O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) cancelou, neste sábado (22), sua participação no primeiro debate entre postulantes ao Palácio do Planalto na corrida eleitoral de 2026. O encontro estava marcado para este domingo, 23, às 20h, e seria promovido pelo Grupo Bandeirantes e pelo jornal O Estado de S. Paulo, com parceria de TV Cultura, Gazeta e Jovem Pan. Segundo o portal Terra.com.br, a desistência esvazia ainda mais a disputa no palco principal, uma vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) já haviam sinalizado que não devem comparecer.
Quais candidatos seguem confirmados no debate?
Mesmo com as baixas de última hora, três nomes mantiveram presença confirmada no confronto televisionado: o psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante), o pastor e deputado federal Renan Santos (Missão) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). A expectativa inicial era de que o debate reunisse ao menos os principais concorrentes ao cargo, mas a sequência de ausências levanta dúvidas sobre o formato do evento e sobre a estratégia das campanhas nas próximas semanas.
O que motivou o cancelamento de Zema?
Em comunicado divulgado à imprensa, a equipe do candidato do Novo explicou que a mudança de data do debate — transferido de 16 de agosto para 23 de agosto — havia sido aceita sob a premissa de que o presidente Lula participaria do encontro. "Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial", afirma a nota oficial.
Na prática, a campanha de Zema avaliou que participar de um debate sem os dois nomes mais competitivos do cenário atual reduziria o alcance político do confronto e o tempo de exposição do candidato. A decisão também reflete uma estratégia de evitar cenários em que presidenciáveis com menor densidade eleitoral disputem visibilidade com adversários de partidos nanicos.
Por que Lula também não deve ir?
A justificativa para a ausência do presidente está diretamente ligada ao desenho dos convites. A campanha de Lula demonstrou descontentamento com o fato de o evento ter convocado Romeu Zema e Renan Santos, candidatos de partidos que não atingem o número mínimo de parlamentares no Congresso Nacional exigido pela legislação eleitoral para tornar a presença em debates obrigatória.
Na prática, a lei brasileira determina que candidatos de legendas sem representação mínima podem ser convidados pelos organizadores, mas não são compelidos a aceitar. Essa brecha tem sido usada por candidatos menores como vitrine, mas também é apontada por adversários como distorção do processo — daí a pressão para que grandes partidos aceitem participar apenas quando há regras claras de filtragem.
O impacto da desistência no calendário eleitoral
A desistência de Zema ocorre em um momento sensível do calendário. O primeiro debate entre presidenciáveis é sempre visto como termômetro da campanha e como oportunidade de consolidar narrativas para o eleitor que ainda não decidiu o voto. Sem três dos nomes mais expressivos da disputa, o encontro deste domingo tende a se concentrar em troca de propostas entre Cury, Caiado e Santos, com impacto reduzido na corrida nacional.
A movimentação abre espaço para que o debate promovido pelo Terra e outros dez veículos, marcado para 14 de setembro às 22h, dentro do projeto "Momento da Decisão", assuma maior relevância no calendário. Esse segundo confronto foi desenhado como um espaço mais amplo de discussão e tende a concentrar maior pressão pela presença de Lula, Flávio Bolsonaro e Zema.
Como funcionam as regras de debate no Brasil?
Desde a reforma eleitoral de 2017, os debates em emissoras de rádio e televisão são regulados por regras mais detalhadas. A legislação estabelece que candidatos de partidos com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional têm a prerrogativa — não a obrigação — de participar de debates em emissoras que queiram realizá-los. Candidatos de legendas menores podem ser convidados, mas a recusa não gera qualquer sanção legal.
Para as emissoras e veículos organizadores, o desafio é equilibrar o direito à informação do eleitor com a necessidade de preservar a audiência e o nível técnico do debate. Quanto mais candidatos nanicos participam, maior o risco de fragmentação do tempo de fala e de perda de interesse do público. Por outro lado, quanto maior o filtro, maior a crítica de exclusão e de elitização do processo democrático.
O que está em jogo para os partidos menores?
Para nomes como Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado, a ausência dos principais concorrentes abre uma janela rara de tempo de televisão e de holofotes. Cada minuto de fala em um debate presidencial pode equivaler, em impacto, a semanas de campanha nas redes sociais. Por isso, parte das estratégias dessas campanhas tem sido justamente garantir presença em debates mesmo quando os favoritos não comparecem.
No caso de Caiado, governador com alta aprovação em Goiás e uma das peças mais experientes do PSD, o confronto deste domingo pode servir como vitrine nacional para tentar projetar o nome além do Centro-Oeste. Para Cury e Santos, o debate funciona como oportunidade de inserir pautas específicas — como saúde mental e temas religiosos — no centro da conversa pública.
Próximos passos e o que esperar
A expectativa é que as equipes de Zema, Lula e Flávio Bolsonaro se posicionem nas próximas horas sobre o debate de 14 de setembro, que será promovido pelo Terra e mais dez veículos. A tendência é de que esse segundo encontro concentre as principais disputas de imagem da corrida presidencial e force a presença dos candidatos mais competitivos, sob risco de desgaste maior por ausência.
A movimentação também acende um alerta para os organizadores do debate deste domingo: a transmissão, mesmo sem os principais nomes, tende a ser avaliada pelo eleitor em termos de utilidade e relevância. Veículos de comunicação e analistas políticos já passaram a questionar publicamente se debates com candidatos nanicos isolados cumprem a função de informar a sociedade ou apenas preenchem a grade da programação.
Perguntas frequentes
Quando é o próximo debate presidencial com presença confirmada?
O próximo grande debate está marcado para 14 de setembro, às 22h, no chamado "Momento da Decisão", promovido pelo Terra e outros dez veículos de comunicação.
Quais candidatos confirmaram presença no debate deste domingo?
Até o momento, estão confirmados Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Lula, Flávio Bolsonaro e Zema não devem participar.
Por que Zema cancelou a participação no debate?
A campanha do candidato do Novo alegou que a mudança de data só fazia sentido se o presidente Lula estivesse presente. Com a ausência confirmada do petista, a nova data perdeu o propósito inicial.
A lei obriga candidato a participar de debate?
Não de forma automática. Apenas candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso têm preferência de participação; os demais podem ser convidados, mas não são obrigados a aceitar.
Qual o impacto da ausência dos principais candidatos?
O debate perde alcance nacional e peso eleitoral, mas abre espaço para que candidatos menores tenham mais tempo de exposição e protagonismo na discussão de pautas específicas.
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