Uma mulher carregando um artefato explosivo caseiro detonou uma bomba na noite de sábado perto de um restaurante italiano de luxo no centro de Moscou, matando pelo menos três pessoas e deixando 21 feridas, segundo informações do Comitê Nacional Antiterrorismo da Rússia (NAK) reproduzidas pelo portal Terra.com.br. O caso, tratado pelas autoridades russas como ataque terrorista, reacende o debate sobre segurança em áreas turísticas e diplomáticas da capital russa em meio à guerra na Ucrânia.
A explosão ocorreu pouco antes das 20h (horário local) na Praça Kudrinskaya, em frente a um dos chamados "Sete Edifícios" de Stalin — os arranha-céus neoclássicos erguidos na era soviética que viraram cartão-postal de Moscou. Câmeras de segurança que circulam nas redes sociais mostram uma forte labareda no momento da detonação, seguida de correria de clientes e pedestres.
Como o ataque aconteceu?
De acordo com o NAK, a mulher não identificada tentou entrar no restaurante italiano Balzi Rossi, instalado no térreo de um dos prédios históricos, mas foi barrada por um segurança particular. Fora do estabelecimento, ela acionou o dispositivo caseiro que carregava junto ao corpo.
A explosão matou instantaneamente três pessoas: a própria atacante, o segurança que tentou impedi-la e um cliente do restaurante. Segundo a emissora REN TV, duas pessoas que tinham sido hospitalizadas morreram neste domingo em razão da gravidade dos ferimentos, o que elevaria o saldo de vítimas para cinco mortos — número ainda sem confirmação oficial. Seis pessoas permaneciam em estado grave, conforme a mesma emissora.
Quem são as vítimas?
Até a publicação desta reportagem, as identidades das vítimas não haviam sido divulgadas pelas autoridades russas. O restaurante Balzi Rossi, frequentado por membros da elite econômica e diplomática de Moscou, não havia se manifestado publicamente sobre o atentado.
Por que há suspeita de ligação com a guerra na Ucrânia?
Nas horas seguintes ao ataque, canais do Telegram e perfis em redes sociais começaram a divulgar versões não confirmadas de que o atentado poderia ter motivação relacionada ao conflito iniciado em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Especialistas em contraterrorismo ouvidos por veículos internacionais, no entanto, pedem cautela.
Não houve, até agora, reivindicação de autoria por parte de nenhum grupo armado, nem anúncios oficiais do Kremlin apontando suspeitos. A reportagem original do Terra.com.br destaca que as especulações seguem sem confirmação.
Qual o histórico recente de atentados na Rússia?
O ataque ocorre meses depois de um dos piores episódios de terrorismo doméstico da história recente da Rússia: o massacre na casa de shows Crocus City Hall, em março de 2024, que deixou mais de 140 mortos e foi reivindicado pelo braço do grupo Estado Islâmico (ISIS) no Afeganistão, conhecido como ISIS-K. Naquela ocasião, a investigação apontou conexões com redes jihadistas, e não com o conflito na Ucrânia — o que contrariou a narrativa de Moscou, que por meses sustentou a tese de "trilha ucrâniana".
Outros atentados relevantes incluem o ataque ao metrô de São Petersburgo em 2017 (16 mortos), o cerco à escola de Beslan em 2004 (mais de 330 mortos, a maioria crianças) e a tomada do teatro Dubrovka em Moscou em 2002 (170 mortos). Esse histórico ajuda a explicar o rigor do protocolo antiterrorismo adotado em locais públicos da capital russa.
O que disseram as autoridades?
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, publicou comunicado neste domingo no qual classificou o episódio como "um brutal ataque terrorista" e ofereceu condolências às famílias das vítimas. "Os responsáveis serão punidos", escreveu o prefeito, que tem gestão direta sobre a segurança urbana da capital.
O governo regional e o Ministério das Relações Exteriores da Rússia também se manifestaram, mas o Kremlin não havia promovido coletiva de imprensa específica sobre o caso até o fechamento desta matéria. O NAK abriu procedimento antiterrorismo e trabalha com a hipótese de ataque suicida, segundo a descrição reproduzida pela imprensa russa.
Onde fica o local do ataque?
A Praça Kudrinskaya está localizada no distrito Presnensky, na parte oeste do centro de Moscou, a poucos quilômetros do Kremlin e do Parlamento russo. A região é conhecida por reunir:
- Residências de alto padrão herdadas da era soviética;
- Embaixadas e sedes diplomáticas;
- Restaurantes e cafeterias frequentados por executivos e funcionários do governo;
- Um dos sete "arranha-céus stalinistas" — emblemáticos prédios neoclássicos construídos entre o final dos anos 1940 e o início dos anos 1950 para simbolizar o poderio soviético no pós-Segunda Guerra.
O imóvel que abriga o Balzi Rossi integra o conjunto conhecido como Sete Irmãs (Stalinskie Vysotki). A arquitetura pesada e o uso misto — comércio no térreo e apartamentos nos andares superiores — são típicos do projeto, planejado para reafirmar a presença do Estado no skyline da capital.
Qual o impacto para brasileiros?
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, ainda não havia emitido nota oficial até a publicação desta reportagem. O consulado do Brasil em Moscou é a referência para prestar assistência a eventuais brasileiros na região. Para quem tem viagem marcada ou estuda no país, a recomendação é:
- Consultar o portal do Ministério das Relações Exteriores sobre avisos e recomendações em vigor;
- Evitar áreas de grande concentração de pessoas, especialmente à noite;
- Manter contato com a embaixada ou consulado em caso de emergência.
Não havia, até o momento, indicação de brasileiros entre as vítimas. A Rússia reúne uma comunidade brasileira estimada em milhares de pessoas, incluindo estudantes, pesquisadores e profissionais de empresas com operação no país.
O que se espera agora?
As próximas horas devem ser marcadas pela divulgação do boletim oficial do NAK com a atualização do número de vítimas e pela possível abertura de inquéritos. A imprensa russa também aguarda a identificação da atacante e a análise de câmeras de segurança que possam esclarecer o itinerário dela antes da explosão.
Investigadores tendem a apurar três frentes principais: jihadismo (linha ISIS-K inspirada no ataque de Crocus City Hall), motivação política ligada ao conflito na Ucrânia e ação isolada de extremistas domésticos. Sem reivindicação oficial, qualquer conclusão antecipada é considerada precipitada por analistas.
Perguntas frequentes
Onde exatamente ocorreu a explosão em Moscou?
Na Praça Kudrinskaya, região central de Moscou, em frente a um restaurante italiano chamado Balzi Rossi, instalado em um dos sete arranha-céus da era Stalin.
Quantas pessoas morreram no ataque?
Três mortes foram confirmadas oficialmente — a atacante, um segurança e um cliente. A emissora REN TV chegou a citar cinco mortos, mas o número ainda aguarda confirmação das autoridades.
Quem está por trás do atentado?
Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria. Especulações em redes sociais sobre ligação com a guerra na Ucrânia não foram confirmadas oficialmente.
Há brasileiros entre as vítimas?
Não havia informação oficial sobre brasileiros feridos ou mortos até a publicação desta reportagem. O Itamaraty ainda não havia se pronunciado.
Como o Brasil se posicionou sobre o caso?
O governo brasileiro não havia divulgado nota oficial até o fechamento desta matéria. O consulado do Brasil em Moscou é o canal de assistência para cidadãos brasileiros.
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