Economia

Economia portuguesa deve crescer acima de 2% em 2025

Projeção oficial supera estimativas anteriores e aponta para um dos melhores desempenhos da década.

Economia portuguesa deve crescer acima de 2% em 2025

A economia portuguesa tem tudo para crescer acima de 2% em 2025, a menos que ocorram "muitos contratempos" em sequência. A avaliação é do Fórum para a Competitividade, associação portuguesa que reúne economistas e executivos e que, na nota de conjuntura de agosto divulgada nesta sexta-feira, apontou que apenas um cenário muito negativo tiraria o país da faixa de expansão robusta projetada para o ano.

Segundo o portal Observador.pt, a entidade destaca que, com o crescimento do primeiro semestre próximo dos 2,5%, seria necessário um conjunto de eventos adversos para que o Produto Interno Bruto (PIB) do conjunto do ano ficasse muito abaixo dos 2%. Para o Fórum, esse não é o cenário central, embora alerte para pontos de fragilidade que merecem acompanhamento.

O que sustenta a projeção de crescimento acima de 2%?

A estimativa se apoia principalmente no desempenho registrado no primeiro semestre. Portugal vinha acumulando taxas de variação do PIB em torno de 2,5% nos últimos trimestres acompanhados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o que estabelece uma base sólida para o cálculo anual.

Do ponto de vista matemático, mesmo com uma desaceleração no segundo semestre, o efeito de carregamento estatístico tende a manter o crescimento médio anual próximo ou acima dos 2%. Por isso, a frase "só se muita coisa correr mal" reflete menos otimismo e mais um cálculo de probabilidades com base nos dados disponíveis.

O que aconteceu no mercado de trabalho português?

No segundo trimestre do ano, a taxa de desemprego em Portugal caiu de 6,1% para 5,3%, atingindo o valor mais baixo desde o início da série histórica do INE em 2011. O movimento foi acompanhado por uma aceleração simultânea da população ativa e do emprego, indicando que mais pessoas entraram no mercado de trabalho e encontraram ocupação.

Esse duplo movimento — aumento da força de trabalho e redução do desemprego — é considerado tecnicamente saudável, pois mostra que a economia está gerando vagas em ritmo suficiente para absorver novos candidatos. Para efeitos de comparação, a taxa portuguesa de 5,3% aproxima-se de patamares historicamente registrados em economias europeias mais maduras, embora ainda acima de médias como a da Alemanha e da Holanda.

Por que a criação de empregos preocupa os economistas?

O Fórum para a Competitividade classifica como o "aspeto menos positivo" do boletim a queda da produtividade média do trabalho. O diagnóstico é simples: o emprego está crescendo mais do que o PIB, o que sugere que grande parte das vagas criadas tem baixa produtividade.

Em termos práticos, isso significa que mais pessoas estão trabalhando, mas cada trabalhador está produzindo, em média, menos riqueza adicional do que em períodos anteriores. Para uma economia que pretende convergir com parceiros europeus mais ricos, esse é um sinal de alerta, já que o crescimento sustentado de longo prazo depende menos de quantidade de postos e mais de produtividade por posto.

Quais setores mais pressionam a produtividade?

A nota do Fórum não detalha setor por setor, mas o comportamento agregado — emprego crescendo acima do PIB — é típico de economias que dependem de serviços de menor intensidade tecnológica, turismo, construção e administração pública, segmentos com produtividade por hora inferior à média da indústria transformadora.

No caso português, o turismo e os serviços relacionados têm sido motores recentes de crescimento, mas costumam apresentar produtividade inferior à da média da União Europeia. A manutenção desse perfil estrutural tende a limitar a capacidade do país de crescer de forma sustentada sem inflação ou endividamento.

Setor público em Portugal atinge recorde de funcionários

Outro ponto destacado pela associação é o volume de ocupados na administração pública portuguesa. No segundo trimestre, o contingente atingiu a marca recorde de 768 mil pessoas, com crescimento homólogo de 1%, puxado sobretudo pela administração local — ou seja, pelas câmaras municipais, juntas de freguesia e estruturas regionais.

