Economia

Dívida do Brasil atinge 81,9% do PIB, maior nível desde 2021

Crescimento das despesas pressiona contas públicas e reacende alerta sobre sustentabilidade das finanças federais.

Dívida do Brasil atinge 81,9% do PIB, maior nível desde 2021

O que aconteceu com a dívida pública brasileira?

A dívida bruta do Brasil subiu para 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho de 2025, o maior patamar desde abril de 2021, segundo comunicado do Banco Central do Brasil na sexta-feira passada. O indicador representa um avanço de 0,9 ponto percentual em relação a maio e confirma a trajetória de deterioração fiscal que preocupa economistas, investidores e órgãos de controle.

Em valores absolutos, o estoque da dívida pública chegou a R$ 10,8 trilhões, o equivalente a aproximadamente €1,84 trilhão, considerando a cotação atual do euro. O número, reportado pelo portal Observador.pt, soma os compromissos do governo federal, dos estados, dos municípios e da previdência social.

Como a dívida evoluiu durante o governo Lula?

Desde o início da terceira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, a relação entre dívida pública e PIB acumula alta de 10,2 pontos percentuais, de acordo com cálculo do Instituto Fiscal Independente (IFI), órgão de assessoramento técnico do Senado Federal.

Em pouco mais de três anos, o país saiu de um indicador próximo de 71,7% do PIB, em dezembro de 2022, para os atuais 81,9%. A expansão foi puxada, principalmente, por déficits primários repetidos, isto é, receitas que não conseguem cobrir as despesas do governo antes do pagamento de juros, além de gastos obrigatórios crescentes, como previdência e folha salarial.

Quando o Brasil registrou um nível parecido de endividamento?

O último pico havia sido em abril de 2021, em meio aos efeitos da pandemia de Covid-19, quando a dívida bruta atingiu 82,6% do PIB. O número atual fica abaixo do recorde histórico, mas mantém a tendência de alta registrada nos últimos meses.

O que diz o IFI sobre o futuro da dívida?

Em projeções recentes, o IFI alertou que, mantido o ritmo atual de crescimento do endividamento, a dívida bruta pode ultrapassar 115% do PIB em um horizonte de dez anos. O cálculo considera cenários de crescimento econômico, despesa pública e taxa de juros.

O patamar de 115% seria muito superior à média histórica brasileira e aproximaria o país de economias com histórico de crises fiscais relevantes, como Grécia, Itália e Japão, embora com estruturas de endividamento bem distintas.

Por que a dívida está subindo?

Embora o Banco Central não apresente uma causa única para a alta, especialistas apontam uma combinação de fatores:

  • Resultado primário persistentemente negativo: as receitas do governo federal têm ficado abaixo das despesas, obrigando o Tesouro a emitir mais dívida para fechar as contas.
  • Pressão da previdência: o envelhecimento da população e as regras atuais de aposentadoria elevam continuamente as despesas com benefícios do INSS.
  • Gastos com programas sociais: initiatives como o Bolsa Família e a política de valorização real do salário mínimo impactam o orçamento federal.
  • Taxa de juros elevada: a Selic, taxa básica da economia, segue em patamar considerável, o que encarece a rolagem da dívida pública.
  • Crescimento Econômico modesto: o PIB tem avançado em ritmo inferior ao necessário para estabilizar a relação entre dívida e produto.

Qual a situação das empresas estatais?

No mesmo período, as empresas estatais federais registraram déficit recorde de R$ 7,8 bilhões (cerca de €1,33 bilhão) no acumulado do primeiro semestre de 2025, conforme o Banco Central. O resultado negativo reflete a combinação de receitas operacionais pressionadas, investimentos postergados e aumento de custos com pessoal e energia.

Estatais como Petrobras, Eletrobras e Correios enfrentam diferentes graus de dificuldade financeira, em um cenário em que o governo busca ampliar investimentos em infraestrutura e transição energética, mas precisa equilibrar o caixa das controladas.

Qual o impacto para o cidadão e para a economia?

A alta da dívida pública traz consequências práticas para a vida do brasileiro:

  • Juros mais altos: o governo precisa oferecer taxas maiores para financiar a dívida, o que pressiona a Selic e encarece o crédito para empresas e famílias.
  • Menos espaço para investimentos: parte crescente do orçamento é comprometida com o pagamento de juros, reduzindo recursos disponíveis para saúde, educação e obras.
  • Risco de rebaixamento de rating: agências internacionais de classificação de risco acompanham a trajetória da dívida e podem cortar a nota do Brasil, elevando o custo de captação no exterior.
  • Pressão sobre o câmbio: indicadores fiscais mais frágeis tendem a desvalorizar o real frente ao dólar, encarecendo produtos importados e pressionando a inflação.

Como o Brasil se compara a outros países?

Com 81,9% do PIB, a dívida bruta brasileira está acima da média de economias emergentes pares, como Chile e Colômbia, que se mantêm em faixas de 40% a 60% do PIB. Ainda assim, o indicador é inferior ao de países desenvolvidos fortemente endividados, como Itália (cerca de 135%), Japão (acima de 250%) e Estados Unidos (na casa de 120%).

A diferença, no entanto, é que economias desenvolvidas costumam financiar suas dívidas a prazos longos e taxas menores, enquanto países emergentes, como o Brasil, dependem mais de mercado e investidores externos sensíveis a oscilações de risco.

Que medidas o governo tem adotado para conter o avanço?

A administração federal tem buscado reequilíbrio das contas por meio de pacotes de contenção de gastos, ajustes pontuais na previdência e revisão de programas sociais. A nova regra fiscal, em discussão no Congresso Nacional, pretende substituir o antigo teto de gastos por um mecanismo que limite o crescimento das despesas à variação da receita.

Mesmo assim, o mercado financeiro e organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), seguem defendendo metas mais ambiciosas de resultado primário para estabilizar a dívida no médio prazo.

Perguntas frequentes

O que é a dívida bruta do governo?

É o estoque total de compromissos financeiros do setor público, incluindo as dívidas do governo federal, dos estados, dos municípios e da previdência social. Quando dividida pelo PIB, permite comparações entre países e ao longo do tempo.

Qual a diferença entre dívida bruta e dívida líquida?

A dívida bruta é o total de endividamento, enquanto a dívida líquida desconta os créditos do governo, como reservas internacionais e ativos financeiros. A bruta é o indicador mais usado para comparações internacionais.

Por que a dívida subiu tanto no atual governo?

A alta de 10,2 pontos percentuais desde 2023 reflete déficits primários persistentes, pressão dos gastos com previdência e programas sociais e uma Selic elevada que encarece o custo de rolagem da dívida.

Quando o Brasil voltou a ter esse nível de endividamento?

Os 81,9% do PIB registrados em junho de 2025 são o maior percentual desde abril de 2021, auge da pandemia de Covid-19, quando a dívida chegou a 82,6% do PIB.

A dívida pode realmente chegar a 115% do PIB?

É o que projeta o IFI caso o ritmo atual de crescimento do endividamento se mantenha pelos próximos dez anos. O resultado depende de variáveis como crescimento econômico, taxa de juros e disciplina fiscal.

Reportagem baseada em dados do Banco Central do Brasil e do Instituto Fiscal Independente (IFI), com informações do portal Observador.pt.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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