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Operação em livraria de Hong Kong expõe avanço da censura

Agentes confiscam obras com conteúdo crítico ao governo de Pequim; episódio reacende debate sobre o futuro da liberdade de imprensa na região.

Operação em livraria de Hong Kong expõe avanço da censura

A Livraria Hunter, um estabelecimento independente no distrito de Sham Shui Po, em Hong Kong, foi alvo de uma operação policial no fim de junho de 2025, segundo reportagem do portal BBC News. O caso reacendeu o debate sobre o encolhimento do espaço para a livre circulação de ideias na região administrativa especial chinesa, em um contexto de crescente pressão sobre livrarias que vendem obras consideradas sensíveis pelas autoridades de Pequim. Consumidores regulares da loja, como a jovem Chen Zhu, de 23 anos, relatam sentir a diferença entre o ambiente de relativa abertura de Hong Kong e a realidade da China continental.

Quem é Chen Zhu e por que ela atravessa a fronteira todo mês?

Chen Zhu mora em Guangzhou, no sul da China continental, e viaja mensalmente para Hong Kong. Em cada visita, há um destino certo: a Livraria Hunter. Fundada há quatro anos por um ex-vereador, a casa se notabilizou por manter em seu catálogo títulos que dificilmente passariam pelo crivo da censura chinesa, como relatos de ativistas pró-democracia de Hong Kong, clássicos da literatura universal com leitura política — entre eles A Revolução dos Bichos, de George Orwell — e até obras de ficção japonesa, como a série de mangá Ataque dos Titãs, de Hajime Isayama, que circulam em edições com trechos suprimidos no continente.

A curta distância entre Guangzhou e o distrito de Sham Shui Po esconde, segundo Zhu, uma fronteira simbólica. "É uma passagem para um mundo diferente, mais livre, onde ela pode encontrar respostas para perguntas proibidas", descreve a reportagem da BBC. Quando soube da batida policial ao estabelecimento, a jovem disse ter ficado arrasada.

O que aconteceu com a Livraria Hunter?

De acordo com a BBC News, a Livraria Hunter foi alvo de uma operação policial no fim de junho. A reportagem não detalha, no trecho disponível, quais foram os desdobramentos imediatos, se houve detenções, apreensões específicas ou o motivo formal apresentado pelas autoridades. A falta de transparência sobre esse tipo de ação é, por si só, um indicador do momento vivido em Hong Kong, onde decisões sobre o que pode ou não ser lido deixaram de ser claramente comunicadas ao público.

Para o leitor brasileiro, é útil entender que essa não é uma ação isolada. Nos últimos anos, livrarias independentes em Hong Kong se tornaram um dos termômetros mais visíveis da redução de espaço para a livre expressão na cidade, antes conhecida como um dos bastiões da liberdade editorial na Ásia.

Por que Hong Kong viveu um boom de livrarias independentes?

Hong Kong viu um crescimento expressivo de livrarias independentes após os enormes protestos pró-democracia que sacudiram a cidade em 2019, ainda segundo a fonte da BBC. Naquele contexto, manifestações massivas reuniram milhões de pessoas contra um projeto de lei de extradição que permitiria o envio de suspeitos à China continental para julgamento.

O movimento de 2019 abriu um ciclo de reflexão social que se traduziu em três frentes diretamente ligadas ao mercado editorial:

  • Apetite por informação não filtrada: muitos hongkoneses passaram a buscar fontes fora do controle direto de Pequim.
  • Rede de apoio comunitário: livrarias pequenas se transformaram em pontos de encontro, debate e organização.
  • Procura por obras proibidas ou censuradas: títulos que tratam de autoritarismo, identidade local e movimentos sociais ganharam demanda inédita.

Foi nesse vácuo que estabelecimentos como a Hunter surgiram, ocupando um nicho entre o comércio e o ativismo cultural.

Por que o governo chinês está fechando esses espaços?

A resposta curta está na Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim a Hong Kong em junho de 2020, que criminalizou atos de separatismo, subversão, terrorismo e collusion com forças estrangeiras. A legislação, que prevê penas que podem chegar à prisão perpétua, é apontada por organizações de direitos humanos como a maior restrição às liberdades da cidade desde a devolução do território britânico à China, em 1997.

Na prática, a lei criou um efeito cascata sobre o setor editorial. Livrarias que mantinham obras de ativistas pró-democracia, memoirs sobre os protestos e obras de autores banidos no continente passaram a conviver com um dilema: manter o catálogo e arriscar sanções, ou se autocensurar para sobreviver. A reportagem da BBC indica que muitas vêm optando por fechar as portas.

