Especialistas em sustentabilidade, ecologia da mente e economia sustentável se reuniram no Teatro Vivo, em São Paulo, na terça-feira, dia 1º, para o Encontro Futuro Vivo, evento que propõe uma reflexão urgente: como lidar com o avanço da tecnologia — das redes sociais à inteligência artificial — enquanto o mundo tenta proteger a biodiversidade que ainda resta. A abertura ficou a cargo do CEO da Vivo Telefônica, Christian Gebara, que apresentou a visão de "Futuro Vivo" da empresa e os caminhos que a companhia pretende seguir em diversidade, circularidade e regeneração ambiental.
Segundo o portal Terra.com.br, que cobriu o encontro, o evento reúne especialistas e lideranças que são referência em desenvolvimento sustentável no Brasil e no mundo. A programação foi pensada para conectar dois campos que costumam ser tratados em separado: a revolução digital em curso e a crise ambiental que se intensifica a cada ano.
O Encontro Futuro Vivo e o debate sobre tecnologia e natureza
A pergunta que norteia o evento não é nova, mas ganhou contornos mais delicados com a popularização de ferramentas generativas de inteligência artificial e com a presença cada vez maior das redes sociais na formação de opinião e nos padrões de consumo. De um lado, a tecnologia promete ganhos de eficiência energética, monitoramento ambiental em tempo real e novos modelos de produção com menor pegada de carbono. De outro, cresce a preocupação com o consumo de energia de data centers, com a extração de minerais críticos para hardware e com os efeitos de plataformas digitais sobre comportamento e bem-estar coletivo.
O Encontro Futuro Vivo parte do pressuposto de que essas duas agendas — a digital e a ecológica — não podem mais ser pensadas em silos. A proposta é aproximar vozes da ecologia da mente, da economia sustentável e da gestão empresarial para discutir como a sociedade pode avançar em inovação sem aprofundar a degradação ambiental.
Christian Gebara abre o evento e apresenta a visão da Vivo
A abertura do evento foi conduzida por Christian Gebara, CEO da Vivo Telefônica, que aproveitou o palco para reforçar o posicionamento da empresa no campo da sustentabilidade. A Vivo figura entre as líderes de sustentabilidade do país e do mundo, com presença no índice Dow Jones de Sustentabilidade, referência global na avaliação de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) de grandes corporações.
Em sua fala, Gebara resumiu o que a empresa entende por "Futuro Vivo". "A Vivo reforça o seu compromisso para um Futuro Vivo. E a gente caracteriza esse Futuro Vivo como mais humano, a gente reforça as nossas políticas de diversidade e de inclusão, ele é muito mais consciente no uso dos recursos, mas também na nossa relação com a tecnologia, e ele é muito mais sustentável. E aqui a gente fala de emissões, fala de circularidade e também fala de um projeto recente do nosso papel em regenerar a biodiversidade", declarou o executivo, em trecho reproduzido pelo portal Terra.com.br.
O que significa "Futuro Vivo" segundo a Vivo?
A fala de Gebara articula quatro eixos que, segundo ele, devem caminhar juntos na estratégia da companhia:
- Mais humano: políticas de diversidade e inclusão tratadas como parte central da agenda corporativa.
- Consciente no uso de recursos: uso mais racional de matérias-primas, energia e água ao longo de toda a operação.
- Consciente na relação com a tecnologia: reflexão sobre como a empresa adota e oferece ferramentas digitais, em especial diante da expansão da inteligência artificial.
- Sustentável: metas de redução de emissões, iniciativas de economia circular e projetos voltados à regeneração da biodiversidade.
O último ponto chamou a atenção da plateia. A menção a um "projeto recente" de regeneração de biodiversidade sinaliza uma mudança de abordagem: em vez de apenas reduzir impactos, a empresa parece apostar em ações com saldo ambiental positivo — conceito conhecido no setor como "net positive". Ainda sem confirmação oficial detalhada sobre o escopo do projeto, a expectativa é de que mais informações sejam divulgadas nos próximos meses.
