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Futuro Vivo debate como aliar tecnologia e sustentabilidade

Especialistas apontam caminhos para que a inovação impulsione a preservação ambiental sem frear o crescimento econômico.

Futuro Vivo debate como aliar tecnologia e sustentabilidade

O que é o Encontro Futuro Vivo e por que ele importa em 2024

O Encontro Futuro Vivo, realizado nesta terça-feira, 1º, no Teatro Vivo, em São Paulo, reuniu especialistas e lideranças reconhecidas em sustentabilidade, ecologia da mente e economia circular para discutir um dos dilemas mais urgentes do momento: como avançar tecnologicamente — com inteligência artificial, redes sociais e conectividade crescente — sem comprometer os limites do planeta. A abertura foi conduzida pelo CEO da Vivo Telefônica, Christian Gebara, que apresentou a visão da empresa sobre um futuro mais humano, consciente e regenerativo. Segundo o portal Terra.com.br, o evento integra uma série de iniciativas da operadora para posicionar a sustentabilidade no centro da estratégia corporativa.

Mais do que um evento corporativo, o encontro reflete uma mudança estrutural: empresas de grande porte no Brasil passaram a tratar pautas socioambientais como parte indissociável do negócio, e não mais como ações isoladas de marketing ou filantropia.

Christian Gebara abre o evento com a visão da Vivo

No discurso de abertura, Christian Gebara, presidente da Vivo Telefônica, lembrou que a companhia figura entre as líderes globais em sustentabilidade, com presença consistente no Dow Jones Sustainability Index (DJSI), um dos principais indicadores mundiais de desempenho ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês).

O executivo definiu o "Futuro Vivo" a partir de três eixos complementares:

  • Mais humano — com o reforço de políticas de diversidade e inclusão;
  • Mais consciente — tanto no uso dos recursos naturais quanto na relação com a tecnologia;
  • Mais sustentável — envolvendo metas de emissões, circularidade e, mais recentemente, projetos voltados à regeneração da biodiversidade.
"A Vivo reforça o seu compromisso para um Futuro Vivo. E a gente caracteriza esse Futuro Vivo como mais humano, a gente reforça as nossas políticas de diversidade e de inclusão, ele é muito mais consciente no uso dos recursos, mas também na nossa relação com a tecnologia, e ele é muito mais sustentável. E aqui a gente fala de emissões, fala de circularidade e também fala de um projeto recente do nosso papel em regenerar a biodiversidade", declarou Gebara, conforme registrado pelo Terra.com.br.

O tom do pronunciamento dialoga com a pressão crescente que investidores, reguladores e consumidores exercem sobre grandes corporações. No caso específico do setor de telecomunicações, o desafio é duplo: ao mesmo tempo em que a conectividade é apontada como habilitadora de soluções sustentáveis — do agritech à saúde remota —, a infraestrutura necessária para sustentá-la tem pegada ambiental relevante.

O dilema central: tecnologia versus natureza

Um dos pontos altos do encontro, segundo a cobertura do Terra.com.br, foi a tentativa de responder a uma pergunta que extrapola o setor de telecomunicações: como proteger a biodiversidade e os ecossistemas em meio à expansão acelerada da inteligência artificial, da computação em nuvem e da economia da atenção alimentada pelas redes sociais?

O tema não é trivial. Estudos e relatórios de organizações como a ONU Meio Ambiente (UNEP) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que a humanidade já ultrapassou seis dos nove limites planetários definidos pela ciência — entre eles, mudanças climáticas, perda de biodiversidade e alterações no uso do solo. Paralelamente, o treinamento de modelos de IA consome volumes crescentes de água e energia, e data centers estão entre os ativos industriais que mais crescem em demanda elétrica globalmente.

O que é "ecologia da mente" e por que entrou no debate

A presença da ecologia da mente entre os temas do Encontro Futuro Vivo merece destaque. O conceito, cunhado pelo antropólogo e biólogo inglês Gregory Bateson na década de 1970, propõe que a mente não está limitada ao cérebro humano, mas se estende aos sistemas sociais, ambientais e tecnológicos com os quais nos relacionamos. Em outras palavras, a forma como pensamos, produzimos e consumimos impacta diretamente a saúde dos ecossistemas — e vice-versa.

Trazer essa perspectiva para um evento corporativo sinaliza uma tentativa de conectar discurso institucional a uma base teórica mais robusta, evitando que a sustentabilidade seja reduzida a metas de neutralidade de carbono descoladas de mudanças culturais.

