Como está a corrida pelo governo de São Paulo em 2026?
A disputa pelo Palácio dos Bandeirantes nas eleições de 2026 já tem os dois principais nomes confirmados em convenções partidárias: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), líder da oposição no estado. Oficializados em julho e agosto, os dois pré-candidatos protagonizam uma reedição indireta da polarização nacional, agora projetada sobre a maior economia do país.
Além da dupla, ao menos três partidos de esquerda já confirmaram nomes próprios para a corrida: PSTU, PCB e Unidade Popular. Outros dois postulantes que apareciam nas pesquisas — Kim Kataguiri e Paulo Serra — recuaram e estão fora do jogo, segundo o portal Terra.com.br.
Quem é Tarcísio de Freitas e o que ele leva para a disputa?
Ex-ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas venceu as eleições paulistas de 2022 ainda no primeiro turno e assumiu o governo com a proposta de aplicar uma agenda liberal na gestão estadual. Foi oficializado candidato à reeleição pelo Republicanos em 1º de agosto, em convenção partidária.
Na chapa, o governador terá como vice o prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, filiado ao MDB. A escolha de Ramuth buscou ampliar a aliança para além do bolsonarismo tradicional, mirando o eleitorado do interior e da região metropolitana, onde o MDB mantém bases históricas.
O que está em jogo na campanha à reeleição?
Tarcísio chega ao pleito tentando transformar o cargo em vitrine para uma eventual candidatura à Presidência em 2030, movimento que aliados já admitem nos bastidores. Internamente, precisa administrar a expectativa do bolsonarismo radical — que vê o governador como herdeiro natural de Bolsonaro — e a de setores do mercado financeiro, que enxergam em sua gestão uma ponte para fora da polarização.
O que se sabe sobre a candidatura de Fernando Haddad?
O Partido dos Trabalhadores confirmou Fernando Haddad como pré-candidato ao governo paulista em 25 de julho, em convenção que também selou a coligação com o PSB. Haddad é um dos nomes mais conhecidos da política nacional: foi prefeito de São Paulo entre 2013 e 2017, ministro da Educação no primeiro governo Dilma Rousseff e ministro da Fazenda no início do terceiro mandato de Lula, função da qual se licenciou para se dedicar à disputa estadual.
O vice na chapa será o ex-governador Márcio França, que comandou o estado de forma interina entre 2018 e 2019, quando João Doria se afastou para disputar a Presidência. A dobradinha PT-PSB tenta repetir, no plano estadual, a aliança que sustenta Lula no plano federal.
Quais são os desafios da campanha de Haddad?
Haddad nunca venceu uma disputa para o Executivo estadual. Em 2018, quando substituiu Lula na corrida presidencial após a prisão do ex-presidente, ficou em segundo lugar na primeira fase do pleito nacional. Em São Paulo, o PT não vence uma disputa para o governo desde 2010, quando Geraldo Alckmin (então no PSDB) triunfou sobre Aloizio Mercadante. Quebrar essa sequência é o principal objetivo do partido para 2026.
Quem é Vera Lúcia, candidata do PSTU?
Vera Lúcia foi oficializada candidata pelo PSTU e traz uma das trajetórias mais peculiares da esquerda brasileira. Filiada historicamente ao PT, ela foi expulsa do partido em 1992 por defender o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello — posição que a colocava em rota de colisão com a cúpula petista da época.
Desde então, construiu carreira como sindicalista e candidata de partidos de esquerda fora do espectro majoritário. Disputou a Presidência da República em 2018 e 2022 e tentou a Prefeitura de São Paulo em 2020, sempre com votações percentualmente pequenas, mas com inserção regular no debate público.
Quais outros candidatos aparecem na corrida?
Além dos dois nomes favoritos e de Vera Lúcia, outras duas candidaturas já estão confirmadas para 2026, ainda que com menor expressão nas pesquisas:
- Carlos Machado (PCB): o Partido Comunista Brasileiro lança chapa própria, mantendo a tradição de candidaturas de esquerda que recusam alianças com o PT.
- Vivian Mendes (Unidade Popular): a legenda de origem trotskista também terá candidato próprio, reforçando o campo à esquerda do PT.
