Sociais-Democratas vencem legislativas na Suécia e mantêm aberta a porta para uma coalizão de esquerda
Os Sociais-Democratas suecos, partido de centro-esquerda liderado pela primeira-ministra Magdalena Andersson, foram os vencedores das eleições legislativas realizadas neste domingo na Suécia. Segundo projeções divulgadas pela televisão pública SVT e pela emissora TV4, ambas acompanhadas pelo portal Observador.pt, os sociais-democratas alcançaram 28,1% dos votos com cerca de 80% das urnas apuradas, às 10h40 desta segunda-feira (horário local). O resultado garante ao partido a primeira posição na corrida eleitoral, mas a formação do próximo governo ainda depende da contagem final e das negociações entre partidos.
Como ficou a distribuição de cadeiras no Parlamento sueco
De acordo com os números parciais divulgados pelas projeções, o bloco de esquerda — formado por Sociais-Democratas, Partido do Centro, Partido Verde e Partido da Esquerda — deverá conquistar 175 cadeiras no Riksdag (Parlamento da Suécia), contra 174 do bloco de direita. A diferença de apenas um deputado mostra o quão apertada ficou a disputa e explica a cautela da líder social-democrata ao se pronunciar na noite eleitoral.
Confira a estimativa de votação por partido, segundo as projeções divulgadas:
- Sociais-Democratas (S): 28,1%
- Moderados (M, centro-direita): 19,9%
- Democratas Suecos (SD, extrema-direita): 17,6%
- Partido da Esquerda (V): 8,2%
- Partido do Centro (C): 7,1%
- Verdes (MP): 6,1%
Com esses números, a margem apertada impede qualquer celebração antecipada. Andersson reconheceu o cenário na festa da noite eleitoral: "Neste momento estamos à frente e, se isto se mantiver, a Suécia vai ter um novo Governo. Mas precisamos de esperar pelo resultado final."
Por que os Democratas Suecos ficaram abaixo das expectativas?
O resultado do partido de extrema-direita foi uma das grandes surpresas da noite. As sondagens pré-eleitorais indicavam que os Democratas Suecos poderiam chegar perto dos 20% dos votos e até mesmo tirar o segundo lugar dos Moderados. No entanto, o desempenho ficou em torno de 17,6%, a mais de dez pontos percentuais dos Sociais-Democratas e a curta distância dos Moderados de Ulf Kristersson.
Segundo o portal Observador.pt, a campanha foi menos dominada pelo tema da imigração — historicamente central para os Democratas Suecos — e mais marcada pelas ligações de uma funcionária do partido a organizações pró-Kremlin. O escândalo expôs as relações de integrantes da sigla com a Rússia, num contexto em que a invasão da Ucrânia permanece como tema sensível na política europeia. Outros partidos de direita já haviam adotado boa parte das posições imigratórias dos Democratas Suecos, o que pode ter contribuído para a redução do espaço eleitoral da extrema-direita entre parte do eleitorado.
O que Andersson disse sobre o futuro governo
A líder dos Sociais-Democratas reiterou, à entrada da festa eleitoral, que o partido está aberto à colaboração com todas as legendas, exceto com os Democratas Suecos. A declaração reforça o cordão sanitário mantido até aqui pela centro-esquerda sueca em relação à extrema-direita — semelhante ao adotado em outros países europeus.
Andersson também adiantou suas prioridades caso se mantenha a vitória:
"Eu tenho muito claro o que quero: fazer a economia arrancar, que as pessoas comuns tenham mais dinheiro no bolso e que a crise na educação e na saúde termine."
Ainda assim, a primeira-ministra adotou tom institucional e pediu paciência ao eleitorado até a conclusão oficial da apuração. "A minha mensagem é clara: nós, os Sociais-Democratas, estamos sempre preparados para assumir a responsabilidade do resultado", afirmou.
O que está em jogo nas próximas horas
A definição do próximo governo sueco depende de três fatores centrais:
- Conclusão da apuração: com 80% dos votos contados, ainda há margem para alterações que possam mudar a composição do Parlamento.
