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Carros conectados: apps e nuvem têm mais de 1/3 das falhas

Serviços digitais concentram parcela expressiva dos problemas, reforçando a importância de proteger dados e manter sistemas atualizados.

Carros conectados: apps e nuvem têm mais de 1/3 das falhas

Aplicativos, sites e serviços em nuvem ligados aos carros responderam por mais de um terço das vulnerabilidades de software analisadas por pesquisadores de duas universidades suecas entre janeiro de 2022 e setembro de 2024. O estudo, conduzido pela Universidade de Gotemburgo e pela Universidade de Tecnologia de Chalmers, indica que a segurança de um veículo conectado não depende apenas dos sistemas instalados nele: também envolve as plataformas digitais usadas para localizá-lo, consultar dados e controlar funções à distância.

Segundo o portal Sapo.pt, a pesquisa avaliou 413 vulnerabilidades e foi publicada na revista Software Quality Journal. A participação de aplicativos, sites e serviços em nuvem foi quase três vezes maior do que a observada em uma investigação anterior. O resultado chama a atenção para um ponto que pode passar despercebido por motoristas: uma brecha no serviço conectado ao carro também pode criar riscos para a privacidade e para o funcionamento de recursos digitais.

Por que a segurança do carro depende também do celular?

Em muitos veículos, o smartphone funciona como uma extensão dos sistemas do automóvel. Dependendo da marca e do modelo, o motorista pode consultar a autonomia, localizar o carro ou administrar determinadas funções pelo aplicativo da montadora. Para que esses recursos funcionem, o veículo se comunica com plataformas digitais, que podem incluir aplicativos, sites e infraestrutura em nuvem.

Essa cadeia cria mais pontos que precisam ser protegidos. Uma falha pode estar no próprio carro, mas também no aplicativo que recebe os comandos, no site usado para acessar a conta ou no serviço que processa e armazena informações. Por isso, a segurança do veículo conectado não se resume à proteção contra uma tentativa de acesso físico ao automóvel.

O estudo não significa que todos os carros conectados estejam vulneráveis nem que cada falha identificada tenha sido explorada por criminosos. Ele mostra que, no conjunto analisado pelos pesquisadores, os serviços ao redor do veículo ganharam importância como parte do problema de segurança.

Que riscos uma falha em um aplicativo automotivo pode trazer?

As consequências dependem do tipo de vulnerabilidade e do sistema afetado. Entre os riscos apontados no material está a exposição de informações pessoais. Dados de localização, por exemplo, podem revelar trajetos frequentes, horários e hábitos de deslocamento, especialmente quando ficam associados a uma conta identificável.

Isso não quer dizer que uma falha necessariamente permita acompanhar qualquer motorista ou acessar todos os dados do veículo. O impacto varia conforme as permissões do aplicativo, a configuração do serviço, os controles de segurança e as condições necessárias para explorar o problema.

Também é importante separar riscos relacionados à privacidade de riscos ao funcionamento do carro. Uma vulnerabilidade em um aplicativo pode afetar uma conta ou um serviço sem comprometer sistemas essenciais do veículo. O estudo citado não afirma que as falhas analisadas permitam controlar direção, freios ou outros componentes críticos.

O que aconteceu com o sistema de infoentretenimento da Škoda?

Entre os casos mencionados pelos pesquisadores está uma vulnerabilidade que, em determinadas condições, podia bloquear o sistema de infoentretenimento de um veículo Škoda por meio da rede Wi-Fi do carro. O exemplo mostra que os sistemas de entretenimento e conectividade também fazem parte da superfície de exposição digital de um automóvel.

O relato não deve ser interpretado como evidência de que qualquer pessoa possa bloquear qualquer carro da marca, nem como indicação de que a falha continue ativa. O material de referência não informa o modelo, as condições técnicas completas, se houve exploração em larga escala ou qual foi a situação atual da correção. Também não associa o caso ao controle dos sistemas mecânicos do veículo.

O que os motoristas brasileiros devem fazer?

A pesquisa foi realizada na Suécia e não apresenta dados específicos sobre a frota brasileira. Ainda assim, o tema é relevante para quem usa recursos conectados no Brasil: a lógica de dependência entre carro, aplicativo e serviços digitais não está limitada a um país. As medidas abaixo ajudam a reduzir riscos comuns em contas e dispositivos, embora não substituam correções feitas pela montadora.

  • Mantenha o aplicativo atualizado: instale atualizações pelas lojas oficiais e evite versões obtidas em sites desconhecidos.
  • Proteja a conta: use uma senha exclusiva para o serviço automotivo e ative a autenticação em duas etapas, caso a plataforma ofereça esse recurso.
  • Revise quem tem acesso: confira os usuários autorizados na conta e remova acessos de pessoas que já não precisam usar o aplicativo.
  • Limite o compartilhamento: consulte as permissões e as opções de privacidade disponíveis. Desative funções que não utiliza, quando isso for possível.
  • Acompanhe avisos da montadora: verifique comunicados sobre atualizações de software, segurança e correções para o modelo do veículo.
  • Use canais oficiais: em caso de comportamento estranho no aplicativo ou no sistema do carro, procure o atendimento da fabricante ou uma oficina autorizada.

Essas recomendações reduzem a exposição de contas e dados, mas não garantem que um sistema esteja livre de falhas. O motorista não deve tentar instalar atualizações não oficiais ou fazer alterações técnicas por conta própria sem orientação da fabricante, pois isso pode afetar o funcionamento do veículo ou a garantia.

Por que o número de falhas em plataformas externas merece atenção?

O aumento observado em relação à investigação anterior sugere que a segurança automotiva precisa acompanhar a expansão dos serviços conectados. Quando funções do carro passam a depender de contas, aplicativos e infraestrutura online, a proteção precisa considerar todos esses elementos, e não apenas o software embarcado no veículo.

Para fabricantes e fornecedores, isso envolve desenvolver os serviços com segurança, corrigir vulnerabilidades e comunicar orientações aos usuários. Para o consumidor, significa tratar o aplicativo do carro como uma conta importante: ele pode estar associado a dados pessoais e a funções remotas, portanto merece senha forte, atualizações e revisão periódica de acessos.

Os dados divulgados não informam quais marcas concentraram mais falhas nem permitem calcular a probabilidade de um motorista brasileiro ser afetado. Também não apresentam um ranking de gravidade ou evidência de que as vulnerabilidades tenham sido usadas em ataques reais. Essas distinções são essenciais: identificar uma falha não equivale, por si só, a comprovar uma invasão.

Perguntas frequentes

Aplicativos de carro conectado podem expor a localização do motorista?

Uma vulnerabilidade pode expor dados de localização, segundo o estudo. O risco concreto depende da falha, das informações armazenadas e das proteções da conta e do serviço.

O estudo prova que carros conectados podem ser controlados por hackers?

Não. O material relata vulnerabilidades em diferentes componentes, incluindo plataformas digitais e sistemas de infoentretenimento, mas não afirma que as falhas analisadas permitam controlar direção ou freios.

O caso citado da Škoda significa que todos os modelos estão vulneráveis?

Não há essa confirmação. A referência descreve uma falha que podia bloquear um sistema de infoentretenimento em determinadas condições, mas não informa que todos os modelos foram afetados ou que o problema permaneça sem correção.

Como posso proteger o aplicativo do meu carro?

Use uma senha exclusiva, ative a autenticação em duas etapas se disponível, mantenha o aplicativo atualizado e revise os acessos autorizados. Consulte também os avisos oficiais da montadora sobre atualizações e segurança.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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