Aprovação de Trump despenca a 32-34% três meses antes das eleições de meio de mandato nos EUA
A três meses das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, a popularidade do presidente Donald Trump atingiu o pior nível desde o início de sua trajetória política. Levantamentos divulgados nas últimas semanas pelas principais instituições de pesquisa americanas — incluindo CNN e a Universidade Quinnipiac — mostram taxas de aprovação entre 32% e 34%, números que colocam o atual governo em patamar inferior ao de antecessores no mesmo ponto de seus segundos mandatos e acendem um sinal de alerta dentro do Partido Republicano.
Segundo o portal Terra.com.br, Trump tem repetido a cada nova pesquisa a mesma justificativa: "os números reais são muito mais altos". A retórica, no entanto, não se sustenta nos dados consolidados, que apontam uma erosão crescente da base de apoio do presidente.
O que dizem as pesquisas mais recentes
Dois levantamentos independentes reforçam a tendência de queda:
- CNN: aprovação de 34%, mesmo índice registrado nos dias imediatamente posteriores ao ataque ao Capitólio, em janeiro de 2021, quando apoiadores do então ex-presidente invadiram a sede do Congresso americano.
- Universidade Quinnipiac: aprovação de 32%, considerado o pior resultado de toda a carreira política de Trump, incluindo seus dois mandatos como presidente e a campanha de 2024.
A coincidência numérica com o período pós-Capitólio é simbólica: aquele foi um dos capítulos mais críticos da história política americana recente, marcado por tentativas de reverter o resultado das eleições de 2020. Repetir esse piso em um contexto de governo efetivo sinaliza desgaste estrutural, não apenas um evento pontual.
Comparação histórica: como estavam outros presidentes no mesmo ponto do segundo mandato?
Embora comparações entre governos de diferentes épocas tenham limites — o cenário geopolítico, midiático e demográfico muda a cada ciclo —, os números ajudam a dimensionar a gravidade do momento vivido por Trump.
| Presidente | Aprovação no mesmo ponto do 2º mandato | Contexto |
|---|---|---|
| Richard Nixon | 24% | Escândalo de Watergate, pouco antes da renúncia (8 de agosto de 1974) |
| Donald Trump | 32% a 34% | Guerra contra o Irã e pressão sobre o poder de compra |
| George W. Bush | 37% | Fase final da Guerra do Iraque (2008) |
| Barack Obama | 43% | Início do segundo mandato (2014) |
| Bill Clinton | 64% | Após período de crescimento econômico (1998) |
Nixon segue como o único presidente com desempenho inferior ao de Trump nessa métrica — uma comparação politicamente incômoda, já que o republicano acabou renunciando para evitar um impeachment. Bush, Obama e Clinton enfrentavam contextos difíceis, mas mantiveram apoio suficiente para conduzir seus mandatos até o final sem rupturas institucionais.
Por que a popularidade de Trump está caindo?
Dois fatores principais explicam a erosão no apoio ao governo, de acordo com as pesquisas:
1. Guerra contra o Irã, cada vez menos compreendida
O conflito iniciado pela atual administração americana contra o Irã — cujo desencadeamento, duração e objetivos exatos não foram detalhadamente esclarecidos nos materiais de referência — tem perdido adesão inclusive entre os próprios eleitores republicanos. A queda no apoio ao conflito sugere que a base conservadora considera a escalada militar custosa, mal explicada ou desalinhada com prioridades domésticas.
2. Efeitos sobre o poder de compra
O encarecimento de bens de consumo, alimentos e energia — parcialmente associado às tensões geopolíticas e às políticas comerciais — tem corroído a percepção da população quanto à capacidade do governo de melhorar a vida cotidiana. Historicamente, indicadores econômicos são o principal determinante da aprovação presidencial nos EUA.
"O apoio ao conflito caiu entre seus próprios eleitores, e os republicanos estão dez pontos percentuais menos dispostos do que os democratas a comparecer às urnas em novembro." — trecho reproduzido do portal Terra.com.br.
O que são as eleições de meio de mandato e por que elas importam?
As midterm elections acontecem no meio do mandato presidencial e renovam:
- Toda a Câmara dos Representantes (435 cadeiras), com mandato de dois anos;
- Um terço do Senado (cerca de 34 ou 35 cadeiras), com mandato de seis anos;
- Diversos governadores e assembleias estaduais.
Na prática, o meio de mandato funciona como um referendo informal sobre o presidente. Quando o partido do chefe do Executivo perde maioria em uma ou ambas as Casas, o restante do mandato tende a se tornar um "pato manco" — expressão usada na política americana para desgovernos com agenda legislativa travada por maiorias oposicionistas.
