

Alunorte: R$ 1,6 bi em alumínio verde mira prêmio na Europa

Alunorte, da Hydro no Pará, acelera transição para o "alumínio verde" e mira prêmio na Europa

A 8.500 km de Oslo, a norueguesa Hydro opera no município de Barcarena, no nordeste do Pará, uma das maiores refinarias de alumina do planeta: a Alunorte, com capacidade nominal para processar 6,3 milhões de toneladas por ano do insumo essencial para a fabricação de alumínio. Segundo o portal Abril.com.br, a unidade é a maior refinaria de alumina fora da China e vem ganhando destaque global justamente pelo seu projeto de descarbonização, que busca oferecer ao mercado um alumínio de baixa emissão de carbono — o chamado "alumínio verde".

O movimento acontece em um momento estratégico: a Alunorte registrou, em 2025, lucro 32% maior do que no período anterior, alcançando R$ 1,5 bilhão, resultado que a levou ao topo do ranking TOP30 na categoria metalurgia e siderurgia. O desempenho reforça a posição do Brasil como peça-chave da cadeia global do alumínio, avaliada em cerca de US$ 200 bilhões.

O que faz a Alunorte e por que ela importa para o Brasil

Antes de entender o projeto verde, vale explicar o que acontece dentro da refinaria. A alumina (óxido de alumínio) é o insumo intermediário que, depois de refinado, alimenta as cubas eletrolíticas que produzem o alumínio metálico — material usado em embalagens, veículos, construção civil, transmissão de energia e eletrônicos.

A operação da Alunorte é verticalizada: a bauxita extraída pela mina da Hydro em Paragominas (PA) percorre 244 km por um mineroduto até chegar à refinaria em Barcarena. Lá, é transformada em alumina, parte da qual segue para a Albras — também do grupo Hydro —, onde é fundida e convertida em alumínio primário. Esse arranjo integrado é raro no mundo e dá à empresa controle sobre toda a cadeia, da mina ao metal.

Produtividade acima da capacidade nominal

Desde que assumiram o controle do complexo, em 2011, os noruegueses injetaram investimentos pesados em modernização e treinamento. O retorno veio na forma de uma produção efetiva superior à capacidade nominal — algo incomum em plantas industriais desse porte —, puxada por ganhos de produtividade e por uma gestão que aposta em equipes locais altamente qualificadas.

"Isso é fruto de um time motivado e que implantou inúmeras melhorias", afirma Phillip McIntosh, presidente da Alunorte desde julho, em entrevista reproduzida pelo portal Abril.com.br. McIntosh já havia trabalhado no Brasil entre 2013 e 2015, quando presidiu a Albras, e retornou ao país em 2025 para comandar a refinaria.

Quais são os dois grandes desafios da nova gestão

A administração que se inicia coincide com um cenário externo particularmente turbulento. O executivo enumera dois pontos críticos:

  1. Volatilidade do preço do alumínio — a guerra comercial e geopolítica travada pelos Estados Unidos contra o Irã provocou forte oscilação nas cotações internacionais do metal, exigindo gestão ativa de custos e estoques.
  2. Adaptação às regras europeias de descarbonização — a União Europeia passou a exigir, nos últimos anos, a rastreabilidade da pegada climática de produtos importados, em um mecanismo conhecido como CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira). Fabricantes europeus de carros, latas e embalagens passaram a exigir alumínio com menor intensidade de carbono, abrindo espaço para um "prêmio verde" nas vendas.

Para McIntosh, esse segundo desafio é também uma oportunidade. "A meta da Hydro é zerar as emissões de carbono até 2050, mas trabalharemos para fazer isso antes", disse ao portal Abril.com.br. A estratégia global do grupo norueguês foi detalhada em relatórios recentes da própria companhia e está alinhada com a meta do Acordo de Paris.

Como funciona o projeto de transição energética

O coração da virada verde da Alunorte é um amplo programa de substituição de combustíveis fósseis — óleo combustível e carvão mineral — por alternativas de menor emissão. O investimento acumulado já ultrapassa R$ 1,6 bilhão, segundo dados da empresa citados pela reportagem da Abril.com.br.

