O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão deste ano deve contar com apenas quatro candidatos à Presidência da República, caso todas as candidaturas sejam confirmadas nas convenções partidárias. A propaganda no rádio e na TV começa em 28 de agosto e vai até 1º de outubro, período em que vão dividir o tempo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o escritor Augusto Cury (Avante), segundo reportagem do portal Abril.com.br.
Dois nomes com presença relevante nas pesquisas ficarão fora do principal palanque midiático da corrida: o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o estreante Renan Santos (Missão). A ausência é explicada pela chamada cláusula de barreira, mecanismo da legislação eleitoral que restringe o acesso ao horário gratuito aos partidos com representação mínima no Congresso.
O que é a cláusula de barreira e como ela define quem entra no horário eleitoral
A cláusula de barreira é uma regra da legislação eleitoral brasileira que estabelece critérios mínimos de desempenho para que uma legenda tenha acesso ao fundo partidário e ao horário gratuito de propaganda. No último pleito, os parâmetros foram obter ao menos 2% dos votos válidos em todo o país ou eleger onze deputados federais.
O Novo não atingiu nenhum dos dois critérios na última eleição, o que já o impediria de entrar na divisão do tempo. O Missão, por sua vez, foi criado apenas no final de 2025, segundo a reportagem do portal Abril.com.br, e nunca disputou eleições nacionais, o que também o deixa fora do rateio. O mesmo raciocínio se aplica a outras siglas pequenas que pretendem lançar candidatos próprios à Presidência.
Na prática, o eleitor verá na tela do rádio e da TV um cenário mais enxuto do que nas pesquisas, independentemente de quantos postulantes estejam formalmente registrados na corrida.
Quem são os quatro candidatos que devem aparecer no horário eleitoral gratuito
- Lula (PT): presidente da República, candidato à reeleição e líder nas pesquisas, com apoio declarado dos principais partidos de esquerda.
- Flávio Bolsonaro (PL): senador pelo Rio de Janeiro, principal nome da oposição de direita e herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Ronaldo Caiado (PSD): ex-governador de Goiás, uma das principais vozes do agronegócio no Centro-Oeste e representante de uma terceira via pela direita.
- Augusto Cury (Avante): escritor best-seller e estreante na disputa presidencial, com base eleitoral ancorada no público leitor de suas obras.
Por que Lula deve ficar com a maior fatia do tempo de TV
A divisão do horário gratuito no primeiro turno segue uma regra prevista em lei: 90% do tempo é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, e os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos que ultrapassaram a cláusula de barreira.
Como Lula terá o apoio formal de legendas como PSB, PDT, PCdoB, Rede/Psol e PV, a tendência é que o presidente fique com a maior parte do programa eleitoral. A aliança amplia não apenas o tempo bruto de exibição, mas também a capilaridade regional, com candidatos ao governo e ao Congresso nos estados onde esses partidos têm musculatura.
Segundo o portal Abril.com.br, a única alternativa capaz de reequilibrar essa distribuição seria uma costura de Flávio Bolsonaro com o Republicanos ou com a federação União-PP, hipótese descrita como "cada vez mais improvável". Fora do presidente, a tendência é que os demais candidatos caminhem apenas com o apoio dos próprios partidos.
Como deve ficar a divisão entre os demais candidatos
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgará a divisão oficial do tempo de propaganda até o dia 4 de agosto, depois de confirmadas as alianças e registrados os candidatos. Com base na representação atual das legendas no Congresso, a ordem prevista é:
- Flávio Bolsonaro (PL): segundo maior tempo disponível, sustentado pelo tamanho da bancada do PL na Câmara.
- Ronaldo Caiado (PSD): terceira fatia, apoiado na bancada do PSD e em aliados pontuais.
- Augusto Cury (Avante): menor tempo entre os quatro, basicamente restrito ao bloco do Avante.
Além do bloco diário de propaganda, cada candidato também terá direito a inserções de até um minuto distribuídas ao longo da programação das emissoras, espécie de spots veiculados em horários variados para alcançar públicos diferentes do horário nobre.
O que muda no segundo turno
Se nenhum dos quatro candidatos atingir maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, haverá segundo turno entre os dois mais votados. Nesse cenário, a lógica se inverte: o tempo no rádio e na TV é dividido igualmente entre os candidatos remanescentes, independentemente do tamanho das coligações ou das bancadas.
Isso significa que, em eventual segundo turno, um candidato apoiado por uma ampla coligação e outro que tenha caminhado sozinho durante toda a campanha chegarão à etapa final com o mesmo espaço na vitrine tradicional, nível de equilíbrio que não existe em nenhuma fase do primeiro turno.
Por que o horário gratuito ainda importa nas eleições de 2026
Embora as redes sociais tenham assumido protagonismo nas campanhas brasileiras, o horário gratuito no rádio e na TV segue relevante, em especial entre o eleitorado com mais de 50 anos, que concentra índices elevados de comparecimento às urnas e tende a formar opinião com base na televisão aberta.
Para boa parte desse público, a presença no horário eleitoral funciona como um atestado de viabilidade nacional: um candidato sem tempo de TV é, na percepção de muitos, um candidato sem densidade para chegar ao Palácio do Planalto. Para postulantes como Augusto Cury e Ronaldo Caiado, a disputa é justamente converter essa vitrine em votos dentro do universo restrito que ainda consome a propaganda da forma tradicional.
O que esperar para 2030: cláusula de barreira ainda mais dura
O cenário de concentração tende a se aprofundar no próximo ciclo. Segundo a reportagem do portal Abril.com.br, a cláusula de barreira ficará mais rígida, exigindo ao menos 2,5% dos votos válidos ou 13 deputados federais eleitos, o que pode significar um horário eleitoral ainda menos diverso no pleito de 2030.
Na prática, legendas que hoje conseguem alguma fatia do tempo — ou que estão próximas disso — podem ficar fora do jogo daqui a quatro anos, ampliando o número de candidaturas presidenciais sem qualquer visibilidade no rádio e na televisão. A tendência é de um sistema cada vez mais dominado por poucas siglas e por campanhas mais dependentes do financiamento privado e das plataformas digitais.
Perguntas frequentes sobre o horário eleitoral gratuito
Quando começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV?
A propaganda começa em 28 de agosto e vai até 1º de outubro, abrangendo todo o primeiro turno da eleição presidencial.
Por que Romeu Zema e Renan Santos ficam fora do horário eleitoral?
Porque os partidos deles não ultrapassaram a cláusula de barreira da última eleição: o Novo não atingiu 2% dos votos válidos nem elegeu onze deputados, e o Missão foi criado no final de 2025, sem base eleitoral anterior.
Quem terá mais tempo no horário eleitoral gratuito?
O presidente Lula deve ficar com a maior fatia, seguido por Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e, por último, Augusto Cury, nessa ordem com base no tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados.
O horário gratuito ainda influencia o resultado da eleição?
Sim, especialmente entre eleitores mais velhos e em regiões onde a televisão aberta segue como principal fonte de informação política. Para candidatos menores, é a principal chance de ganhar visibilidade nacional.
O que muda no segundo turno?
O tempo é dividido igualmente entre os dois candidatos que disputam a vaga, sem considerar o tamanho das coligações ou das bancadas partidárias.
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