O Pentágono está em negociações avançadas para conceder um empréstimo de aproximadamente US$ 5 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 26,25 bilhões na cotação atual — à Fluidstack, empresa especializada em infraestrutura de computação em nuvem voltada para inteligência artificial. A informação foi divulgada com base em fontes ouvidas pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal e reproduzida pelo portal Olhardigital.com.br.
Se confirmado no valor discutido, o financiamento será o maior já concedido ou sequer considerado pelo Office of Strategic Capital (OSC), órgão do Departamento de Defesa dos Estados Unidos criado em 2022 para impulsionar indústrias estratégicas para a segurança nacional. A negociação, porém, ainda não está fechada e os termos — incluindo a taxa de juros — podem mudar até a publicação de um comunicado oficial.
O que está sendo negociado entre o Pentágono e a Fluidstack?
O empréstimo seria destinado ao fortalecimento da cadeia de suprimentos e da capacidade de fabricação de componentes usados em data centers nos Estados Unidos. Diferentemente do que o volume bilionário pode sugerir, o objetivo não é construir uma nova instalação de inteligência artificial diretamente, e sim garantir que peças e infraestrutura física cheguem mais rápido e em maior escala para sustentar o crescimento do setor.
O Departamento de Defesa dos EUA se limitou a confirmar a existência das conversas por meio de um porta-voz, que afirmou: "O Departamento não comenta transações que estejam pendentes ou em meio a negociações até que o comunicado à imprensa seja divulgado." A Fluidstack também está sendo assessorada pelo Erebor Bank, banco nacional recém-criado pelo empresário Palmer Luckey, fundador da empresa de defesa Anduril.
Quem é a Fluidstack e por que ela interessa ao Pentágono?
A Fluidstack é uma provedora de computação em nuvem focada em GPUs — os chips especializados que rodam modelos de inteligência artificial de grande porte. Fundada em 2018 e sediada no Reino Unido, a empresa ganhou projeção ao montar grandes clusters de processamento com chips da NVIDIA, atendendo laboratórios, startups e grandes corporações que precisam de capacidade computacional intensiva.
Entre seus clientes mais conhecidos estão projetos ligados a Elon Musk, como a xAI, desenvolvedora do modelo Grok. A empresa se posicionou nos últimos anos como uma alternativa "soberana" — com servidores próprios e controle direto sobre a infraestrutura — em um mercado dominado por gigantes como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud.
Esse perfil é exatamente o que chamou a atenção do Pentágono: em meio à corrida global por capacidade de IA, garantir que a infraestrutura esteja em solo norte-americano e sob controle de empresas aliadas virou questão de segurança nacional.
O que é o Office of Strategic Capital (OSC)?
O Office of Strategic Capital é um órgão vinculado ao Departamento de Defesa dos EUA criado em 2022, ainda durante o governo do ex-presidente Joe Biden. Sua missão é oferecer empréstimos — e não subsídios — a empresas cujas atividades tenham aplicações diretas ou indiretas na segurança nacional.
A lógica é simples: o dinheiro público entra como alavanca para mobilizar capital privado em áreas estratégicas, funcionando como uma espécie de "banco de desenvolvimento" da defesa norte-americana. Setores como semicondutores, energia avançada, biotecnologia e, mais recentemente, inteligência artificial estão no radar da pasta.
Até então, o OSC operava com volumes muito menores. O empréstimo à Fluidstack, se concretizado nos US$ 5 bilhões discutidos, será quase cem vezes maior do que as operações que vinha conduzindo — um salto que reflete a prioridade dada à IA pela atual administração.
Quem é Palmer Luckey e o que é o Erebor Bank?
O nome Erebor pode soar familiar para fãs de Tolkien: é a montanha onde fica a fortaleza dos anãos em "O Hobbit". A escolha não é à toa. Palmer Luckey, fundador do Erebor Bank, também é o criador da Anduril Industries, gigante de tecnologia de defesa conhecida por drones, sistemas autônomos e soluções de vigilância usadas pelas Forças Armadas dos EUA.
Luckey ficou famoso no Vale do Silício por ter sido um dos criadores do headset de realidade virtual Oculus, vendido à Meta (então Facebook) em 2014 por cerca de US$ 2 bilhões. Depois de deixar a empresa, ele fundou a Anduril em 2017 e se tornou uma das figuras mais influentes da nova geração de tecnologia de defesa.
