Um relatório divulgado pela consultoria internacional Oxford Economics indica que a América Latina, que há décadas mantém um ritmo de crescimento mais lento e hoje é formada em grande parte por países de renda média, pode começar a ser ultrapassada por um conjunto de países asiáticos já na próxima década. Segundo o estudo, mesmo que alguns países da região ainda tenham aumentado sua renda e consumo, a distância para emergentes da Ásia tende a diminuir mais rápido — e, em alguns casos, virar.
A análise compara o desempenho ao longo de janelas de dez anos encerradas em 2026 e 2036, usando médias de consumo per capita anual convertidas para dólares. Em outras palavras: não se trata apenas de “quanto cada país produz”, mas de como o consumo das famílias evolui — um fator que costuma influenciar diretamente a percepção de qualidade de vida.
Por que países asiáticos podem superar a América Latina?
O ponto central do relatório é a diferença de velocidade entre as duas regiões. Enquanto a América Latina deve continuar melhorando indicadores de renda — com queda dos estratos mais pobres e aumento da classe média — esse avanço tende a ocorrer mais lentamente do que em grande parte dos pares emergentes.
Segundo o portal Abril.com.br, com base no estudo, as economias latinas têm tendência a crescer de forma mais contida, enquanto vários países asiáticos sustentam taxas mais altas de expansão. O resultado é uma aproximação (e, em certos casos, ultrapassagem) do poder de compra medido pelo consumo per capita.
O que o relatório considera na comparação?
De acordo com o material divulgado, a comparação leva em conta média por década do consumo per capita anual de cada país, calculada a partir de períodos de dez anos encerrados em 2026 e 2036. Isso significa que os números de consumo médios podem ser diferentes dos valores de renda per capita anuais observados em cada economia.
Além disso, o resultado final é afetado por dois elementos: crescimento e variações cambiais em relação ao dólar. Ou seja, mesmo quando as economias evoluem internamente, a conversão para dólares pode alterar a leitura do ritmo relativo.
O que deve acontecer com o Brasil na próxima década?
Para o Brasil, o relatório indica avanços, mas em compasso mais lento diante da aceleração asiática. Conforme descrito pelo Abril.com.br, a média do consumo anual per capita do Brasil deve subir dos atuais cerca de US$ 6 mil para pouco mais de US$ 7 mil ao longo da janela seguinte, considerando as métricas da Oxford Economics.
Isso sugere uma trajetória de melhora do padrão de consumo — especialmente associada à reorganização do perfil de renda, com redução das faixas mais baixas e ampliação da classe média. Ao mesmo tempo, o estudo sinaliza que a distância para regiões mais dinâmicas pode continuar grande.
A renda sobe, mas a corrida pode ser mais rápida na Ásia
O relatório citado afirma que a renda das famílias deve continuar crescendo na América Latina na próxima década, com baixas rendas diminuindo e rendas médias aumentando. A ressalva é o ritmo: a consultoria projeta que o crescimento na América Latina ficará para trás em comparação à maioria dos emergentes — e a diferença em relação a nações mais ricas, como os Estados Unidos, deve persistir.
Para o leitor brasileiro, a implicação prática é observar que a melhora do consumo não significa necessariamente “ganhar” em comparação com outros mercados emergentes. Em alguns setores e segmentos, a demanda pode continuar crescendo no Brasil, mas a liderança de crescimento pode ser deslocada para economias asiáticas.
Quais países asiáticos podem ultrapassar países latino-americanos?
Segundo as projeções descritas no texto, a China e a Turquia são citadas como dois dos principais casos de troca de posições com países latinos no período de 2027 a 2036. A lógica é que, embora tenham consumido menos na década encerrada em 2026, acumulam mais consumo até 2036.
O avanço de poder de compra é ilustrado com números aproximados apresentados no material:
- China: consumo médio anual per capita deve subir de perto de US$ 4 mil (década de 2017 a 2026) para perto de US$ 8 mil (média dos próximos dez anos);
- Brasil: média anual deve subir de cerca de US$ 6 mil para pouco acima de US$ 7 mil no mesmo tipo de comparação.
O relatório também aponta que a Malásia já ultrapassou o Brasil na última década e, até o fim da década seguinte, pode se aproximar de patamares observados por Chile e Argentina. Além disso, há países que crescem muito e podem se aproximar de níveis latinos, ainda que partam de patamares menores.
Turquia, Indonésia e o “salto” do consumo
Além do caso da Turquia e da China, o material citado menciona taxas de crescimento do consumo per capita convertidas em dólares. No recorte apresentado, os aumentos são mais fortes na Ásia:
- Turquia: projeção de crescimento de 40% até 2036;
- Indonésia: projeção de crescimento de 46% até 2036;
- China: projeção de crescimento de 70% até 2036.