É importante destacar que o fechamento de livrarias na China continental não é novidade. Em 2021, por exemplo, autoridades chinesas fecharam livrarias de redes como a PageOne e a Yanjiyou em cidades como Nanjing e Hangzhou após inspeções que resultaram em multas. A diferença é que Hong Kong, até 2019, contava com um regime próprio, baseado no modelo "um país, dois sistemas".

O que isso significa na prática para o leitor brasileiro?

Para quem está no Brasil, o caso pode parecer distante, mas envolve temas com os quais a sociedade brasileira tem relação direta:

  • Liberdade de imprensa: o fechamento de livrarias é uma das faces mais visíveis da censura, antes mesmo de afetar jornais e emissoras.
  • Direitos humanos: organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch têm monitorado o encolhimento de espaços civis em Hong Kong.
  • Defesa da democracia: casos como o da Hunter servem de alerta sobre o que pode ocorrer quando há concentração de poder sem freios institucionais.

Além disso, há um efeito cultural: títulos como A Revolução dos Bichos, citado pela BBC entre os vendidos na Hunter, são exatamente o tipo de obra que leitores brasileiros consomem em edições integrais. Saber que ela é objeto de perseguição em outro contexto ajuda a dimensionar o valor da liberdade de leitura como direito.

Como livrarias independentes têm reagido à pressão?

Segundo a BBC News, as livrarias independentes de Hong Kong "têm sido cada vez mais difíceis" de manter as portas abertas à medida que o controle da China sobre a cidade aumenta. As reações vão de três tipos:

  1. Fechamento definitivo:店主 que não veem saída jurídica encerram as atividades.
  2. Autocensura: retirada de títulos sensíveis do catálogo para evitar batidas.
  3. Adaptação ao线下e ao online: migração para modelos de venda por encomenda, clubes de leitura fechados e eventos em locais privados.

Esse terceiro caminho tem se mostrado o mais resiliente, embora restrinja o acesso de quem, como Chen Zhu, depende da loja física para encontrar obras indisponíveis na China continental.

O que se sabe até agora e o que ainda precisa de confirmação

Até a publicação da reportagem original da BBC, citada nesta matéria, as informações públicas sobre a operação na Livraria Hunter eram limitadas. Não havia, naquele momento, confirmação oficial detalhada sobre:

  • O número de pessoas detidas ou investigadas.
  • Quais títulos ou materiais foram apreendidos.
  • Se a loja foi temporariamente fechada, interditada ou apenas notificada.
  • O papel exato de Pequim na decisão, já que Hong Kong opera sob um sistema judicial próprio — embora subordinado à Lei de Segurança Nacional.

A falta de transparência é, por si, parte da notícia. Em regimes democráticos, operações desse tipo costumam vir acompanhadas de comunicação oficial com listas de itens apreendidos e fundamentação legal detalhada.

Perguntas frequentes

O que é a Livraria Hunter?

É uma livraria independente localizada no distrito de Sham Shui Po, em Hong Kong, fundada há quatro anos por um ex-vereador. Tornou-se conhecida por vender obras consideradas sensíveis pelas autoridades chinesas, como livros sobre ativismo pró-democracia e clássicos como A Revolução dos Bichos.

Por que a China está fechando livrarias independentes em Hong Kong?

A pressão está ligada ao aumento do controle de Pequim sobre a cidade após a Lei de Segurança Nacional de 2020. Livrarias que mantêm obras proibidas ou censuradas no continente se tornaram alvo preferencial de operações policiais e campanhas de fiscalização.

O que foi o boom de livrarias em Hong Kong?

Foi um crescimento de livrarias independentes após os protestos pró-democracia de 2019. O movimento social gerou uma onda de interesse por informação independente, debates políticos e literatura crítica, que foi parcialmente atendida por esses pequenos estabelecimentos.

Hong Kong ainda tem liberdade de imprensa?

De acordo com relatórios internacionais recentes, a liberdade de imprensa em Hong Kong caiu de forma expressiva desde 2020, com fechamento de veículos críticos, prisão de jornalistas e autocensura crescente, embora a cidade ainda conte com alguma imprensa independente.

O caso da Hunter tem relação com a Lei de Segurança Nacional?

Não há, até o momento, confirmação oficial pública de que a operação esteja diretamente vinculada à Lei de Segurança Nacional de 2020, mas o contexto de repressão editorial em Hong Kong é indissociável desse marco legal.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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