O Erebor Bank foi criado com a proposta de atender empresas de tecnologia, defesa e setores estratégicos — clientes que bancos tradicionais muitas vezes tratam com desconfiança ou lentidão. Assessorar a Fluidstack num empréstimo bilionário do Pentágono é exatamente o tipo de operação para a qual o Erebor foi desenhado.
Qual é o contexto geopolítico por trás do negócio?
A negociação acontece em meio à corrida global por supremacia em inteligência artificial, na qual Estados Unidos e China disputam quem detém os modelos mais avançados e a maior capacidade computacional. Nos últimos meses, Washington vem usando uma série de ferramentas — restrições à exportação de chips, limitações a investimentos e agora financiamento direto — para garantir que a infraestrutura crítica de IA permaneça sob influência norte-americana.
Paralelamente, gigantes como OpenAI, Anthropic, xAI e Google anunciam aportes cada vez maiores em data centers, frequentemente em parceria com a própria Fluidstack. Garantir que essas estruturas e seus componentes sejam fabricados nos EUA é, na visão do Pentágono, uma forma de proteger a cadeia de valor de choques externos e de eventuais sanções.
Qual é o impacto dessa negociação para o Brasil?
Embora o negócio não envolva diretamente empresas brasileiras, ele tem efeitos indiretos relevantes. Primeiro, porque o avanço da infraestrutura de IA nos EUA tende a baratear e acelerar o acesso global a modelos e serviços de inteligência artificial, incluindo para usuários e empresas no Brasil.
Em segundo lugar, porque a disputa por chips e capacidade computacional costuma pressionar preços e prazos de entrega no mundo todo, o que pode encarecer projetos locais de IA que dependem de GPUs importadas.
Por fim, o movimento reforça uma tendência que o Brasil já discute: a criação de uma infraestrutura nacional de inteligência artificial, com data centers próprios e capacidade de treinamento de modelos em larga escala. Iniciativas como o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, em discussão no governo federal, ganham novo impulso a partir de movimentos como o do Pentágono.
Quais são os próximos passos da negociação?
Por ora, três cenários são possíveis. No primeiro, o negócio é concluído nos valores discutidos, com taxa de juros ainda a ser definida, e a Fluidstack recebe o financiamento para expandir sua cadeia de suprimentos. No segundo, o valor ou as condições são alterados antes da assinatura — cenário considerado provável dada a complexidade da operação. No terceiro, as conversas são interrompidas, possibilidade não descartada pelo Pentágono.
Um eventual comunicado oficial do Departamento de Defesa deve trazer detalhes sobre o uso dos recursos, o cronograma de desembolso e as obrigações da Fluidstack em contrapartida ao empréstimo.
Perguntas frequentes
O Pentágono vai construir data centers de IA?
Não diretamente. O empréstimo negociado com a Fluidstack tem como objetivo fortalecer a cadeia de suprimentos e a capacidade de fabricação de componentes para data centers nos EUA, e não erguer uma nova instalação de inteligência artificial sob gestão militar.
Quanto dinheiro está em jogo?
Estima-se US$ 5 bilhões, cerca de R$ 26,25 bilhões na conversão atual. O valor, no entanto, ainda não foi confirmado oficialmente e pode mudar até a conclusão das negociações.
O que é o Office of Strategic Capital?
É um órgão do Departamento de Defesa dos EUA criado em 2022, no governo Joe Biden, responsável por conceder empréstimos a empresas que atuam em áreas estratégicas para a segurança nacional.
Quem é Palmer Luckey?
Empresário norte-americano conhecido por ter fundado a Oculus VR (vendida à Meta) e a Anduril Industries, gigante de tecnologia de defesa. Ele também é o criador do Erebor Bank, que assessora a Fluidstack na negociação com o Pentágono.
Como esse negócio pode afetar o Brasil?
De forma indireta: ao expandir a infraestrutura de IA nos EUA, o acordo pode facilitar o acesso global a serviços e modelos de inteligência artificial, mas também pressionar preços de chips e capacidade computacional em outros países, incluindo o Brasil.
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