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Flávio Bolsonaro é acusado de receber verba da Rockbridge

Fabrício Queiroz aparece como intermediário nos repasses ao parlamentar durante período em que atuou na Alerj.

Flávio Bolsonaro é acusado de receber verba da Rockbridge
2>Acusação de financiamento estrangeiro envolve Rockbridge, Flávio Bolsonaro e a corrida ao Planalto em 2026

O candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, acusou publicamente a Rockbridge Network, rede americana ligada a financiadores do entorno do ex-presidente Donald Trump, de repassar recursos de forma ilegal à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi feita em discurso no sábado (5), conforme reportagem do portal Diariodocentrodomundo.com.br, e reacende o debate sobre a entrada de dinheiro estrangeiro no processo eleitoral brasileiro, prática vedada pela legislação eleitoral.

Segundo Renan, a organização teria inicialmente procurado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), antes de firmar apoio com Flávio Bolsonaro. “Eles entraram na campanha do Flávio, naturalmente e ilegalmente”, afirmou o dirigente do Missão, sem apresentar, até o momento, provas públicas da suposta transferência de recursos. A acusação ganhou força nas redes sociais após postagens do ex-deputado estadual Arthur do Val, o Mamãe Falei, e de integrantes do MBL, que direcionaram questionamentos ao empresário Tallis Gomes, fundador da G4 Educação e membro da Rockbridge nos Estados Unidos.

O que é a Rockbridge Network e por que ela importa

A Rockbridge foi fundada em 2019 pelo então senador e hoje vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, ao lado do empresário Chris Buskirk, sócio de Donald Trump Jr. em uma gestora de capitais sediada na Flórida. A rede se apresenta como um espaço de articulação entre conservadores americanos e lideranças estrangeiras, com o objetivo declarado de criar “braços internacionais” em diferentes países, em especial na América Latina e na Europa.

No Brasil, o ponto de contato mais visível tem sido Tallis Gomes. O empresário participou, em junho, de um painel ao lado de Buskirk na Brazil Week, evento realizado em Nova York que reuniu investidores e formuladores de políticas para discutir, entre outros temas, infraestrutura de inteligência artificial e oportunidades de negócios entre Brasil e Estados Unidos. No mesmo debate esteve presente o investidor Victor Lazarte.

O que diz a legislação brasileira sobre doação estrangeira?

A Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), em seu artigo 28, é clara ao vedar, “a qualquer título”, doações de pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras a candidatos, partidos e comitês eleitorais. A norma abrange tanto repasses diretos quanto contribuições indiretas, feitas por meio de terceiros, entidades intermediárias ou mesmo de pessoas jurídicas com participação de capital estrangeiro em determinados patamares.

Na prática, isso significa que um eventual aporte da Rockbridge — ou de qualquer entidade a ela vinculada — a uma campanha no Brasil configuraria, em tese, infração grave, sujeita a apuração pela Justiça Eleitoral, pela Controladoria-Geral da União (CGU) e, em casos de maior gravidade, pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. As penalidades podem variar de multa e cassação do registro ou do diploma à declaração de inelegibilidade.

Tallis Gomes nega envolvimento e diz não ter adesão a nenhuma campanha

Procurado após as postagens nas redes sociais, Tallis Gomes negou ter atuado para levantar recursos para Flávio Bolsonaro, inclusive dentro do Brasil. O empresário afirmou que mantém conversas com as equipes do senador fluminense, do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), mas reiterou que não possui adesão formal a nenhum dos grupos.

Em mensagem pública, Gomes afirmou que sua participação na Rockbridge se limita a uma atuação pessoal nos Estados Unidos e que não opera como ponte financeira entre a rede americana e qualquer campanha brasileira. Ainda assim, a presença do empresário em um painel com Chris Buskirk na Brazil Week é vista por adversários políticos como indício de proximidade que merece esclarecimento.

