Ataques russos contra a Ucrânia na madrugada desta segunda-feira, 11, deixaram ao menos nove mortos e dezenas de feridos, segundo autoridades de Kiev. O presidente Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de ter retomado o uso de mísseis balísticos norte-coreanos na ofensiva, alegando que Moscou recebeu recentemente novos projéteis e soldados da Coreia do Norte. A denúncia foi feita nesta terça-feira, 12, após a destruição de alvos civis e industriais em diferentes regiões do país. As informações são do portal Abril.com.br.
O que aconteceu em Zaporizhzhia?
A cidade de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, foi alvo de um bombardeio intenso durante a madrugada. Segundo Zelensky, o ataque combinou três tipos de armamento: mísseis balísticos de origem norte-coreana, mísseis hipersônicos russos do modelo Zircon e bombas aéreas guiadas (conhecidas pela sigla KAB).
O saldo mais atualizado pelas autoridades locais é de pelo menos seis mortos e 19 feridos. O comandante da administração militar regional, Ivan Fedorov, afirmou que as forças russas miraram "instalações e infraestruturas industriais" e compartilhou imagens de veículos destruídos pelo fogo.
Antes da guerra, Zaporizhzhia tinha população superior a 700 mil habitantes. A cidade segue sob controle ucraniano, embora a região abrigue a maior usina nuclear da Europa, ocupada por tropas russas desde 2022 — fator que amplia a preocupação internacional diante de qualquer escalada de violência na área.
Qual foi a situação na região de Dnipropetrovsk?
No leste do país, o Exército russo lançou uma combinação de drones e artilharia contra cinco distritos da região de Dnipropetrovsk. O ataque matou três pessoas, incluindo um adolescente de 15 anos, conforme informou o chefe da administração militar local, Oleksandr Ganja.
O uso simultâneo de drones de ataque e bombardeios de artilharia é uma tática cada vez mais comum da Rússia no conflito, permitindo saturar a defesa antiaérea ucraniana e causar danos em múltiplos pontos ao mesmo tempo.
Quais armas foram usadas no ataque?
Zelensky detalhou em sua conta no X (ex-Twitter) o arsenal empregado contra Zaporizhzhia. O pacote inclui três categorias de armamento de alto poder destrutivo:
- Mísseis balísticos norte-coreanos: projéteis de curto alcance, similares aos modelos KN-23 ou KN-24, fornecidos por Pyongyang. São difíceis de interceptar por voarem em trajetória baixa e a velocidades superiores a Mach 6.
- Mísseis Zircon (Tsirkon): arma hipersônica russa em operação desde 2023, capaz de alcançar velocidades entre Mach 8 e Mach 9, projetada para穿透 defesas antimísseis tradicionais.
- Bombas aéreas guiadas (KAB): bombas convencionais dotadas de kits de correção e asas de planejamento, lançadas de aeronaves a dezenas de quilômetros de distância, o que protege as plataformas russas.
A combinação desses três vetores indica uma estratégia russa de sobrecarregar os sistemas de defesa antiaérea da Ucrânia, cada um deles exigindo contramedidas distintas.
Por que a Rússia está usando mísseis norte-coreanos?
O próprio Zelensky apontou a razão: a Rússia recebeu novos lotes de projéteis e soldados da Coreia do Norte. O líder ucraniano descreveu o ataque como "brutal, projetado para infligir o maior dano possível".
A cooperação militar entre Moscou e Pyongyang se aprofundou de forma expressiva ao longo de 2024. O ponto alto foi a visita do presidente Vladimir Putin à Coreia do Norte, em junho daquele ano, quando foi firmado o Tratado de Parceria Estratégica Abrangente entre os dois países. O acordo prevê, entre outros pontos, assistência mútua em caso de agressão externa — um条款 que reacendeu o debate sobre o fim da arquitetura de não proliferação global.
Desde então, inteligência dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Coreia do Sul já havia documentado o envio de milhares de contêineres com munição, mísseis balísticos e até soldados norte-coreanos para a Rússia, alguns deles utilizados em operações na região de Kursk.
Qual é o impacto para o conflito e para a comunidade internacional?
