O Pix segue acelerando no Brasil e, em 2025, consolidou-se como o principal meio de pagamentos no ambiente digital. Segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) publicado nesta sexta-feira (26), o sistema registrou 30,1 bilhões de operações no ano, um crescimento de 20% em relação ao período anterior. O avanço ocorre junto a uma mudança mais ampla no comportamento do consumidor: 83% das transações bancárias já são feitas por canais digitais.
Os números ajudam a explicar por que o debate sobre pagamentos no país já não se limita a “mais um app” ou “mais uma forma de transferir”: trata-se de uma transformação do sistema financeiro, com impacto direto em custo, velocidade e hábitos cotidianos de milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, o mesmo estudo aponta que a digitalização também impulsiona investimentos em tecnologia e aumenta a demanda por profissionais de TI, além de elevar a prioridade em cibersegurança.
Pix lidera: por que o sistema continua ganhando espaço em 2025
De acordo com a FEBRABAN, o Pix aparece como motor central da digitalização dos pagamentos no Brasil. Em 2025, o volume de transações pelo Pix ficou quase três vezes maior do que o registrado no pagamento de contas, que somou 9,9 bilhões de operações no mesmo recorte.
Esse desempenho sugere que o Pix deixou de ser apenas opção para emergências ou transferências pontuais. Na prática, ele se tornou um “meio padrão” para quem movimenta dinheiro no dia a dia, seja entre pessoas, seja em rotinas associadas a serviços e compras pagas digitalmente.
O que mais cresceu (e o que perdeu tração)
O levantamento também indica uma reconfiguração do uso de outros instrumentos. Enquanto o Pix avança com força, alguns meios perdem espaço e outros crescem de forma mais gradual:
- Cartão de crédito: teve leve expansão, somando 2,14 bilhões de transações.
- Cartão de débito: cresceu de forma mais acentuada, atingindo 60 milhões de operações.
- Transferências tradicionais (TED): recuaram, totalizando 960 milhões de movimentações.
- Pagamento de contas: registrou 9,9 bilhões de operações.
Para o consumidor, a leitura mais útil é simples: os instrumentos mais rápidos, com maior facilidade de uso e integração com a rotina digital tendem a concentrar a preferência. Isso é coerente com a queda relativa das transferências tradicionais (como a TED) no período analisado.
Digital primeiro: 83% das transações bancárias já são online
Um dos pontos mais relevantes do estudo é a consolidação dos canais digitais como padrão no setor bancário. Segundo a FEBRABAN, 83% das transações bancárias já são realizadas por meio digital.
Esse percentual ajuda a entender por que o Pix funciona como “atalho” dentro de um sistema maior de digitalização. Não é apenas sobre um produto específico: é sobre a migração contínua de usuários para mobile, internet banking e aplicativos, com operações cada vez mais integradas e automatizadas.
O celular é o principal palco dessas mudanças
O relatório aponta que o uso de dispositivos móveis cresce de forma consistente. Em cinco anos, o volume de transações feitas pelo celular alcançou 187,5 bilhões de operações.
Em termos práticos, isso significa que o acesso às funcionalidades financeiras tende a ser cada vez mais “na palma da mão”, com menos dependência de canais presenciais. A tendência tende a impactar também como o consumidor paga e recebe: mais cadência, mais frequência e maior facilidade de concluir a operação sem deslocamento.
Chaves Pix: como a praticidade ampliou o uso
Outro fator destacado no levantamento é a diversidade de chaves Pix utilizadas para facilitar transferências. O Pix permite vincular a chaves associadas a CPF, CNPJ, telefone, e-mail ou a um código aleatório gerado pelo Banco Central.
Para o usuário, isso reduz atrito. Quem recebe dinheiro não precisa memorizar dados bancários extensos, e quem paga consegue direcionar recursos com mais rapidez — o que, somado à presença massiva de apps e smartphones, contribui para a escala do sistema.
Observação: a FEBRABAN cita a existência dessas modalidades de chave, mas o estudo mencionado não detalha, no trecho fornecido, a participação percentual de cada tipo de chave no volume total. Esses dados, se existirem, ainda dependeriam de publicação específica.