Vivo entre as líderes globais de sustentabilidade
A inclusão no índice Dow Jones de Sustentabilidade é um dos termômetros mais usados pelo mercado financeiro para avaliar o desempenho ESG de grandes empresas. O índice é elaborado pela S&P Global a partir de critérios como governança corporativa, gestão de riscos ambientais, políticas de direitos humanos, práticas com fornecedores e estratégia climática. Estar entre as líderes significa passar por uma análise rigorosa e ser comparada a concorrentes globais do mesmo setor.
No caso da Vivo Telefônica, a presença recorrente nesse tipo de ranking costuma ser usada pela companhia como argumento de que sustentabilidade faz parte da estratégia de negócio, e não apenas da comunicação institucional. Para o leitor brasileiro, isso tem um efeito prático: sinaliza que a operadora está sujeita a metas públicas e auditorias externas, o que dá mais transparência às suas iniciativas ambientais e sociais.
Por que esse debate importa para o Brasil?
O Brasil vive um paradoxo particularmente agudo nessa discussão. É um dos países mais ricos em biodiversidade do planeta, abrigando a maior parte da Amazônia e de outros biomas essenciais para o equilíbrio climático global, mas enfrenta pressões crescentes sobre seus recursos naturais — do desmatamento à expansão desordenada de atividades econômicas. Ao mesmo tempo, é uma das maiores economias digitais da América Latina, com milhões de pessoas conectadas a redes sociais e em processo acelerado de adoção de ferramentas de inteligência artificial.
Realizar o debate em São Paulo, maior centro financeiro e tecnológico do país, tem valor simbólico e estratégico. Encontros como o Futuro Vivo ajudam a aproximar dois públicos que costumam falar línguas diferentes: o setor empresarial, cada vez mais cobrado por investidores e consumidores a respeito de práticas ESG, e o campo ambiental, preocupado com os limites físicos do planeta.
Os desafios de conciliar IA, redes sociais e meio ambiente
Um dos pontos que costuma aparecer nesse tipo de debate é a conta ambiental da inteligência artificial. Treinar e operar modelos generativos consome quantidades significativas de eletricidade e água, principalmente em data centers de grande escala. Ao mesmo tempo, as redes sociais são associadas a padrões de hiperconsumo, pressão estética e estímulo à obsolescência programada de dispositivos eletrônicos — todos com impacto ambiental direto ou indireto.
Não há respostas simples. O que eventos como o Encontro Futuro Vivo procuram construir são pontes entre empresas, pesquisadores e sociedade civil para discutir trade-offs, estabelecer metas mensuráveis e evitar que a transição digital se sobreponha, em vez de colaborar, com a transição ecológica.
Perguntas frequentes
O que é o Encontro Futuro Vivo?
É um evento promovido pela Vivo Telefônica que reúne especialistas em sustentabilidade, ecologia da mente e economia para discutir como avançar em tecnologia sem comprometer a proteção da natureza. A cobertura do portal Terra.com.br destaca o encontro como referência em debates sobre desenvolvimento sustentável no Brasil.
Quem foi o palestrante de abertura?
A abertura ficou a cargo do CEO da Vivo Telefônica, Christian Gebara, que apresentou a visão de "Futuro Vivo" da empresa e falou sobre diversidade, circularidade e um projeto recente de regeneração de biodiversidade.
O que é o índice Dow Jones de Sustentabilidade?
É um índice global elaborado pela S&P Global que avalia o desempenho ESG (ambiental, social e de governança) de grandes empresas. Estar entre as líderes do índice indica que a companhia passou por critérios rigorosos de sustentabilidade corporativa.
Qual a relação entre inteligência artificial e meio ambiente?
O treinamento e a operação de modelos de IA consomem quantidades relevantes de energia e água em data centers. Por isso, parte do debate atual busca formas de tornar a infraestrutura digital mais eficiente e menos dependente de fontes poluentes.
Por que o Brasil é central nesse debate?
O país concentra uma das maiores biodiversidades do mundo e, ao mesmo tempo, uma das maiores populações conectadas a redes digitais da América Latina. Conciliar preservação ambiental com transformação digital é, portanto, um desafio estratégico para o país.
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