CFO Survey Q2 2026: otimismo em baixa, mas investimento em tecnologia em alta entre diretores financeiros
O mais recente CFO Survey Q2 2026, divulgado pela consultoria global Grant Thornton, revela um movimento que contraria a lógica do momento econômico. Mesmo com a pior percepção dos últimos cinco anos — apenas 37% dos diretores financeiros brasileiros se dizem otimistas com a economia — 67% afirmam que pretendem ampliar os investimentos em tecnologia, transformação digital e inteligência artificial nos próximos 12 meses. Segundo o portal Terra.com.br, o levantamento entrevistou 232 líderes financeiros e mostrou que a área deixou de ser coadjuvante para se tornar protagonista das decisões estratégicas das empresas.
O dado traduz um movimento estrutural: para os CFOs, esperar a economia melhorar deixou de ser uma opção. A saída apontada é usar tecnologia como instrumento de sobrevivência competitiva. E esse aperto acontece justamente quando a pressão sobre margens, custos e previsibilidade é maior.
Por que os CFOs estão pessimistas com a economia brasileira?
A pesquisa mostra que 40% dos diretores financeiros já se declaram pessimistas em relação ao cenário econômico — o maior contingente dos últimos 20 trimestres. O índice de otimismo de 37% é o menor registrado nesse mesmo intervalo. O contexto ajuda a explicar o humor negativo:
- Inflação persistente, que pressiona custos operacionais e força repasses nem sempre possíveis ao consumidor final.
- Tensões geopolíticas, que afetam desde o preço de commodities até contratos internacionais.
- Volatilidade das cadeias globais de suprimentos, com reflexos diretos em prazos, estoques e fretes.
- Alta dos custos operacionais, especialmente energia, insumos e mão de obra qualificada.
Em conjunto, esses fatores comprimem o espaço de manobra das empresas. Em um ambiente assim, investir pode parecer um paradoxo, mas a leitura da Grant Thornton é inversa: é justamente quando o cenário aperta que eficiência operacional vira diferencial de mercado.
67% dos CFOs vão aumentar investimentos em tecnologia: o que explica o movimento?
O percentual de executivos que pretendem ampliar os aportes em tecnologia e transformação digital repete praticamente o maior patamar da série histórica do CFO Survey. Isso indica que a prioridade não é pontual nem motivada por modismo, mas representa uma diretriz consolidada nas empresas brasileiras.
Na prática, três motivações sustentam esse movimento, segundo a leitura do mercado:
- Buscar eficiência onde não dá para cortar mais. Após ciclos de ajuste de pessoal, marketing e estrutura, tecnologia aparece como caminho para reduzir desperdícios e ganhar produtividade sem novas demissões.
- Proteger a competitividade. Em mercados onde concorrentes já adotaram automação, analytics e IA, parar de investir significa perder posição.
- Preparar o terreno para a próxima onda de crescimento. Empresas que saírem da crise com base tecnológica mais sólida tendem a capturar demanda mais rápido quando o ciclo virar.
O resultado é que tecnologia deixa de ser tratada como centro de custo e passa a ser vista como ativo estratégico, sob responsabilidade direta do CFO.
Inteligência artificial deixa de ser aposta e vira decisão financeira
Um dos pontos mais relevantes do levantamento é a mudança de fase da inteligência artificial dentro das organizações. A Grant Thornton aponta que, superada a fase inicial de experimentação e provas de conceito, o desafio agora é outro: medir retorno, estabelecer governança e direcionar investimentos para projetos que efetivamente entreguem resultado.
Esse amadurecimento tem implicações diretas. As empresas começam a tratar projetos de IA com o mesmo rigor de qualquer outro investimento de capital: análise de payback, indicadores de desempenho, comitês de aprovação e critérios de priorização. Termos como AI governance, ROI de IA e centros de excelência em inteligência artificial deixam o universo dos consultores e ganham espaço em planilhas.
Para o executivo brasileiro, isso significa que iniciativas de IA precisarão, cada vez mais, responder a perguntas duras:
- Quanto essa iniciativa economiza ou gera de receita em reais por mês?
- Qual o prazo de retorno esperado?
- Quais dados estão sendo usados e quem responde por eles?
- Como evitar viés, vazamento de informação e riscos regulatórios?
A resposta a essas perguntas tende a separar projetos de IA que escalam daqueles que ficam apenas no piloto.