Os três pilares práticos da agenda de sustentabilidade da Vivo

O discurso de Gebara explicitou três frentes que vêm ganhando espaço na estratégia da operadora e que servem como exemplo do que grandes empresas brasileiras estão estruturando em 2024:

1. Emissões de gases de efeito estufa

O setor de telecomunicações responde por cerca de 2% a 4% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo estimativas de organismos como a GSMA (associação global das operadoras móveis). A eletrificação da rede, a migração para fontes renováveis e a eficiência energética de data centers estão entre as principais alavancas para reduzir essa pegada. A Vivo, como demais grandes operadoras, atua em metas compatíveis com a ciência climática.

2. Circularidade

A economia circular aplicada a eletrônicos envolve desde o design de equipamentos com maior vida útil até a logística reversa de aparelhos em desuso. No Brasil, o Sistema de Logística Reversa de Eletroeletrônicos foi consolidado pelo Decreto nº 10.240/2020, que obriga fabricantes e importadores a estruturar a coleta e o descarte correto de equipamentos. Iniciativas como a da Vivo de recuperar e reciclar modems, roteadores e celulares se inserem nesse contexto regulatório.

3. Regeneração da biodiversidade

Este é o pilar mais recente citado por Gebara. A noção de "regenerar" — e não apenas "compensar" — ganhou tração internacional principalmente após a divulgação, em 2019, do relatório "Acesso Perigoso" da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que apontou declínio acelerado de espécies e ecossistemas. Projetos voltados a recuperar áreas degradadas, polinizadores e matas nativas começaram a integrar metas corporativas em substituição à lógica tradicional de compensação por plantio.

Por que esse debate interessa ao consumidor brasileiro

Mesmo quem não acompanha indicadores como o DJSI ou relatórios ESG sofre os efeitos práticos das decisões tomadas por grandes operadoras. Algumas consequências concretas:

  • Tarifas e infraestrutura: redes mais modernas e energeticamente eficientes tendem a ser mais resilientes em cenários climáticos extremos, como apagões e enchentes;
  • Descarte de eletrônicos: políticas de logística reversa criam pontos de coleta gratuitos que evitam o descarte irregular em aterros;
  • Consumo de conteúdo digital: o modelo de uso de dados, vídeos em alta resolução e streaming tem impacto ambiental cumulativo que começa a ser discutido em fóruns internacionais;
  • Empregabilidade: a transição verde abre novas frentes profissionais em áreas como gestão ambiental, compliance ESG e economia circular.

O que esperar dos próximos passos

O Encontro Futuro Vivo se insere em um calendário mais amplo de discussões sobre desenvolvimento sustentável que devem marcar o segundo semestre no Brasil, com destaque para a COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas prevista para novembro de 2025 em Belém (PA). A aproximação de eventos como esse tende a intensificar o escrutínio público sobre as promessas feitas por grandes empresas — e a cobrar resultados verificáveis, não apenas discursos.

Para o leitor, vale acompanhar de perto a publicação dos relatórios de sustentabilidade corporativos, a evolução das metas de neutralidade climática e a execução dos projetos de regeneração anunciados. A tendência é que indicadores antes restritos a investidores ganhem cada vez mais espaço no noticiário geral.

Perguntas frequentes sobre o Encontro Futuro Vivo

O que é o Encontro Futuro Vivo?

É um evento promovido pela Vivo Telefônica que reúne especialistas em sustentabilidade, ecologia da mente e economia circular para discutir os caminhos do desenvolvimento sustentável diante do avanço tecnológico, como inteligência artificial e redes sociais.

Quem foi o responsável pela abertura do evento?

A abertura foi conduzida por Christian Gebara, CEO da Vivo Telefônica, que apresentou os três pilares da visão "Futuro Vivo": mais humano, mais consciente e mais sustentável.

O que é o Dow Jones Sustainability Index citado pela Vivo?

É um dos principais índices internacionais de avaliação de práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) em grandes corporações. Estar presente no índice indica que a empresa atende a critérios rigorosos de sustentabilidade reconhecidos globalmente.

Qual a relação entre inteligência artificial e sustentabilidade?

A IA é simultaneamente uma ferramenta para soluções ambientais — como otimização de redes elétricas e monitoramento de desmatamento — e uma fonte de pressão sobre recursos naturais, devido ao alto consumo de energia e água em data centers e no treinamento de modelos.

O que é "regeneração da biodiversidade"?

É o conjunto de ações que vão além de compensar danos ambientais: buscam recuperar ecossistemas degradados, restaurar habitats e reintroduzir espécies, em linha com metas internacionais discutidas em acordos como o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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