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Força Nacional: apoio ao ICMBio prorrogado por 90 dias

Reforço militar vai intensificar o combate a incêndios florestais e crimes ambientais em áreas estratégicas.

Força Nacional: apoio ao ICMBio prorrogado por 90 dias

Governo Federal prorroga por 90 dias o apoio da Força Nacional às ações do ICMBio na Amazônia Legal

O Ministério da Justiça e Segurança Pública renovou, por mais 90 dias, a autorização para que agentes da Força Nacional de Segurança Pública atuem em apoio ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Amazônia Legal. A portaria com a prorrogação foi publicada na sexta-feira, dia 4, no Diário Oficial da União, e vale entre 21 de setembro e 19 de dezembro de 2026, conforme antecipou o portal Terra.com.br.

A decisão mantém o caráter episódico e planejado da operação, com foco em repressão a crimes ambientais e controle do fogo na floresta. Na prática, isso significa que militares da Força Nacional seguem atuando, de forma integrada a órgãos estaduais e federais, no combate ao desmatamento ilegal, à extração clandestina de madeira e minério, à invasão de terras públicas federais e aos incêndios na vegetação.

O que a portaria determina e por que importa agora

O documento renova um apoio que já vinha sendo prestado ao ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável pela gestão de unidades de conservação federais, como parques, reservas biológicas e estações ecológicas. A renovação é relevante porque a Amazônia Legal entra, nos próximos meses, em um período crítico de estiagem e de pico de incêndios florestais, quando a fiscalização precisa de reforço.

A prorrogação estabelece três pontos centrais:

  • Período de atuação: 90 dias, de 21 de setembro a 19 de dezembro de 2026.
  • Escopo da missão: combate ao desmatamento, à extração ilegal de minério e madeira, à invasão de terras públicas federais e aos incêndios na vegetação, dentro das áreas de competência do ICMBio.
  • Responsabilidade logística: infraestrutura, transporte, alimentação e suporte ficam a cargo do próprio ICMBio, que figura como órgão demandante da operação.

O número de agentes mobilizados segue o plano operacional da Diretoria da Força Nacional, vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública. A participação ocorre em caráter episódico e planejado, ou seja, em missões específicas, com prazo determinado, e não em presença permanente e ostensiva nas unidades de conservação.

Qual é a relação entre a Força Nacional e o ICMBio?

A Força Nacional de Segurança Pública é um programa de cooperação federativa criado em 2004 e coordenado pelo Ministério da Justiça. Ela é formada por policiais militares, bombeiros, policiais civis e peritos cedidos por estados e pelo Distrito Federal, além de servidores federais. Quando ativada, atua em missões de interesse da União, como grandes eventos, crises de segurança pública, desastres ambientais e apoio a órgãos de fiscalização.

O ICMBio, por sua vez, é a autarquia federal que administra as 334 unidades de conservação federais atualmente sob sua gestão, entre parques nacionais, reservas extrativistas, reservas biológicas e áreas de proteção ambiental. Em territórios de difícil acesso e com forte pressão de grileiros, madeireiros e garimpeiros, a presença de servidores do ICMBio, sozinha, costuma ser insuficiente. Por isso, o instituto historicamente solicita apoio de forças de segurança, como a própria Força Nacional, a Polícia Federal e as polícias militares estaduais.

A portaria renovada nesta sexta-feira formaliza esse apoio e dá segurança jurídica para que os agentes da Força Nacional exerçam, dentro das unidades de conservação, ações de polícia judiciária administrativa e de repressão a ilícitos ambientais, em coordenação com os demais órgãos de segurança.

O que é o Plano Amas e como ele se conecta à operação

A prorrogação está inserida no Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas), iniciativa do governo federal que reúne ações de defesa, segurança pública, fiscalização ambiental e inteligência na região. O plano articula ministérios como Justiça, Defesa, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, além de agências como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal.

Dentro do Plano Amas, o apoio da Força Nacional ao ICMBio é uma das linhas voltadas ao combate de crimes ambientais transfronteiriços, como o garimpo ilegal em terras indígenas e unidades de conservação, a extração de madeira em áreas protegidas e os incêndios criminosos usados para abrir pasto. A estratégia combina:

  • Presença ostensiva em pontos críticos de desmatamento;
  • Operações integradas com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Polícia Federal;
  • Uso de tecnologias de monitoramento por satélite e drones;
  • Destruição de equipamentos utilizados em garimpos ilegais, como dragas e balsas;
  • Atendimento a comunidades tradicionais ameaçadas pela atividade criminosa.