O novo papel do CFO nas empresas brasileiras
O sócio-líder de consultoria da Grant Thornton, Marco Aurélio Neves, resumiu a mudança em uma frase emblemática: "Hoje, o CFO deixou de ser apenas o executivo responsável pelo controle financeiro. Ele participa diretamente das decisões que envolvem inovação, transformação digital, inteligência artificial e geração de valor para o negócio. A área financeira tornou-se protagonista na definição da estratégia empresarial."
A fala sintetiza uma transformação que vinha sendo desenhada nos últimos anos, mas que o CFO Survey Q2 2026 torna explícita. O diretor financeiro contemporâneo precisa entender de cloud, dados, cibersegurança e modelos de IA com a mesma profundidade com que analisa fluxo de caixa e demonstrativos. Não se trata mais de orçamento versus tecnologia — as duas agendas estão fundidas.
O que isso significa na prática para empresas no Brasil?
O cenário descrito pela Grant Thornton tem efeitos distintos dependendo do porte e do setor, mas algumas recomendações valem de forma geral:
Para pequenas e médias empresas: o momento é de buscar soluções modulares, com custo de entrada baixo e retorno rápido. Plataformas de automação financeira, ERP em nuvem e ferramentas de IA prontas para uso tendem a oferecer ganho de produtividade sem exigir grandes projetos customizados. A Grant Thornton reforça que a disciplina financeira precisa acompanhar cada nova iniciativa.
Para grandes corporações: a pesquisa sugere revisar o portfólio de projetos de tecnologia, eliminando aqueles que não conseguem comprovar retorno e concentrando investimento em plataformas estratégicas. Governança de dados, comitês de IA e políticas de uso responsável deixam de ser opcionais.
Para o mercado de trabalho: cresce a procura por profissionais híbridos, que dominem finanças e, ao mesmo tempo, consigam avaliar criticamente projetos de tecnologia e IA. O CFO moderno precisa de uma equipe à altura — e isso já se reflete na remuneração e na disputa por talentos especializados.
Próximos passos: o que acompanhar de perto
Alguns indicadores vão mostrar se a tendência se sustenta ou se arrefece nos próximos trimestres:
- A evolução do percentual de otimismo dos CFOs nas próximas rodadas do CFO Survey.
- O ritmo de aprovação de projetos de IA em comitês executivos, com metas de retorno bem definidas.
- Eventuais ajustes regulatórios sobre uso de inteligência artificial, que podem alterar a conta de risco dos projetos.
- O comportamento de investimento de empresas de capital aberto, frequentemente usadas como termômetro do mercado.
Por enquanto, o sinal que vem da Grant Thornton é claro: mesmo pessimistas com a economia, os CFOs brasileiros decidiram que cortar tecnologia não está no menu. Investir, mesmo com cautela, virou questão de sobrevivência competitiva.
Perguntas frequentes
O que é o CFO Survey da Grant Thornton?
É uma pesquisa trimestral realizada pela consultoria global Grant Thornton que consulta líderes financeiros de empresas para avaliar percepção econômica, prioridades de investimento e tendências de gestão. A edição Q2 2026 ouviu 232 diretores financeiros.
Por que os CFOs brasileiros estão pessimistas com a economia?
O levantamento aponta como principais motivos a inflação persistente, tensões geopolíticas, volatilidade das cadeias globais de suprimentos e aumento dos custos operacionais — combinação que reduziu o otimismo ao menor nível dos últimos 20 trimestres.
Quanto as empresas planejam investir em tecnologia nos próximos 12 meses?
Segundo a pesquisa, 67% dos CFOs pretendem ampliar os investimentos em tecnologia e transformação digital nos próximos 12 meses, repetindo praticamente o maior patamar da série histórica.
O que mudou na forma de adotar inteligência artificial nas empresas?
Depois de uma fase de experimentação, as organizações passaram a tratar IA como decisão financeira, com exigência de mensuração de retorno, governança de dados e critérios claros de priorização de projetos.
Qual o novo papel do CFO segundo a Grant Thornton?
O diretor financeiro deixou de cuidar apenas do controle contábil e passou a participar das decisões estratégicas de inovação, transformação digital e inteligência artificial, tornando-se protagonista na geração de valor do negócio.
Gostou desta matéria? Compartilhe com quem precisa ficar bem informado e assine a newsletter do GCBS NEWS para receber as principais notícias direto no seu e-mail.



