Economia

Amil: Seripieri recusa oferta de R$ 17 bi de Bain e Advent

Empresário quer garantir o melhor negócio para a operadora de saúde e negocia com novos interessados no mercado.

Amil: Seripieri recusa oferta de R$ 17 bi de Bain e Advent

O empresário José Seripieri Júnior desistiu da venda da Amil aos fundos de private equity Bain Capital e Advent, encerrando uma negociação que se arrastava há pelo menos seis meses e que chegou a envolver oferta de cerca de R$ 17 bilhões por 100% da operadora de planos de saúde. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (10) por meio de comunicado interno enviado aos funcionários, assinado pelo Conselho de Administração da companhia, ao qual o portal InfoMoney e o Estadão/Broadcast tiveram acesso.

No documento, a Amil afirma ter mantido conversas com fundos de investimento — sem citar nomes — e que estas conversas "estão encerradas". A empresa também reforça que segue aberta a propostas futuras de investimentos minoritários, o que indica que a porta não foi totalmente fechada para entrada de capital, desde que o controle permaneça com o atual dono.

O que motivou o encerramento das negociações?

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o impasse estava ligado diretamente ao modelo de governança desejado por cada lado. Seripieri defendia sua permanência no comando da Amil e a manutenção do formato atual de gestão da operadora, adquirida em 2022 da norte-americana UnitedHealth Group. O objetivo inicial, inclusive, era se desfazer de apenas cerca de 30% do capital — não da totalidade da empresa.

Já Bain Capital e Advent tinham um plano diferente: pretendiam colocar Irlau Machado à frente da Amil, em um movimento que buscava replicar o modelo aplicado na NotreDame Intermédica, que posteriormente foi fundida com a Hapvida, formando a maior operadora do país em número de beneficiários. A estratégia dos fundos incluía, ainda, uma possível listagem da Amil na B3, a bolsa de valores brasileira, em um horizonte de médio prazo.

Por que a operação dependia do Tesouro Nacional?

A estrutura financeira da negociação ainda exigia um aval formal do Tesouro Nacional, que atuaria como fiador da operação. Esse tipo de garantia é incomum em transações privadas do setor e costuma estar associado a operações de maior vulto, com impacto sistêmico — o que ajuda a explicar por que o interesse dos fundos gerou tanta repercussão no mercado.

A entrada do Tesouro como garantidor indica que a Amil é vista como uma empresa de relevância estratégica para o segmento de saúde suplementar brasileiro, especialmente em um cenário de consolidação acelerada nas últimas temporadas.

Quem é José Seripieri Júnior e como ele chegou à Amil?

Conhecido no mercado como um dos maiores gestores de planos de saúde do país, Seripieri construiu sua trajetória à frente do grupo Qualicorp, focada na comercialização de planos coletivos por adesão. Em 2022, ele liderou a aquisição da Amil junto à UnitedHealth Group, dona da operadora desde 2012, em uma operação avaliada na época em cerca de R$ 11 bilhões.

Desde então, ele vinha conduzindo um processo de reestruturação interna da empresa, com foco em regionalização da assistência, ajustes em contratos com prestadores e revisão de produtos. A manutenção desse modelo era justamente o que ele queria preservar na negociação com os fundos.

Quem são Bain Capital e Advent e o que buscavam na Amil?

Bain Capital e Advent International são duas das maiores gestoras de private equity do mundo, com histórico consolidado de investimentos em saúde na América Latina. A Bain, em especial, está envolvida na composição acionária da Hapvida, enquanto a Advent também já aportou em negócios do setor.

A proposta de cerca de R$ 17 bilhões pela Amil representava um prêmio relevante sobre o valor de mercado típico de operadoras listadas, mas exigia controle total da companhia. Os fundos entendiam que apenas com domínio acionário poderiam executar o redesenho operacional inspirado no caso NotreDame Intermédica, marcado por forte integração vertical, expansão de rede própria e ganhos de escala.

Foi justamente esse desenho que Seripieri recusou, optando por manter a Amil sob sua gestão e abrir caminho apenas para uma entrada minoritária de capital — formato que continua disponível, segundo o comunicado interno.

Qual o impacto da decisão para o mercado de saúde suplementar?

O encerramento da negociação ocorre em um momento sensível para o setor. Nos últimos anos, o segmento passou por intensa consolidação, com destaque para a fusão entre Hapvida e NotreDame Intermédica, a combinação entre SulAmérica e Rede D'Or, e a reorganização societária de outras grandes operadoras. A Amil, uma das marcas mais tradicionais do país, sempre foi vista como peça-chave em qualquer novo movimento de fusão ou aquisição.

Com a desistência da venda total, o cenário mais provável passa a ser:

  • Busca por sócio minoritário: entrada de um fundo com participação limitada, sem alteração de controle;
  • Manutenção do status quo: Seripieri segue tocando a operação com eventual reforço de capital próprio ou de parceiros financeiros menores;
  • Listagem em bolsa: alternativa que segue no radar, mas exige amadurecimento operacional e janela favorável de mercado.

O que muda para os beneficiários da Amil?

No curto prazo, a rotina de clientes e prestadores não deve ser alterada. A operadora seguirá sob o mesmo comando, com a mesma direção executiva e o mesmo modelo assistencial. A principal diferença é que, sem a troca de controle, eventuais planos de reestruturação profunda — que costumam acompanhar mudanças societárias — ficam suspensos.

A empresa, vale lembrar, está sob regulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que limita alterações abruptas de rede, produtos e atendimento, independentemente de quem esteja no comando acionário.

Quais são os próximos passos esperados?

O comunicado interno já sinaliza que conversas com potenciais investidores continuam possíveis, desde que não envolvam transferência de controle. Isso abre espaço para que, nos próximos meses, novos fundos ou investidores estratégicos apresentem propostas focadas em participação minoritária.

Há ainda a expectativa de desfecho sobre a garantia do Tesouro Nacional, que pode ou não ser encaminhada formalmente, dependendo do destino final da operação. Caso o governo avalie que a negociação não avançará, o tema tende a ser arquivado sem maiores desdobramentos.

Perguntas frequentes sobre o caso Amil

A Amil foi vendida?

Não. A venda total da Amil foi descartada por José Seripieri Júnior, que desistiu das conversas com os fundos Bain Capital e Advent após não chegar a um acordo sobre o modelo de gestão da companhia.

Quanto os fundos ofereceram pela Amil?

Bain Capital e Advent chegaram a oferecer aproximadamente R$ 17 bilhões por 100% da operadora, valor que foi recusado pelo controlador.

Por que Seripieri não quis vender a Amil?

O empresário defende a manutenção do controle e do modelo de gestão implementado desde a compra da operadora junto à UnitedHealth Group, em 2022. Os fundos, por outro lado, queriam trocar o comando e redesenhar a operação.

A Amil pode fazer IPO na B3?

Sim, essa é uma das alternativas que segue no radar do mercado, embora dependa de amadurecimento operacional, aprovação societária e condições favoráveis do mercado de capitais.

Quem é Irlau Machado, cogitado para comandar a Amil?

Irlau Machado é um executivo com histórico no setor de saúde suplementar e esteve à frente de planos ligados à Bain Capital. Era o nome preferido pelos fundos para assumir a Amil caso a compra fosse concluída.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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