Pagamentos de contas e o efeito no dia a dia
O estudo também mostra que pagamentos de contas avançaram no período analisado, com 9,9 bilhões de operações. Embora a cifra não corresponda ao mesmo patamar do Pix, ela reforça uma dinâmica: o brasileiro tende a agrupar necessidades financeiras em plataformas digitais.
Esse movimento costuma gerar efeitos encadeados: ao concentrar pagamentos em meios online, aumenta a familiaridade com aplicativos, reduz-se a dependência de boletos e rotinas presenciais e cresce a expectativa por rapidez e disponibilidade.
Transformação digital nos bancos: IA, nuvem e cibersegurança
Com a expansão do Pix e a predominância das operações online, a digitalização dos serviços financeiros se intensifica. Segundo a FEBRABAN, instituições financeiras passaram a priorizar tecnologias como inteligência artificial e computação em nuvem.
Entre os temas levantados, a cibersegurança aparece como prioridade citada por todos os bancos pesquisados. Em um cenário de mais transações digitais e maior movimentação via celular, o risco também muda de perfil — e a proteção precisa evoluir na mesma velocidade.
Mas em que estágio estão os bancos com IA?
Apesar do avanço, o estudo indica que cerca de 60% das instituições ainda estão em estágios iniciais de adoção de inteligência artificial.
Isso ajuda a explicar por que a tendência não é “um salto imediato” para soluções plenamente automatizadas em todos os processos. Na prática, a adoção costuma ocorrer por etapas: testes controlados, integração com sistemas legados, treinamento de modelos e políticas de segurança e governança.
Investimento em tecnologia acelera: quanto os bancos devem aplicar
O levantamento aponta que os investimentos do setor em tecnologia também evoluíram de modo consistente, com crescimento de 58% em cinco anos. Para 2026, a projeção indicada é de R$ 50,1 bilhões em aportes, valor superior ao do ano anterior.
Além da modernização dos sistemas, o estudo associa o avanço a uma expectativa de aumento na demanda por profissionais de tecnologia da informação. Em um país onde a maior parte do movimento financeiro já ocorre no digital, a infraestrutura, a segurança e a automação se tornam áreas estratégicas.
O que muda para quem usa serviços financeiros
Com base nos dados apresentados pela FEBRABAN, a tendência para o consumidor brasileiro pode ser resumida em três pontos:
- Mais operações digitais e mais frequência de uso: com 83% das transações já feitas online, serviços devem ser desenhados para rapidez e continuidade.
- Consolidação do Pix como meio principal: ao superar outros instrumentos com margem ampla, o Pix tende a permanecer no centro das rotinas de pagamento e transferência.
- Maior atenção à segurança: com prioridade em cibersegurança por todos os bancos pesquisados, é esperado que ferramentas de proteção e prevenção de fraudes sigam avançando.
Em paralelo, vale observar que a digitalização costuma trazer vantagens — mas também aumenta a necessidade de cuidado do usuário com senhas, autenticação e golpes. A ênfase em cibersegurança, citada pela FEBRABAN, reforça a relevância desse tema no dia a dia.
Perguntas frequentes
O que a FEBRABAN informou sobre o Pix em 2025?
Segundo a FEBRABAN, o Pix atingiu 30,1 bilhões de operações em 2025, com 20% de crescimento em relação ao ano anterior.
Quantas transações bancárias já são feitas por canais digitais?
De acordo com o levantamento, 83% das transações bancárias já são realizadas por canais digitais.
O pagamento de contas cresceu junto com o Pix?
Sim. O estudo aponta 9,9 bilhões de operações de pagamento de contas no período analisado, com crescimento expressivo na comparação anual indicada pela fonte.
TED está perdendo espaço?
Segundo a FEBRABAN, as transferências tradicionais via TED recuaram, totalizando 960 milhões de movimentações.
Que tipo de tecnologia os bancos estão priorizando?
O levantamento cita cibersegurança como prioridade unânime entre os bancos pesquisados e também destaca adesão a computação em nuvem e inteligência artificial; ainda assim, cerca de 60% das instituições estão em estágios iniciais de adoção de IA.
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