Cleitinho mantém pré-candidatura ao governo de Minas e promete reunião com Marcos Pereira para reverter decisão do Republicanos
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) reafirmou nesta quarta-feira, 29, em coletiva transmitida pelas redes sociais a partir da Praça Santuário, em Divinópolis (MG), que pretende disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. A declaração ocorre no mesmo dia em que o Republicanos divulgou comunicado à imprensa sinalizando que a candidatura não será oficializada pela legenda — o que, na prática, impede o parlamentar de concorrer ao Palácio Tiradentes, já que o prazo para troca de partido já se encerrou.
Durante a conversa com jornalistas, Cleitinho anunciou que vai se reunir com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para tentar convencê-lo a liberar a disputa. Segundo o senador, a estratégia será "tocar o coração" do dirigente partidário. A coletiva foi convocada pelo próprio parlamentar para esclarecer a controvérsia surgida após a nota oficial da sigla.
Por que o Republicanos publicou nota contra a candidatura?
De acordo com informações divulgadas pelo portal Terra.com.br, a executiva estadual do Republicanos emitiu comunicado afirmando que estruturou um projeto para viabilizar o nome do senador ao governo mineiro, mas que decisões estratégicas precisaram ser adiadas para preservar a viabilidade de uma eventual candidatura. No documento, a legenda responsabiliza o próprio parlamentar pela indefinição dos rumos da disputa e afirma que ele não oficializou a intenção de concorrer ao Palácio Tiradentes dentro dos prazos estabelecidos pelo partido.
A nota gerou reação imediata de Cleitinho, que optou por se manifestar publicamente em vez de negociar nos bastidores. Para aliados ouvidos por veículos locais, a estratégia é clara: manter a pré-candidurança visível para forçar uma reabertura do diálogo com a direção nacional.
O que Cleitinho disse sobre a ausência na convenção estadual?
O senador justificou sua ausência na convenção estadual do Republicanos, realizada no último sábado, 25, pela morte do irmão mais novo. Emocionado, Cleitinho afirmou: "Não tinha cabeça. Como vou lançar uma candidatura de luto?" A declaração foi feita durante a coletiva e reproduzida por diversos veículos de imprensa.
O episódio familiar, segundo interlocutores do partido, ajudou a produzir o cenário de indefinição que culminou na nota divulgada nesta quarta-feira. Políticos mineiros avaliam que a morte de um familiar próximo é fator relevante para compreender a hesitação do senador em oficializar a candidatura dentro da janela partidária.
Sem troca de partido, o que acontece se o Republicanos mantiver o veto?
Caso a direção nacional do Republicanos mantenha o posicionamento, Cleitinho ficará sem legenda e, portanto, sem condições legais de registrar a candidatura. Isso porque o prazo para filiação partidária — necessário para disputar o pleito — já foi encerrado. Mesmo parlamentares em pleno exercício do mandato só podem concorrer se estiverem filiados a um partido com diretório regularizado junto à Justiça Eleitoral.
Na prática, existem três caminhos possíveis para o senador:
- Reversão interna: convencer Marcos Pereira e a cúpula do Republicanos a liberarem a candidatura, mesmo fora do calendário original;
- Saída negociada: deixar o Republicanos de forma amigável, abrindo mão do mandato, embora essa hipótese seja improvável;
- Renúncia à disputa: apoiar outro nome do grupo político e abrir espaço para uma composição eleitoral no estado.
O que mostram as pesquisas de intenção de voto em Minas Gerais?
A mais recente pesquisa Genial/Quaest para o governo de Minas Gerais aponta Cleitinho na liderança isolada, com 35% das intenções de voto. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) aparece em segundo lugar, com 12%, seguido pelos demais pré-candidatos em patamares menores. Os números reforçam o argumento do senador de que ele é, hoje, o nome com maior viabilidade eleitoral no campo que se opõe ao atual governador Romeu Zema (Novo).
O desempenho nas pesquisas é, inclusive, um dos trunfos que Cleitinho pretende usar na conversa com Marcos Pereira. Internamente, aliados defendem que abrir mão de um pré-candidato que lidera com folga seria um erro estratégico da legenda.
Quem é Cleitinho Azevedo?
Natural de Divinópolis, na região centro-oeste de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo ganhou projeção nacional justamente nas eleições de 2022, quando se elegeu senador com uma das maiores votações da história do estado. Antes da vida pública, trabalhou como líder comunitário e microempresário. O estilo direto, o uso intenso das redes sociais e o discurso voltado à segurança pública e ao combate à corrupção se tornaram marcas registradas do parlamentar.
Em Brasília, Cleitinho se posicionou como crítico frequente de partidos tradicionais e defensor de pautas conservadoras. Sua base eleitoral está concentrada no interior mineiro, especialmente nas regiões centro-oeste e norte do estado, área em que mobiliza militância de forma espontânea em eventos de rua.
Qual o impacto político do impasse para Minas Gerais?
A indefinição envolvendo Cleitinho redesenha o cenário eleitoral mineiro em plena pré-campanha. Caso o Republicanos confirme o veto, o campo oposicionista perde seu pré-candidato mais competitivo e precisa buscar uma alternativa em tempo curto. Por outro lado, se a candidatura for liberada, o partido consolida uma nominata forte ao governo e ganha musculatura para a disputa pela Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados.
Analistas políticos ouvidos pela imprensa mineira avaliam que o desfecho da negociação entre Cleitinho e Marcos Pereira pode influenciar o humor de outras bancadas estaduais. Dirigentes partidários de siglas como PL, PP e PSD acompanhariam o caso para calibrar suas próprias estratégias de alianças.
Quais os próximos passos do senador?
A expectativa é que o encontro com Marcos Pereira ocorra ainda nesta semana, em data a ser confirmada. Cleitinho afirmou que pretende levar à reunião os números das pesquisas e o argumento de que o Republicanos precisa ocupar o protagonismo na disputa estadual. Enquanto isso, o senador mantém a agenda de viagens pelo interior e as publicações nas redes sociais, onde possui milhões de seguidores e costuma divulgar suas ações parlamentares.
Até a reunião com a direção nacional, ainda sem confirmação oficial sobre data e local, a pré-candidatura permanece em compasso de espera — mas com o nome do senador cada vez mais presente no debate público sobre o futuro do Palácio Tiradentes.
Perguntas frequentes
Cleitinho vai mesmo ser candidato ao governo de Minas?
Ainda não há confirmação oficial. O senador afirma que pretende disputar o cargo, mas depende de aval do Republicanos. Sem a liberação da legenda, a candidatura é juridicamente inviável.
Por que o Republicanos vetou a candidatura de Cleitinho?
Segundo nota divulgada pelo partido, decisões estratégicas foram adiadas para preservar a viabilidade do projeto, e a legenda responsabiliza o próprio senador pela indefinição e por não ter oficializado a intenção no prazo.
Quem lidera as pesquisas para o governo de Minas Gerais?
A última pesquisa Genial/Quaest coloca Cleitinho na liderança, com 35% das intenções de voto, seguido por Alexandre Kalil (PDT), com 12%.
Cleitinho pode trocar de partido para viabilizar a candidatura?
Não. O prazo de filiação partidária já foi encerrado, o que impede a troca de legenda neste ciclo eleitoral.
Por que Cleitinho não compareceu à convenção estadual do Republicanos?
O senador afirmou que se ausentou por causa da morte do irmão mais novo e que, emocionalmente abalado, não tinha condições de lançar uma candidatura.
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