Partidos brasileiros estão destinando recursos milionários a celebridades na corrida pela Eleição 2026. Levantamento com base em dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgado pelo portal Metropoles.com, mostra que apresentadores, humoristas, atores, influenciadores e ex-participantes de realities que disputam vagas na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas receberam, juntos, cerca de R$ 2,4 milhões em recursos partidários para financiar suas campanhas.
Entre os nomes contemplados estão a filha de Silvio Santos, Silvia Abravanel, e o humorista Marquito do Ratinho. A estratégia reflete uma tendência recorrente da política brasileira: a conversão de fama televisiva em capital eleitoral.
Silvia Abravanel recebe quase R$ 2,4 milhões do PSD
A maior fatia do levantamento é destinada à campanha da apresentadora Silvia Abravanel. Candidata a deputada federal por São Paulo, ela recebeu do Partido Social Democrático (PSD) aproximadamente R$ 2,4 milhões em recursos partidários, valor que a coloca entre as apostas mais robustas das legendas para a disputa deste ano.
Filha de Silvio Santos, fundador do SBT e um dos maiores nomes da história da televisão brasileira, Silvia construiu sua carreira na emissora da família e mantém identificação direta com o público que acompanha a programação do canal. A corrida em São Paulo, maior colégio eleitoral do país e estado que elege o maior número de deputados federais, é historicamente uma das mais competitivas do calendário eleitoral brasileiro.
Marquito do Ratinho se lança após grave acidente de moto
Outro nome de grande apelo popular é o do humorista Marquito do Ratinho. Figura conhecida do humor paranaense e parceiro de longa data do apresentador Carlos Massa, o "Ratinho", Marquito decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. A decisão veio após um grave acidente de moto que mudou sua rotina e o motivou a repensar projetos pessoais e profissionais, segundo a reportagem do Metropoles.com.
Assim como Silvia, Marquito aposta no reconhecimento construído em anos de trabalho na televisão para viabilizar a campanha. Embora o valor detalhado destinado à sua candidatura não tenha sido publicado no levantamento, a inclusão do nome na lista confirma o movimento das legendas em torno de perfis com forte recall popular.
Por que os partidos apostam em famosos?
O uso de celebridades como estratégia eleitoral é prática recorrente no Brasil. As legendas costumam recorrer a nomes com alto grau de reconhecimento público para ampliar a visibilidade das campanhas, aumentar o tempo de rádio e TV e mobilizar seguidores em redes sociais. A lógica é direta: candidatos com forte presença midiática tendem a converter visibilidade em votos com mais facilidade do que nomes desconhecidos do grande público.
No cenário atual, esse cálculo ficou ainda mais relevante. A fragmentação do eleitorado, a queda da identificação partidária e o domínio das plataformas digitais como arena de debate político transformaram a chamada "marca pessoal" em um ativo valioso para qualquer campanha. Um apresentador com milhões de seguidores ou um humorista conhecido nacionalmente entra na disputa com uma audiência cativa que pode se tornar base eleitoral.
Além disso, celebridades costumam gerar menos rejeição ideológica do que nomes vinculados a partidos tradicionais. Em disputas locais ou para Assembleias Legislativas, esse perfil de candidato pode atrair votos de diferentes espectros, ampliando o leque de apoio dentro da própria legenda.
Como funciona o financiamento partidário no Brasil?
Os valores repassados por partidos a candidatos têm origem no Fundo Partidário e no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), recursos públicos administrados pela Justiça Eleitoral e distribuídos conforme critérios definidos em lei. Cada legenda decide internamente como aplicar parte desses recursos em candidaturas próprias ou de aliados.
A legislação estabelece tetos de gastos e limites de repasse. Todas as movimentações das candidaturas precisam ser declaradas ao TSE, que torna os dados públicos em seu portal de prestação de contas. Foi justamente essa base que alimentou o levantamento do Metropoles.com.
Para o eleitor, acompanhar a origem e o volume dos recursos é importante porque ajuda a avaliar o grau de independência de cada candidatura. Campanhas com financiamento robusto costumam ter mais tempo de propaganda e estrutura de rua, mas não há garantia de que isso se converta em vitória nas urnas.
Famosos na política brasileira: uma tradição de altos e baixos
O Brasil tem longa história de artistas, atletas e comunicadores que migraram para a política. Um dos casos mais emblemáticos foi o do humorista e cantor Tiririca (Francisco Everardo Oliveira Silva), eleito em 2010 o deputado federal mais votado do país, com votação superior a 1,3 milhão de votos, depois de fazer campanha com o bordão "pior que está não fica".
Outros nomes também testaram a sorte nas urnas com resultados variados. Jogadores de futebol, sertanejos, modelos e vencedores de realities show já figuraram em listas de candidatos em diferentes eleições pelo país. O padrão costuma ser o mesmo: alto investimento em visibilidade e estrutura partidária, mas resultados eleitorais imprevisíveis.
A experiência mostra que a conversão de fama em mandato depende de fatores que vão além do reconhecimento público. A capacidade de articular uma base política própria, construir alianças regionais e apresentar propostas concretas costuma pesar tanto quanto a popularidade prévia do candidato.
O que esperar das campanhas de famosos em 2026
Com a corrida eleitoral em curso, candidatos como Silvia Abravanel e Marquito do Ratinho terão pela frente o desafio de transformar visibilidade em voto efetivo. O primeiro turno está previsto para outubro, e o segundo turno, onde houver disputa majoritária, para novembro. Até lá, as campanhas devem se intensificar em redes sociais, no horário eleitoral gratuito e nas ruas.
A tendência de profissionalização das campanhas de celebridades tende a se manter. Para o eleitor, acompanhar a movimentação financeira e as propostas apresentadas por esses candidatos é uma forma de avaliar se o nome conhecido está preparado para o exercício do mandato.
O título da matéria original do Metropoles.com também cita a jornalista Sheherazade entre os famosos contemplados por recursos milionários. Os números detalhados da candidatura dela, no entanto, não foram divulgados na versão da reportagem consultada.
Perguntas frequentes
Qual foi o maior valor destinado a um famoso na Eleição 2026?
Segundo o levantamento do portal Metropoles.com com base em dados do TSE, Silvia Abravanel recebeu aproximadamente R$ 2,4 milhões do PSD para a sua campanha a deputada federal por São Paulo. Foi o maior valor individual identificado entre os famosos contemplados.
Por que os partidos investem em candidatos famosos?
Para ampliar a visibilidade das campanhas, ganhar tempo de rádio e TV e mobilizar seguidores em redes sociais. A lógica é converter popularidade em votos, especialmente em disputas proporcionais como as de deputado federal, estadual e vereador.
Celebridades costumam se eleger no Brasil?
Há casos de grande sucesso, como o do humorista Tiririca, eleito em 2010 o deputado federal mais votado do país. Mas o resultado varia bastante: alguns nomes conhecidos não conseguem converter fama em votos, enquanto outros conquistam mandatos com votações expressivas. Fama é um ativo relevante, mas não garante vitória.
Como o eleitor pode acompanhar o financiamento das campanhas?
Toda movimentação financeira das campanhas precisa ser declarada ao TSE, que publica os dados em seu portal de prestação de contas. O sistema permite consultar, por candidato e partido, quanto entrou, quem doou e como os recursos foram aplicados ao longo do período eleitoral.
Quando acontecem as eleições de 2026 no Brasil?
O calendário eleitoral prevê o primeiro turno em outubro e o segundo turno, onde houver disputa majoritária, em novembro. Candidatos a cargos proporcionais e majoritários em todo o país devem estar com as campanhas regularizadas junto à Justiça Eleitoral.
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