O plano, iniciado em 2024, prevê a adoção gradual de três fontes principais:

  • Gás natural, como combustível de transição nas caldeiras;
  • Energia eólica, com contratos de compra no Nordeste;
  • Energia solar, tanto em usinas centralizadas quanto em sistemas próprios na refinaria.

A consultoria britânica CRU, especializada em commodities, reconheceu em relatório que "o projeto de transição energética da Alunorte valoriza o produto com um 'prêmio verde' no mercado Atlântico (Europa e Estados Unidos)". Na prática, isso significa que lotes de alumina e alumínio com baixa pegada de carbono podem ser vendidos a preços acima da commodity padrão, ampliando a margem da empresa e criando diferencial competitivo.

A inovação com caroço de açaí

Um dos capítulos mais simbólicos do projeto verde é a parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) para desenvolver uma biomassa a partir do caroço de açaí, resíduo extremamente abundante na região amazônica. O material substitui parte do carvão mineral usado nas caldeiras da refinaria, reduzindo emissões e dando nova finalidade econômica a um subproduto que antes era descartado.

A solução chamou a atenção do setor porque une três benefícios simultâneos: diminuição da emissão de CO₂, aproveitamento de biomassa regional e fortalecimento da cadeia do açaí no Pará — que já é a maior do Brasil e emprega milhares de famílias no nordeste paraense.

O que isso significa para o leitor brasileiro

A transição da Alunorte não é apenas uma história corporativa. Ela tem impacto direto em três frentes que interessam à população:

  1. Emprego e renda no Pará — Barcarena e Paragominas concentram milhares de postos de trabalho diretos e indiretos ligados ao complexo da Hydro, com efeito multiplicador na economia local.
  2. Balança comercial brasileira — o alumínio e a alumina figuram entre os principais produtos de exportação mineral do Brasil. Um produto com "selo verde" tende a conquistar mercados mais estáveis e com melhor remuneração.
  3. Sustentabilidade da Amazônia — ao dar uso econômico ao caroço de açaí e exigir manejo responsável da bauxita, a operação ajuda a legitimar uma mineração de baixo impacto socioambiental.

Próximos passos e o que acompanhar

Com a troca progressiva da matriz energética, a expectativa da Hydro é que a refinaria se torne uma das referências globais em alumina de baixo carbono ainda nesta década. O ponto de atenção, segundo analistas do setor ouvidos em relatórios setoriais, é o ritmo das obras e a capacidade de manter a produção efetiva acima da nominal durante a transição.

Para o leitor que quiser acompanhar o assunto, três indicadores servem de termômetro:

  • Os relatórios trimestrais de sustentabilidade da Hydro, que detalham a redução de emissões;
  • As publicações da CRU e da International Aluminium Institute, que trazem comparativos globais;
  • Comunicados da própria Alunorte e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Pará.

Perguntas frequentes

O que é a Alunorte?
É a maior refinaria de alumina fora da China, localizada em Barcarena (PA) e controlada pelo grupo norueguês Norsk Hydro. Tem capacidade para processar 6,3 milhões de toneladas por ano.

O que é "alumínio verde"?
É o alumínio produzido com menor emissão de gases de efeito estufa ao longo da cadeia, da mineração da bauxita à eletrólise. Recebe um "prêmio verde" em mercados como Europa e Estados Unidos.

Como o caroço de açaí é usado na refinaria?
A Hydro firmou parceria com a Universidade Federal do Pará para transformar o resíduo do açaí em biomassa que substitui parte do carvão mineral nas caldeiras da planta.

Qual o lucro da Alunorte em 2025?
Conforme o portal Abril.com.br, a empresa registrou lucro de R$ 1,5 bilhão em 2025, crescimento de 32% em relação ao período anterior, o que a colocou no topo do ranking TOP30 em metalurgia e siderurgia.

Por que a União Europeia influencia a produção no Pará?
Porque o bloco europeu passou a exigir, via mecanismo de ajuste de carbono na fronteira (CBAM), que produtos importados tenham rastreabilidade climática, o que abriu espaço para alumina e alumínio de baixo carbono brasileiros.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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