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Quatro pesquisas vão medir efeito do caso Moraes-Vorcaro

Levantamentos pretendem dimensionar perdas de imagem e força política após conflito entre ministro do STF e banqueiro.

Quatro pesquisas vão medir efeito do caso Moraes-Vorcaro

Quatro dos maiores institutos de pesquisa do país estão preparando uma sequência inédita de levantamentos sobre a disputa presidencial de 2026. Em apenas cinco dias úteis da próxima semana, Quaest, Nexus, AtlasIntel e Datafolha vão divulgar novos números sobre a corrida ao Palácio do Planalto, em meio ao escândalo que envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A expectativa, segundo o portal Abril.com.br, é medir se o caso terá — ou não — algum efeito nas intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os dois nomes que polarizam o cenário pré-eleitoral.

Por que essas pesquisas importam mais do que o habitual

Divulgar quatro pesquisas presidenciais em uma única semana já seria, por si só, um evento raro no calendário político brasileiro. Mas o contexto torna o pacote ainda mais relevante: as entrevistas e os levantamentos acontecem justamente nas primeiras semanas após a eclosão de um escândalo nacional com ramificações no STF e no sistema financeiro. Para analistas ouvidos em diferentes espaços de debate, é justamente nesse intervalo — entre o "fogo do momento" e a sedimentação da notícia na memória do eleitor — que se observa se um caso político gera efeito real sobre a intenção de voto ou se esvazia sem deixar marcas.

Como nenhuma sondagem nacional de larga escala havia sido divulgada após a deflagração do caso Moraes-Vorcaro, estes quatro levantamentos serão a primeira fotografia estatística do eleitorado após o escândalo. Por isso, mais do que números sobre cenários de primeiro ou segundo turno, as pesquisas vão funcionar como um termômetro do "estado de espírito" do eleitor brasileiro.

Entenda quem está no centro da disputa

Lula (PT): presidente da República em busca da reeleição, lidera as pesquisas desde o início do ciclo 2026 e tenta traduzir a popularidade em viabilidade eleitoral, especialmente fora da bolha progressista.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ): senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, emergiu como o principal nome da direita após a inelegibilidade do pai e desponta como o adversário mais competitivo nas simulações de segundo turno.

Alexandre de Moraes: ministro do STF, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e relator de inquéritos sensíveis, como o que apura os atos de 8 de janeiro de 2023. Sua presença institucional no centro do escândalo dá à crise uma dimensão que extrapola a política partidária.

Daniel Vorcaro: controlador do Banco Master, instituição financeira que ganhou projeção no mercado de crédito nos últimos anos e que se viu no centro de uma crise reputacional após as revelações envolvendo o ministro do STF.

Calendário das pesquisas: o que sai a cada dia

Quase todos os dias úteis da próxima semana terão uma sondagem presidencial diferente sendo divulgada. A sequência, organizada pelo portal Abril.com.br, segue esta ordem:

  • Segunda-feira (7): a Quaest abre a semana, com levantamentos que devem ser divulgados em primeira mão pelo grupo Globo.
  • Terça-feira (8): a Nexus apresenta seu próprio estudo. As entrevistas começaram a ser feitas nesta sexta-feira (4), o que dá ao instituto a vantagem de captar o humor do eleitor já em pleno fim de semana do escândalo.
  • Quarta-feira (9): até o momento, não há divulgação de pesquisa presidencial agendada — uma pausa natural em meio à sequência.
  • Quinta-feira (10): a AtlasIntel, instituto brasileiro com forte presença no mercado de rastreamento de opinião pública, publica um novo recorte de momento da disputa.
  • Sexta-feira (11): a Datafolha, pesquisa mais tradicional da mídia brasileira e referência histórica para séries eleitorais, fecha a semana com novos números.

Como cada instituto costuma trabalhar

Os quatro institutos têm métodos e portes diferentes, e isso ajuda a entender por que as conclusões podem variar, mesmo partindo do mesmo cenário.