O contraponto aparece ao comparar com o conjunto de seis economias latino-americanas (Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, México e Peru), cuja taxa projetada para crescimento do consumo per capita é de cerca de 15% até 2036.
Se a Ásia cresce mais, isso significa “piora” na América Latina?
Não necessariamente. Um ponto importante — que ajuda a interpretar o noticiário sem alarmismo — é que o relatório descreve melhorias na renda e na distribuição na América Latina, ainda que elas ocorram em ritmo mais lento.
Na leitura do estudo, o “ganho relativo” de consumo por parte de países asiáticos acontece porque a região de destino tem dinâmica de crescimento mais acelerada e, em alguns casos, parte de níveis mais baixos e consegue dobrar ou multiplicar o poder de compra em menos tempo.
Países que podem “dobrar” consumo, mas partem de baixo
O material citado também menciona casos como Vietnã, Bangladesh e Índia. A projeção indicada é que esses países dobrem sua renda e consumo na próxima década, mas ainda assim consumiriam menos de US$ 2 mil ao ano na década anterior, de acordo com os números apresentados na matéria.
Em termos de mercado, isso sugere que a Ásia pode ampliar rapidamente o tamanho da base de consumidores — embora nem todos atinjam, no curto prazo, patamares próximos ao do Brasil e de outras economias latinas.
Como essa mudança pode afetar o dia a dia no Brasil?
Para o cidadão, a cobertura desse tipo de projeção costuma parecer distante. Mas ela pode ter reflexos concretos em vários canais:
- Concorrência por investimentos: quando outras regiões crescem mais rápido, atraem mais capital, cadeias produtivas e expansão de capacidade.
- Comércio e cadeias globais: aumento de consumo em economias asiáticas pode mudar o fluxo de bens, insumos e demanda por produtos.
- Preços e oferta: ajustes em produção e exportações podem repercutir em preços relativos (mesmo que indiretamente e com defasagens).
- Oportunidades para empresas: a ampliação do consumo na Ásia também pode abrir espaço para produtos e serviços brasileiros — desde que haja competitividade.
Em outras palavras: não é apenas uma “queda” da América Latina, mas uma reordenação do ranking de poder de compra entre regiões emergentes. Isso tende a influenciar desde decisões empresariais até políticas públicas focadas em produtividade e distribuição de renda.
O que observar nos próximos anos?
Como o relatório projeta a evolução até 2036, os sinais iniciais devem aparecer antes. Para entender se a trajetória se confirma, é útil acompanhar indicadores que influenciam consumo e renda das famílias. Entre os mais relevantes:
- Dinâmica do crescimento econômico e estabilidade macroeconômica;
- Evolução do mercado de trabalho e renda real;
- Capacidade de reduzir pobreza e ampliar a classe média;
- Câmbio e impacto na conversão de consumo em dólares (quando for comparar internacionalmente);
- Produtividade e investimentos, que sustentam expansão de longo prazo.
O leitor que busca “o que isso muda agora” pode traduzir a mensagem do estudo assim: o Brasil deve seguir melhorando renda e consumo, mas parte do crescimento de poder de compra global pode se concentrar mais rapidamente em economias asiáticas.
Perguntas frequentes
O relatório diz que o Brasil vai piorar?
Não. O estudo indica que a renda e o consumo das famílias devem continuar crescendo na América Latina. A diferença está no ritmo em relação a muitos emergentes asiáticos.
O que significa “ultrapassar” na projeção?
No texto, “ultrapassar” é uma comparação de consumo per capita médio em janelas de dez anos (com conversão para dólares), mostrando quando um país passa a ter maior poder de compra do que outro.
Por que a comparação pode divergir de renda per capita anual?
Porque o relatório usa médias por década de consumo e não necessariamente os mesmos pontos de “renda per capita anual” de cada economia. Há também influência de câmbio na conversão para dólares.
Quais países aparecem como destaque para trocar de lugar?
Segundo a matéria, China e Turquia são apontadas como principais casos de troca de posições com países latinos no período de 2027 a 2036.
Esse cenário afeta apenas a economia ou também negócios?
Afeta os dois. Mudanças no poder de compra influenciam fluxo de comércio, atratividade de investimentos e estratégia de empresas que atendem mercados consumidores.
Fonte: Segundo o portal Abril.com.br, o conteúdo se baseia em relatório divulgado pela consultoria internacional Oxford Economics.
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