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Banco do Japão eleva juros a 1,25%, maior nível desde 1995

Política mais restritiva encerra ciclo de décadas de estímulos e gera expectativa de impactos nos mercados globais.

Banco do Japão eleva juros a 1,25%, maior nível desde 1995

Banco do Japão eleva taxa básica para 1,25% ao ano, maior nível desde 1995

O Banco do Japão (BoJ) decidiu, nesta sexta-feira (18), a taxa básica de juros do país de 1% para 1,25% ao ano. O movimento coloca os juros japoneses no patamar mais alto em quase três décadas, conforme noticiou o portal Abril.com.br, e encerra uma semana marcada por decisões relevantes de política monetária nas principais economias do mundo.

Apesar de o percentual parecer modesto quando comparado à Selic brasileira — atualmente em 13,75% ao ano —, a alta é significativa para uma economia que conviveu, durante anos, com juros próximos de zero ou até mesmo negativos. A decisão era amplamente esperada pelo mercado financeiro, diante da inflação persistente que pressiona a economia japonesa e da necessidade de conter a desvalorização do iene frente ao dólar e a outras moedas fortes.

Por que o Japão voltou a subir juros agora?

Segundo analistas ouvidos por veículos especializados, três fatores principais explicam o aperto monetário anunciado pelo BoJ:

  • Inflação persistente: o Japão vinha registrando taxas de inflação acima da meta de 2% definida pelo próprio banco central, algo incomum para uma economia que passou décadas lutando contra a deflação.
  • Defesa do iene: a moeda japonesa vinha se desvalorizando de forma acentuada, o que encarece importações e corrói o poder de compra da população. Juros mais altos tendem a atrair capital estrangeiro e a fortalecer a moeda local.
  • Coordenação internacional: a alta acontece no mesmo dia em que outros bancos centrais, como o da Inglaterra, também divulgaram suas decisões, dentro de um movimento global de revisão de política monetária.

Ao tornar os títulos do governo japonês mais rentáveis, a expectativa é de que investidores internacionais voltem a aplicar recursos no país, sustentando a cotação do iene.

Como o movimento se compara à história recente do Japão?

O Japão viveu, entre o final dos anos 1990 e a década de 2010, um longo período conhecido como "perda de décadas", marcado por deflação, crescimento estagnado e juros ultrabaixos. Em 2016, o BoJ chegou a adotar taxa de juros negativa, política extrema adotada por poucos bancos centrais no mundo.

A mudança começou em 2024, quando o BoJ promoveu a primeira alta de juros em 17 anos. Desde então, o aperto monetário vem sendo gradual, mas firme, refletindo uma inflação que se mostrou mais resistente do que se esperava e uma pressão política e social para melhorar salários, que ficaram estagnados por anos.

EUA e Brasil tomaram caminhos opostos na mesma semana

O anúncio do Japão fecha uma rodada global de decisões monetárias. Na quarta-feira (16), o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos,elevou a taxa básica americana em 0,25 ponto percentual, colocando-a na faixa de 3,75% a 4% ao ano. Trata-se da primeira alta desde 2023, segundo a reportagem do portal Abril.com.br.

No mesmo dia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil agiu na direção contrária e reduziu a Selic em 0,25 ponto, mantendo-a em 13,75% ao ano. O movimento mostra como as economias lidam de forma distinta com seus próprios dilemas: enquanto os EUA seguem tentando combater a inflação com juros altos, o Brasil já iniciou um ciclo de cortes graduais.

Qual é o impacto para o investidor brasileiro?

A alta dos juros nos EUA tende a fortalecer o dólar frente a moedas emergentes, incluindo o real. Com o Japão também subindo juros, parte da pressão sobre o iene se reduz, mas a liquidez global segue afetada por taxas americanas elevadas.

Para quem aplica em renda fixa no Brasil, o cenário não altera diretamente a rentabilidade da Selic, mas influencia o câmbio e a entrada ou saída de capital estrangeiro na bolsa brasileira (B3). Investidores que acompanham fundos com exposição internacional ou moedas estrangeiras devem ficar atentos à volatilidade do dólar e do iene nas próximas semanas.

O que está em jogo na agenda econômica do dia

Além da decisão japonesa, o mercado financeiro brasileiro acompanha nesta sexta-feira outros dois fronts relevantes, conforme relatou a reportagem original:

  • Bolsa Família: investidores digerem o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o aumento do valor do programa social, medida entendida como parte da estratégia para as eleições de outubro.
  • Petróleo: mesmo com quedas expressivas nos contratos futuros no início do dia, o barril do tipo Brent permanece acima dos 100 dólares, mantendo a pressão sobre preços de combustíveis e inflação global.

Por que o petróleo acima de 100 dólares importa para o Brasil?

O Brasil é autossuficiente em petróleo, mas exporta volumes relevantes e importa derivados. Quando o Brent se mantém em patamar elevado, a Petrobras tende a reajustar gasolina e diesel nas refinarias,impacto que chega rapidamente ao consumidor final e ao transporte, alimentando pressões inflacionárias que dificultam cortes mais agressivos da Selic.

Próximos passos: o que acompanhar nas próximas semanas

Para quem quer entender os desdobramentos dessa rodada de decisões monetárias, vale ficar de olho nos seguintes pontos:

  1. Comportamento do iene nos próximos dias e sinais de investidores estrangeiros voltando a comprar títulos japoneses.
  2. Próximas reuniões do Fed e do BoJ, que devem indicar se o ciclo de alta continua ou se entra em pausa.
  3. Inflação brasileira e brasileira e o ritmo do corte da Selic, que pode ser influenciado pelo câmbio e pelo petróleo.
  4. Repercussão do aumento do Bolsa Família nos indicadores de consumo e inflação de curto prazo.

O movimento coordenado (ou, em alguns casos, divergente) dos grandes bancos centrais mostra que o mundo ainda está ajustando a política monetária ao novo cenário de inflação e crescimento pós-pandemia. Para o leitor brasileiro, o efeito mais imediato está no bolso: câmbio, combustível e rentabilidade dos investimentos.

Perguntas frequentes

Qual é a nova taxa de juros do Japão?
O Banco do Japão elevou a taxa básica de 1% para 1,25% ao ano, o maior nível desde 1995, conforme divulgado nesta sexta-feira (18).

Por que o Japão está subindo juros se a economia é fraca?
A alta visa combater a inflação persistente e sustentar o iene, que vinha se desvalorizando. Juros mais altos atraem capital estrangeiro para títulos japoneses e ajudam a estabilizar a moeda.

Como a decisão do Japão afeta o Brasil?
O efeito é indireto: influencia o cenário global de juros, o câmbio e o apetite por risco dos investidores. Com EUA e Japão apertando, o real pode sofrer pressão, embora o diferencial de juros da Selic continue elevado.

O que o Federal Reserve decidiu nesta semana?
O Fed elevou a taxa básica dos EUA em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, na primeira alta desde 2023.

E o Banco Central do Brasil, o que fez?
No mesmo dia do anúncio do Fed, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, seguindo em direção oposta à dos americanos.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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