Quaest

Criada em Belo Horizonte e hoje com forte presença nacional, a Quaest se consolidou como referência em levantamentos para grandes veículos de comunicação, com amostras que costumam variar entre 2 mil e 4 mil entrevistas por rodada. O instituto ganhou projeção durante a pandemia e passou a produzir pesquisas regulares para o grupo Globo. Costuma divulgar cenários de primeiro turno, segundo turno e indicadores de avaliação de governo.

Nexus

Mais recente no circuito das grandes pesquisas, a Nexus cresceu ao combinar amostras amplas com recortes regionais detalhados. É frequentemente contratada por portais e veículos alternativos e vem ampliando o espaço nas principais redações.

AtlasIntel

Fundada em 2015, a AtlasIntel é uma das casas que mais cresceram no mercado brasileiro. Trabalha majoritariamente com entrevistas realizadas por painéis online, o que permite levantamentos mais ágeis em comparação com institutos que utilizam coleta presencial por telefone.

Datafolha

O mais tradicional dos quatro e o que carrega a série histórica mais longa do país, o Datafolha é mantido pelo Grupo Folha. Suas pesquisas costumam ter peso especial em momentos de crise, porque são frequentemente usadas por partidos, mercados financeiros e pela imprensa internacional como referência da "temperatura" da opinião pública.

O que se espera medir nesses levantamentos

A pergunta central que esses quatro levantamentos vão tentar responder é se o escândalo Moraes-Vorcaro altera, ainda que marginalmente, a intenção de voto no presidente Lula e no senador Flávio Bolsonaro. Mas há outras leituras possíveis que as próprias pesquisas costumam trazer embutidas:

  • Aprovação e rejeição do governo Lula, principalmente em um cenário em que o escândalo envolve o STF e não diretamente o Palácio do Planalto.
  • Avaliação do STF como instituição, item que pode indicar se a percepção sobre a Corte sofreu oscilação.
  • Cenários de segundo turno, já que mudanças marginais em qualquer um dos lados costumam se refletir de forma mais clara em disputas hipotéticas.
  • Capilaridade regional, especialmente no Sudeste e no Nordeste, regiões historicamente decisivas em pleitos presidenciais.

O peso político de uma semana de pesquisas

Para os partidos, uma semana com quatro levantamentos nacionais funciona como uma espécie de "leilão de narrativas": cada cabeça de pesquisa vira argumento para aliados e adversário, mesmo que os intervalos de margem de erro tornem pequenas variações estatisticamente irrelevantes. Nos bastidores, estrategistas de campanha costumam tratar a primeira leitura pós-escândalo como o ponto de partida de uma nova curva, e não como um veredito.

Na prática, o efeito mais visível costuma aparecer na intenção de voto estimulada e em cenários de segundo turno. Como Lula e Flávio Bolsonaro já vinham polarizando as simulações, qualquer oscilação acima de dois pontos para um lado ou para o outro tende a ser imediatamente incorporada ao debate público — independentemente de o instituto tê-la classificado como "tendência" ou não.

Perguntas frequentes

1. Quais pesquisas presidenciais serão divulgadas na próxima semana?
Estão previstas divulgações da Quaest (segunda, 7), da Nexus (terça, 8), da AtlasIntel (quinta, 10) e da Datafolha (sexta, 11). A quarta-feira (9) não tem levantamento presidencial agendado até o momento.

2. Por que essas pesquisas são consideradas as primeiras após o escândalo Moraes-Vorcaro?
Porque, segundo o portal Abril.com.br, esta é a primeira leva de levantamentos nacionais de larga escala divulgados desde a eclosão do caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

3. Quem são os principais candidatos medidos nesses levantamentos?
O foco recai sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que polarizam as simulações para 2026.

4. As pesquisas podem mudar o cenário eleitoral de 2026?
Uma única rodada raramente redefine um cenário, mas a primeira leitura pós-escândalo costuma influenciar a estratégia de campanha, o discurso dos partidos e a cobertura da imprensa nas semanas seguintes.

5. Como o leitor pode acompanhar as divulgações sem se perder em números?
A recomendação é comparar metodologia, amostra e data de coleta de campo de cada instituto, evitar tirar conclusões com base em um único ponto percentual e prestar atenção em indicadores como aprovação de governo e avaliação do STF, que costumam ser mais estáveis do que a intenção de voto estimulada.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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