Para Trump, que chegou à Casa Branca apostando em uma agenda ambiciosa, uma derrota republicana em novembro significaria a dificuldade de aprovar leis, manter sua base mobilizada e construir legado para o ciclo eleitoral de 2028.
O problema da desmobilização republicana
O dado mais preocupante para o Partido Republicano não é apenas a queda na aprovação de Trump, mas a assimetria no entusiasmo eleitoral. Os levantamentos indicam que os republicanos estão cerca de 10 pontos percentuais abaixo dos democratas em disposição para ir às urnas em novembro.
Esse descompasso é particularmente relevante em eleições de meio de mandato, nas quais o comparecimento costuma ser mais baixo e a mobilização da base decide os resultados. Em 2018, por exemplo, democratas capitalizaram o desgaste de Trump no primeiro mandato justamente por uma onda de comparecimento recorde entre jovens, mulheres e independentes. Em 2022, ao contrário, republicanos evitaram uma "onda azul" prevista por analistas graças a uma base conservadora mais motivada.
Qual o impacto disso para o Brasil?
A política americana parece distante da rotina brasileira, mas as decisões de Washington têm efeitos diretos no cotidiano do país:
- Combustíveis e energia: conflitos no Oriente Médio historicamente pressionam o preço do petróleo e, por tabela, o valor da gasolina e do diesel no Brasil.
- Câmbio e juros: instabilidade política nos EUA costuma fortalecer o dólar frente ao real, elevando o custo de importações, viagens e produtos dolarizados.
- Comércio exterior: medidas protecionistas ou sanções a países terceiros podem afetar cadeias produtivas das quais o Brasil participa, como agronegócio e mineração.
- Diplomacia e imigração: decisões sobre Venezuela, Cuba, Haiti e imigração latino-americana impactam diretamente fluxos migratórios e relações bilaterais.
Para investidores e exportadores brasileiros, um Trump com baixa aprovação e Congresso hostil tende a ser um Trump com menos margem de manobra para medidas unilaterais — o que pode significar tanto maior previsibilidade quanto menor atenção a parceiros comerciais da América Latina.
Próximos passos: o que observar nas próximas semanas
Até novembro, alguns indicadores vão ditar o ritmo da corrida:
- Evolução dos preços e dados de inflação nos EUA, divulgados mensalmente pelo Bureau of Labor Statistics.
- Desdobramentos do conflito com o Irã, incluindo eventuais negociações diplomáticas ou novas escaladas.
- Pesquisas estaduais para Câmara e Senado, que costumam antecipar tendências nacionais.
- Cobertura da imprensa conservadora, especialmente Fox News e redes de direita, que têm forte influência sobre a base republicana.
- Declarações de Trump, que costumam reorientar o debate e podem tanto mobilizar quanto alienar parcelas do eleitorado.
Perguntas frequentes
O que são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos?
São eleições realizadas no meio do mandato presidencial (no caso, em novembro de 2025) para renovar toda a Câmara dos Deputados, um terço do Senado e diversos governos estaduais. Funcionam como um referendo sobre o desempenho do presidente.
Qual é a taxa de aprovação atual de Donald Trump?
As pesquisas mais recentes, divulgadas nas últimas duas semanas, indicam aprovação entre 32% (Universidade Quinnipiac) e 34% (CNN) — o pior nível de sua trajetória política, empatando com o piso registrado após o ataque ao Capitólio em 2021.
Por que a popularidade de Trump caiu tanto?
Dois fatores principais aparecem nos levantamentos: a guerra contra o Irã, que perdeu apoio inclusive entre republicanos, e os efeitos negativos sobre o poder de compra da população americana, como inflação de bens essenciais e energia.
O que pode acontecer se os republicanos perderem as eleições de novembro?
O restante do mandato presidencial tende a se tornar um "pato manco", com dificuldade de aprovar leis e avançar a agenda do Executivo. Para Trump, isso significaria perdas políticas relevantes a um ano do fim do ciclo eleitoral.
Esse cenário é comparável ao de Nixon?
Apenas em termos numéricos. Nixon tinha 24% de aprovação às vésperas da renúncia em 1974, no auge do escândalo de Watergate. Trump, com 32% a 34%, está em um patamar ruim, mas ainda acima do piso histórico de Nixon. As circunstâncias políticas e institucionais, no entanto, são distintas e não permitem paralelos diretos.
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