- Negociação entre partidos do bloco de esquerda: Sociais-Democratas, Verdes, Partido da Esquerda e Partido do Centro precisam formalizar um acordo para garantir a maioria parlamentar de 175 cadeiras.
- Decisão sobre o papel dos Democratas Suecos: caso a direita vença, a entrada da extrema-direita num governo nacional seria histórica na Suécia, país conhecido por décadas de política de consenso entre social-democratas e partidos moderados.
Qual é o impacto para o leitor brasileiro?
Apesar de a Suécia estar longe do Brasil, o resultado tem repercussão direta em três frentes que interessam ao público brasileiro:
- Economia global: a Suécia é uma das maiores economias da Europa e integrante da União Europeia. Mudanças em sua política fiscal e energética podem afetar exportações brasileiras de commodities e a competitividade de empresas europeias que investem no país.
- Política e segurança internacional: o caso das ligações pró-Kremlin dentro dos Democratas Suecos reacende o debate sobre a influência russa em partidos populistas europeus, tema que aparece com frequência nas discussões geopolíticas atuais.
- Referência para o debate sobre extrema-direita: o desempenho abaixo das expectativas dos Democratas Suecos pode ser usado como argumento tanto por defensores do cordão sanitário à extrema-direita quanto por críticos que apontem fadiga do eleitorado em relação ao tema migratório.
Quem é Magdalena Andersson, a líder que busca mais um mandato
Magdalena Andersson é economista de formação e ocupava o cargo de primeira-ministra da Suécia desde novembro de 2021, quando assumiu após uma crise política no Executivo anterior. Filha de professora e pesquisador, ela já comandou o Ministério das Finanças e é considerada uma das figuras mais técnicas da geração atual de líderes sociais-democratas na Europa. Sua eventual recondução manteria a Suécia no bloco de governos social-democratas nórdicos, ao lado de Noruega, Dinamarca e Finlândia.
Próximos passos: o que esperar nos próximos dias
A contagem final dos votos na Suécia costuma se estender por alguns dias, com apuração minuciosa de cédulas antecipadas e do exterior. A expectativa é que o resultado consolidado seja divulgado oficialmente ainda nesta semana. A partir daí, começa o processo formal de formação de governo, com o presidente do Riksdag consultando os líderes partidários antes de propor um candidato a primeiro-ministro ao Parlamento.
Até o fechamento desta matéria, o resultado permanecia sem confirmação oficial definitiva, conforme reiterou a própria Andersson em seu discurso.
Perguntas frequentes
Quem venceu as eleições na Suécia?
Os Sociais-Democratas (centro-esquerda), liderados por Magdalena Andersson, lideram a apuração com 28,1% dos votos e aparecem como vencedores nas projeções da SVT e da TV4.
Qual é a diferença entre esquerda e direita no Parlamento?
Com 80% dos votos apurados, o bloco de esquerda soma 175 deputados, contra 174 do bloco de direita — uma diferença de apenas uma cadeira.
Por que os Democratas Suecos ficaram abaixo das expectativas?
As projeções indicavam cerca de 20%, mas o partido obteve 17,6%. A campanha foi marcada por revelações sobre ligações de uma funcionária da legenda a organizações pró-Kremlin, deslocando o debate do tema migratório para o da segurança e da influência russa.
Os Democratas Suecos podem fazer parte do governo?
Magdalena Andersson afirmou que os Sociais-Democratas estão abertos a dialogar com todos os partidos, exceto com os Democratas Suecos. Caso a direita vença, porém, a entrada da extrema-direita no governo seria debatida.
Quando o resultado final será divulgado?
A contagem completa dos votos suecos costuma levar alguns dias. Até a conclusão da apuração, qualquer cenário permanece sob confirmação oficial.
Gostou desta matéria? Compartilhe com quem precisa ficar bem informado e assine a newsletter do GCBS NEWS para receber as principais notícias direto no seu e-mail.