O Fórum considera paradoxal que, num período de escassez de mão de obra, o setor público esteja competindo diretamente com o setor privado pela mesma força de trabalho. O argumento é que, ao oferecer salários e estabilidade típicos do funcionalismo, o Estado estaria drenando profissionais que poderiam contribuir para ganhos de produtividade em empresas exportadoras ou inovadoras.

A crítica tem ressonância histórica em Portugal, país onde o peso do Estado no emprego é tradicionalmente superior ao de várias economias europeias e onde a função pública costuma funcionar como alternativa de carreira em períodos de crise privada.

Qual é o impacto desse diagnóstico para o leitor brasileiro?

Apesar de se tratar de uma avaliação sobre Portugal, o tema interessa diretamente ao Brasil por três motivos principais.

  • Conexão lusófona: Brasil e Portugal mantêm intensos fluxos de investimento, comércio e migração qualificada. Uma desaceleração portuguesa pode reduzir remessas e frear investimentos lusos em empresas brasileiras, especialmente em setores como energia, bancos e telecomunicações.
  • Referência de política econômica: Portugal passou por um programa de austeridade entre 2011 e 2014 e, desde então, recuperou crescimento e reduziu desemprego. O percurso serve como estudo de caso sobre os limites do ajuste fiscal e a importância de reformas estruturais — debates também vivos no Brasil.
  • Produtividade como desafio comum: A queixa sobre baixa produtividade não é exclusiva de Lisboa. Tanto Brasil quanto Portugal convivem com produtividade média inferior à de economias avançadas, e ambos discutem como elevar o conteúdo tecnológico de suas economias.

Que riscos podem derrubar o crescimento português?

A ressalva "só se muita coisa correr mal" embutida na avaliação do Fórum não é retórica vazia. Entre os riscos mais citados por analistas europeus estão:

  1. Uma nova alta dos custos de energia, pressionada por tensões geopolíticas no leste europeu e no Oriente Médio.
  2. Endurecimento das condições financeiras globais, com juros elevados por mais tempo do que o esperado pelo Banco Central Europeu (BCE).
  3. Desaceleração dos principais parceiros comerciais da União Europeia, em especial Alemanha, principal destino das exportações portuguesas.
  4. Agravamento da escassez de mão de obra em setores-chave, com impacto direto sobre a capacidade produtiva.

Enquanto nenhum desses fatores se materializar de forma simultânea, a expectativa central continua sendo de crescimento sólido, ainda que com produtividade como gargalo.

Perguntas frequentes

O que é o Fórum para a Competitividade?

É uma associação portuguesa sem fins lucrativos que reúne economistas, gestores e executivos para analisar a evolução da economia nacional e propor medidas de políticas públicas voltadas ao aumento da competitividade.

Qual foi a taxa de desemprego de Portugal no segundo trimestre?

Segundo a nota de conjuntura divulgada pelo Fórum, a taxa caiu de 6,1% para 5,3%, o menor valor desde o início da série histórica do INE em 2011.

Por que a baixa produtividade preocupa mesmo com mais empregos?

Porque sem ganho de produtividade por trabalhador, o crescimento salarial tende a pressionar a inflação e a limitar a capacidade do país de convergir com economias mais ricas, além de reduzir a competitividade externa.

O que é a administração local mencionada na nota?

Refere-se ao conjunto de órgãos públicos territoriais, como câmaras municipais e juntas de freguesia, que respondem por boa parte do emprego público em Portugal, sobretudo em regiões do interior.

Esse diagnóstico pode mudar nos próximos meses?

Sim. A nota de conjuntura é um retrato de agosto e será atualizada conforme novos dados do INE, decisões do BCE e indicadores setoriais forem divulgados nos próximos trimestres.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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