O uso declarado de armamentos norte-coreanos em território ucraniano levanta uma série de implicações geopolíticas. Primeiro, viola resoluções do Conselho de Segurança da ONU que proíbem a transferência de armas da Coreia do Norte. Segundo, dá a Pyongyang experiência de campo em sistemas balísticos — informação valiosa para seus próprios programas. Terceiro, alimenta a narrativa russa de que conta com aliados dispostos a apoiá-la apesar das sanções ocidentais.
Para a Ucrânia, o desafio é logístico e operacional. Embora a defesa antiaérea Patriot e os sistemas IRIS-T fornecidos pelo Ocidente tenham obtido êxitos importantes, a variedade de ameaças exige munição cara e difícil de repor. Zelensky tem reclamado publicamente da lentidão na entrega de mísseis interceptores e cobrado maior compromisso dos parceiros europeus e norte-americanos.
Analistas ouvidos por veículos internacionais avaliam que a escalada dos ataques pode forçar uma nova rodada de sanções contra Pyongyang e endurecer o debate sobre o envio de armamentos de maior alcance à Ucrânia.
Qual é o impacto para o Brasil?
Apesar da distância geográfica, o conflito tem efeitos diretos sobre o Brasil. O país é um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo, e a guerra na Ucrânia segue influenciando os preços globais de trigo, milho, fertilizantes e óleo de diesel. Qualquer nova escalada que prolongue a instabilidade no Mar Negro tende a manter a pressão sobre o custo de alimentos e energia.
No campo diplomático, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a postura de não enviar armas a nenhum dos lados e defende uma solução negociada, posição alinhada ao grupo conhecido como "Amigos da Paz". O Itamaraty condenou publicamente a anexação russa de territórios ucranianos em 2022 e em 2024, mas tem evitado romper o diálogo com Moscou.
Para a comunidade brasileira de origem ucraniana, estimada em cerca de 600 mil pessoas, episódios como o desta semana reacendem a mobilização por ajuda humanitária e por maior visibilidade da causa ucraniana no debate público nacional.
Quais são os próximos passos esperados?
Nas próximas horas, Kiev deve divulgar um balanço atualizado de vítimas e danos materiais, além de buscar, por meio de parceiros internacionais, a identificação técnica dos resíduos dos mísseis norte-coreanos. Esse tipo de perícia é essencial para confirmar a origem do armamento — Ucrânia, Coreia do Sul e Estados Unidos já realizaram análises similares em ataques anteriores.
Em paralelo, espera-se nova rodada de reuniões na ONU e na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) sobre as violações do regime de sanções contra Pyongyang. A comunidade internacional também monitora a possibilidade de a Coreia do Sul ampliar o envio de armas à Ucrânia, retaliação direta ao apoio norte-coreano à Rússia.
Perguntas frequentes
A Rússia realmente está usando mísseis norte-coreanos na Ucrânia?
Sim. Zelensky e autoridades ucranianas afirmam, com base em análises de fragmentos recolhidos em locais de ataque, que projéteis de origem norte-coreana têm sido empregados desde pelo menos o início de 2024. A denúncia desta semana é mais um episódio dessa cooperação militar.
Quantas pessoas morreram nos ataques desta semana?
O saldo divulgado pelas autoridades de Kiev, segundo o portal Abril.com.br, é de ao menos nove mortos: seis em Zaporizhzhia e três na região de Dnipropetrovsk, incluindo um adolescente de 15 anos. Há ainda dezenas de feridos e os números podem ser atualizados nas próximas horas.
O que são os mísseis Zircon?
Trata-se de mísseis de cruzeiro hipersônicos russos, capazes de atingir velocidades acima de Mach 8. Operacionais desde 2023, são projetados para escapar de sistemas de defesa antimísseis tradicionais e são considerados uma das armas estratégicas mais sofisticadas do arsenal de Moscou.
Qual é a relação militar entre Rússia e Coreia do Norte?
A parceria se aprofundou em 2024, com o Tratado de Parceria Estratégica Abrangente assinado em junho durante a visita de Putin a Pyongyang. O acordo prevê cooperação militar, transferência de tecnologia e cláusula de assistência mútua em caso de agressão. A Coreia do Norte tem fornecido mísseis, munição e soldados à Rússia.
Qual é a posição do Brasil sobre o conflito?
O Brasil não envia armas a nenhuma das partes, defende solução diplomática e condenou as anexações territoriais russas. O país integra o grupo "Amigos da Paz", que busca mediação para o fim das hostilidades, e mantém diálogo tanto com Kiev quanto com Moscou.
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