Repercussão nas redes e no meio político

As declarações de Renan Santos foram acompanhadas de postagens coordenadas de figuras ligadas ao Missão e ao MBL. Arthur do Val, sem citar Flávio diretamente, publicou no X: “grana gringa pra campanha aqui do Brasil?”, direcionando a pergunta a Tallis Gomes. O teor das mensagens sugere uma tentativa de desgastar a pré-candidatura do senador bolsonarista, em um momento em que Flávio ainda não oficializou a disputa pelo Palácio da Alvorada, mas é apontado por pesquisas internas como o nome preferido do bolsonarismo para suceder o pai.

Até o momento, nenhuma denúncia formal foi protocolada junto à Justiça Eleitoral, à Procuradoria-Geral Eleitoral ou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador Flávio Bolsonaro e a direção do PL ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso. Procurada, a equipe de Renan Santos afirmou que as provas serão apresentadas “no momento oportuno”.

Por que essa denúncia pode ganhar tração política

A acusação se insere em um contexto mais amplo de crescente preocupação com interferência estrangeira em processos eleitorais em democracias ocidentais. Nos Estados Unidos, as redes de think tanks conservadores financiadas por doadores como os irmãos Koch e porbilionários ligados a Trump são investigadas rotineiramente por sua influência em pleitos na Europa e na América Latina. No Brasil, episódios como o vazamento de mensagens do grupo Vem Pra Rua e as investigações sobre o Instituto Aspen ampliaram o debate sobre os limites da atuação de entidades internacionais em território nacional.

Além disso, a entrada da Rockbridge no debate brasileiro coincide com a tentativa do governo Trump de estreitar laços com a direita latino-americana, em uma estratégia que envolve desde o combate ao crime organizado até o apoio a candidatos críticos ao chamado “globalismo”. A aproximação com figuras do bolsonarismo não é nova: o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro manteve interlocução com assessores trumpistas durante seu mandato, e o deputado Eduardo Bolsonaro chegou a morar nos Estados Unidos em 2025 para acompanhar de perto o governo americano.

Quais são os próximos passos esperados

Caso as denúncias avancem, três caminhos são plausíveis. O primeiro é a representação formal à Justiça Eleitoral pedindo a apuração de eventual repasse ilegal, com quebra de sigilos bancários e fiscais. O segundo é a abertura de inquérito administrativo pela CGU para investigar a origem de recursos eventualmente recebidos por empresas ou entidades brasileiras com vínculo com a Rockbridge. O terceiro é a investigação criminal, caso se configure crime eleitoral previsto no Código Eleitoral (Lei 4.737/1965), com pena de até quatro anos de reclusão.

Enquanto isso, a corrida presidencial de 2026 começa a se delinear em meio a uma disputa interna no campo conservador, no qual Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado figuram como os principais nomes em disputa pelo eleitorado de direita. A acusação de financiamento estrangeiro, independentemente de sua procedência, tende a se tornar munição permanente no debate entre as pré-candidaturas.

Perguntas frequentes

Quem é Renan Santos, do Missão?

Renan Santos é presidente do partido Missão e pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. É uma das principais vozes da direita religiosa brasileira e adversário declarado do bolsonarismo “tradicional”, do qual se distanciou nos últimos anos.

O que é a Rockbridge Network?

É uma rede conservadora americana fundada em 2019 pelo atual vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e pelo empresário Chris Buskirk, sócio de Donald Trump Jr. Atua na articulação internacional de lideranças conservadoras e busca criar braços em diferentes países.

Flávio Bolsonaro recebeu dinheiro estrangeiro?

Até o momento, não há comprovação pública de qualquer repasse. A acusação foi feita por Renan Santos, que promete apresentar provas, mas ainda não o fez. A campanha de Flávio Bolsonaro e o PL não se manifestaram oficialmente até o fechamento desta matéria.

Doações estrangeiras são proibidas no Brasil?

Sim. A Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) proíbe, de forma categórica, doações diretas ou indiretas de pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras a candidatos, partidos e comitês. O descumprimento pode gerar desde multas até a cassação do registro ou diploma.

O que pode acontecer se a denúncia se confirmar?

Em caso de confirmação, os envolvidos podem responder por infração eleitoral, com possibilidade de cassação de mandato ou registro de candidatura, e até mesmo por crime eleitoral, com pena de reclusão. A apuração seria conduzida pela Justiça Eleitoral, com apoio do MPF e da Polícia Federal.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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