Por que a Amazônia é o principal alvo desse tipo de operação

A Amazônia Legal ocupa cerca de 59% do território brasileiro e engloba nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. A região concentra a maior parte das unidades de conservação federais do país e responde por parcela significativa das emissões de gases de efeito estufa associadas ao uso da terra no Brasil, especialmente quando o bioma é derrubado ou queimado.

Mesmo com queda nas taxas de desmatamento registrada nos últimos anos, a Amazônia segue sob pressão. Entre os ilícitos mais recorrentes nas áreas sob responsabilidade do ICMBio estão:

  • Garimpo ilegal: especialmente em áreas como a Reserva Yanomami, a Terra Indígena Munduruku e unidades de conservação no Pará e Amazonas.
  • Grilagem e invasão de terras públicas: com abertura de pastos e lotes para especulação.
  • Extração ilegal de madeira: retirada de espécies de alto valor comercial, como ipê, jatobá e mogno.
  • Incêndios criminosos: uso do fogo para limpar áreas após a derrubada da mata.

A atuação da Força Nacional em apoio ao ICMBio se soma a outras frentes, como as operações do Ibama, da Polícia Federal e das Forças Armadas por meio de ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ambientais. A diferença, neste caso, é que os agentes atuam sob coordenação direta do ICMBio, dentro das unidades de conservação.

Quais são os limites e os cuidados dessa atuação

A portaria deixa claro que o apoio é episódico e planejado, e não uma ocupação militar permanente das unidades de conservação. O efetivo mobilizado varia conforme o plano operacional da Diretoria da Força Nacional e a demanda do ICMBio, e toda a logística de campo — como deslocamentos terrestres e fluviais, alimentação e acampamentos — é responsabilidade do instituto solicitante.

Para comunidades tradicionais, povos indígenas e pesquisadores que vivem ou trabalham dentro das unidades de conservação, a presença da Força Nacional costuma ter efeito ambivalente. Por um lado, pode inibir invasores e reduzir a violência. Por outro, exige protocolos rígidos de respeito a direitos territoriais e à legislação indigenista e ambiental, sob risco de gerar conflitos internos e questionamentos judiciais.

Próximos passos e o que acompanhar

Com a publicação da portaria, os próximos passos envolvem a articulação entre ICMBio, Diretoria da Força Nacional e órgãos estaduais para definir o cronograma de missões nos estados da Amazônia Legal. A expectativa é de reforço da fiscalização justamente no período em que, historicamente, se concentram os picos de incêndio e desmatamento.

Vale acompanhar, nas próximas semanas, três frentes:

  1. Os boletins do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre focos de calor e alertas de desmatamento na Amazônia.
  2. As operações integradas divulgadas pelo ICMBio, Ibama e Polícia Federal, que costumam indicar onde a Força Nacional será empregada.
  3. Eventuais decisões judiciais sobre a legalidade de operações específicas em terras indígenas e unidades de conservação.

Perguntas frequentes sobre a Força Nacional na Amazônia

1. O que faz a Força Nacional de Segurança Pública no apoio ao ICMBio?
Atua em ações de proteção ambiental na Amazônia Legal, com foco no combate ao desmatamento, à extração ilegal de madeira e minério, à invasão de terras públicas federais e aos incêndios na vegetação dentro de unidades de conservação.

2. Por quanto tempo a operação está autorizada?
A portaria publicada nesta sexta-feira, dia 4, no Diário Oficial da União prorroga o apoio por 90 dias, de 21 de setembro a 19 de dezembro de 2026.

3. A Força Nacional passa a ocupar unidades de conservação em caráter permanente?
Não. A atuação é episódica e planejada, com efetivo definido pela Diretoria da Força Nacional conforme a demanda do ICMBio, e toda a infraestrutura de campo fica a cargo do próprio instituto.

4. Como essa ação se conecta ao Plano Amas?
A operação integra as diretrizes do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas), que articula ministérios, Forças Armadas, Polícia Federal e órgãos ambientais em ações de fiscalização, inteligência e repressão a crimes ambientais na região.

5. Quem arca com os custos da operação?
A infraestrutura e o suporte logístico necessários à permanência dos agentes são de responsabilidade do ICMBio, órgão demandante da operação, conforme a portaria do Ministério da Justiça.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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