Esses três nomes (PSTU, PCB e Unidade Popular) costumam ter pouca capacidade de interferência no resultado final, mas servem como termômetro da fragmentação da esquerda e costumam marcar posição em debates e no horário eleitoral gratuito.
Quem desistiu da disputa?
Dois nomes que chegaram a aparecer nas pesquisas de intenção de voto anunciaram a retirada da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, conforme levantamento do Terra.com.br:
- Kim Kataguiri (Missão): o ex-deputado federal conhecido pelo papel na fundação do MBL estava construindo uma candidatura pelo partido Missão, criado após sua saída do União Brasil.
- Paulo Serra (PSDB): prefeito de Santo André, desistiu da corrida que poderia representar a tentativa de retomada do PSDB em sua principal praça eleitoral.
Por que a eleição paulista importa para o Brasil?
São Paulo reúne cerca de 22% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e mais de 46 milhões de habitantes, o que transforma o resultado em São Paulo em termômetro para a corrida presidencial de 2026. Historicamente, o vencedor em São Paulo teve papel decisivo na definição de alianças nacionais — foi o caso de Mário Covas em 1994, Geraldo Alckmin em 2002 e 2006, e mais recentemente Tarcísio em 2022.
Para 2026, três cenários centrais estão em disputa:
- Vitória fácil de Tarcísio: consolidaria o governador como candidato natural da centro-direita à Presidência em 2030.
- Vitória de Haddad: fortaleceria o projeto de Lula de manter o PT influente no maior colégio eleitoral do país e abriria espaço para uma possível candidatura presidencial do próprio Haddad no futuro.
- Segundo turno competitivo: independentemente do vencedor, a disputa em São Paulo costuma funcionar como espelho do debate nacional e influencia diretamente o resultado da corrida presidencial.
Quais são os próximos passos do calendário eleitoral?
A legislação brasileira define que as convenções partidárias para escolha de candidatos devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto do ano da eleição. Em São Paulo, Tarcísio (Republicanos) e Haddad (PT) se anteciparam nesse prazo, o que lhes garante mais tempo de televisão no horário eleitoral gratuito, proporcional à bancada eleita em 2022.
Os próximos marcos incluem o registro formal das candidaturas na Justiça Eleitoral, previsto para a primeira quinzena de setembro, e o início da propaganda no rádio e na televisão, marcado pela legislação para o final de agosto. O primeiro turno das eleições gerais está marcado para o primeiro domingo de outubro de 2026.
Perguntas frequentes sobre a eleição ao governo de São Paulo em 2026
Quantos candidatos devem disputar o governo de São Paulo em 2026?
Ainda sem definição final, mas ao menos cinco candidaturas já estão confirmadas: Tarcísio de Freitas (Republicanos), Fernando Haddad (PT), Vera Lúcia (PSTU), Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (Unidade Popular). Outros partidos menores ainda podem registrar nomes até o prazo legal.
Tarcísio de Freitas pode se candidatar à Presidência em 2030?
Não há impedimento legal, e aliados já admitem publicamente o projeto. No entanto, o próprio governador evitou falar abertamente sobre o assunto e tem se concentrado no discurso de "entregar resultados em São Paulo".
Fernando Haddad já disputou o governo de São Paulo antes?
Não. Haddad foi prefeito de São Paulo (2013-2017), mas nunca concorreu ao governo estadual. Sua única experiência em disputa majoritária nacional foi a corrida presidencial de 2018, quando foi candidato do PT após a prisão de Lula.
Quem são os vices nas duas principais chapas?
Na chapa de Tarcísio de Freitas, o vice é Felício Ramuth, do MDB e atual prefeito de São José dos Campos. Na chapa de Haddad, o vice é Márcio França, do PSB e ex-governador do estado entre 2018 e 2019.
Quando acontece o primeiro turno da eleição em São Paulo?
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está previsto para o primeiro domingo de outubro, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se nenhum candidato ao governo paulista alcançar mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno no último domingo do mês.
Reportagem elaborada com base em informações publicadas pelo portal Terra.com.br sobre as convenções partidárias que oficializaram as candidaturas ao governo paulista em 2026. Cenário pode ser atualizado até o registro das chapas na Justiça Eleitoral.
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