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Renan Santos convida Marcos Lisboa para ser seu ministro

Reconhecido por defender mudanças estruturais na educação e no mercado de trabalho, o ex-presidente do Ipea responde nos próximos dias se aceita o convite.

Renan Santos convida Marcos Lisboa para ser seu ministro

O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão-SP) afirmou nesta quinta-feira (27) que convidou o economista Marcos Lisboa para integrar o seu ministério caso vença a disputa em outubro. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela rádio CBN em parceria com os jornais Valor Econômico e O Globo. Segundo o portal Abril.com.br, o candidato também citou o nome da economista Elena Landau como parte do grupo de quadros técnicos que pretende convocar para a equipe.

"Convidei o Marcos Lisboa para ser meu ministro. Gostaria de contar com pessoas desse nível: Marcos Lisboa, uma Elena Landau", declarou o presidenciável, reforçando a intenção de montar uma equipe econômica com nomes de peso no mercado financeiro e na gestão pública.

Quem é Marcos Lisboa, o economista convidado

Marcos Lisboa é considerado um dos economistas mais respeitados do país, com uma trajetória que alterna entre a iniciativa privada e o poder público. Sua passagem mais marcante no setor bancário ocorreu no Itaú Unibanco, onde atuou como diretor-executivo entre 2006 e 2009. Depois, assumiu a vice-presidência financeira da instituição, cargo em que permaneceu até 2013.

Ao deixar o banco, Lisboa migrou para a academia e para a gestão educacional. Tornou-se vice-presidente do Insper, uma das mais importantes escolas de economia e administração do Brasil, e dois anos depois assumiu a presidência da instituição, onde se consolidou como referência na formação de executivos e no debate sobre políticas públicas.

Defensor de ideias liberais para a economia — como Estado enxuto, abertura comercial e responsabilidade fiscal —, Lisboa costuma aparecer em artigos, palestras e debates defendendo reformas estruturais e ajustes na máquina pública.

A passagem pelo governo Lula que surpreende

Embora tenha se consolidado no setor privado, o economista teve uma participação relevante no início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre 2003 e 2005, Lisboa ocupou o cargo de secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, período em que a pasta era comandada por Antonio Palocci.

Essa biografia reforça um ponto curioso destacado pelo próprio candidato: Renan Santos, ligado a uma agenda econômica liberal, anunciou um nome com currículo tanto em bancos privados quanto em governos identificados com o campo oposto. A escolha é vista por analistas como uma tentativa de sinalizar competência técnica acima de alinhamento ideológico, um recurso comum em campanhas que buscam dialogar com o mercado financeiro.

É justamente nessa passagem pelo governo que se consolidou parte importante da credibilidade técnica de Lisboa. Participaram da equipe econômica, naquele momento, nomes como o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, atualmente filiado ao PSD e também pré-candidato ao Planalto em 2026.

Elena Landau e o histórico no BNDES

Além de Marcos Lisboa, Renan Santos mencionou a economista Elena Landau como peça desejada para o eventual governo. Landau foi diretora de desestatização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre 1993 e 1996, em um dos períodos mais intensos de privatizações da história recente do Brasil.

Durante sua gestão no banco de fomento, ela coordenou processos de desestatização de setores estratégicos, como:

  • Siderurgia — incluindo a venda da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Usiminas;
  • Energia elétrica — com a desestatização de distribuidoras e geradoras estatais;
  • Petroquímica — com reorganização do setor via privatização de empresas como a Petroquímica União;
  • Início do processo de desestatização da Vale do Rio Doce, concluído em 1997.

Landau é uma defensora histórica do enxugamento do Estado e da presença mais forte do capital privado em setores de infraestrutura. Sua inclusão na lista de nomes cogitados reforça o sinal liberal que Renan Santos tenta projetar.

O que a escolha significa na corrida eleitoral

Em uma campanha polarizada, a apresentação de nomes técnicos reconhecidos pelo mercado funciona como um ativo estratégico. Tanto Marcos Lisboa quanto Elena Landau carregam currículos com trânsito entre grandes empresas, órgãos públicos e instituições de ensino, o que costuma conferir legitimidade econômica a um candidato de partido pequeno.

Para o eleitorado mais atento à pasta da Fazenda, a estratégia responde a uma pergunta frequente: quem cuidaria da economia em um eventual governo Renan Santos? A resposta, ao menos em tese, seria nomes com vivência comprovada em instituições respeitadas.

Por outro lado, a coligação governista tende a explorar o histórico de Lisboa na equipe de Lula como contraponto, alegando coerência com agendas defendidas pelo próprio adversário.

Próximos passos e o que ficar de olho

Ainda não há confirmação oficial sobre a composição definitiva de um eventual ministério. Alguns pontos de atenção para os próximos dias incluem:

  1. Resposta de Marcos Lisboa ao convite — até o momento, o economista não se manifestou publicamente sobre a proposta;
  2. Reação do mercado financeiro — a nomeação de nomes como Lisboa costuma mexer com expectativas em relação a juros, câmbio e risco-país;
  3. Avaliação da sabatina como um todo — a entrevista promovida por CBN, Valor Econômico e O Globo trouxe outros temas, e a íntegra pode revelar mais detalhes sobre o programa econômico;
  4. Tempo de propaganda e alianças — partidos menores costumam negociar ministérios em troca de apoio no horário eleitoral, o que pode alterar a lista final de nomes.

A corrida presidencial de outubro promete ser mais um capítulo da disputa entre visões antagônicas sobre o papel do Estado na economia. A estratégia de antecipar nomes fortes é uma tentativa de Marísica política para ganhar credibilidade antes do horário eleitoral gratuito.

Perguntas frequentes

Quem é Marcos Lisboa?
Economista brasileiro com passagens pelo Itaú Unibanco (2006 a 2013), pelo Insper — onde foi presidente — e pelo Ministério da Fazenda, como secretário de Política Econômica entre 2003 e 2005.

Marcos Lisboa foi ministro no governo Lula?
Não exatamente como ministro. Ele exerceu o cargo de secretário de Política Econômica, uma das funções mais técnicas e relevantes da Fazenda, durante o primeiro mandato do presidente Lula.

O que é a Missão, partido de Renan Santos?
A sigla "Missão" é a identificação partidária de Renan Santos no estado de São Paulo (Missão-SP). O partido tem presença pequena no cenário nacional e aposta em nomes técnicos para ganhar visibilidade na corrida presidencial.

Quem é Elena Landau?
Economista conhecida por ter dirigido a área de desestatização do BNDES entre 1993 e 1996, conduzindo privatizações em siderurgia, energia elétrica, petroquímica e iniciando o processo de venda da Vale.

Quando acontece a próxima sabatina com candidatos?
A agenda de sabatinas organizada por CBN, Valor Econômico e O Globo é divulgada periodicamente pelas três empresas, com transmissão em rádio, jornal impresso e portais digitais.

Fonte: portal Abril.com.br — apuração e cobertura complementada pela redação do GCBS NEWS.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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