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Política de minerais críticos: Senado aprova R$ 7 bi

Verba será aplicada na exploração de lítio, terras raras e nióbio, insumos-chave para a transição energética.

Política de minerais críticos: Senado aprova R$ 7 bi
Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (2) o Projeto de Lei 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e abre caminho para até R$ 7 bilhões em incentivos voltados à pesquisa, extração, beneficiamento e transformação de insumos essenciais à transição energética — entre eles, lítio, grafite e níquel, matérias-primas indispensáveis para as baterias de carros elétricos. A proposta, que recebeu apenas ajustes de redação, não precisa voltar à Câmara dos Deputados e segue agora para sanção presidencial. Segundo o portal Terra.com.br, a expectativa do setor é de que o texto comece a moldar uma cadeia produtiva nacional mais robusta, embora não vá derrubar o preço dos veículos elétricos de um dia para o outro.

O que muda com a nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos

A medida é a primeira iniciativa brasileira de fôlego para tratar minerais como ativos estratégicos de Estado, à semelhança do que já fazem Estados Unidos, União Europeia, China e Austrália. Na prática, o texto organiza incentivos em três frentes distintas, com objetivos complementares:

  • Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM): até R$ 2 bilhões aportados pela União para reduzir o risco financeiro de projetos que exigem capital pesado antes de começar a produzir.
  • Créditos fiscais: até R$ 5 bilhões, limitados a R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034.
  • Priorização por valor agregado: o maior benefício recai sobre o beneficiamento e a transformação mineral, com créditos de até 20% dos custos dos produtos, conforme o nível de agregação tecnológica do empreendimento.

O desenho revela uma escolha deliberada: o legislador entendeu que abrir minas é apenas o começo. O foco está em manter no país as etapas mais lucrativas da cadeia — quando a rocha extraída vira, de fato, bateria, ímã de motor ou componente eletrônico — em vez de exportar matéria-prima bruta e reimportar o produto acabado a preços multiplicados.

Quais minerais entram na lista de "críticos e estratégicos"?

A relação ainda será regulamentada pelo Poder Executivo, mas a proposta abrange, no mínimo, aqueles indispensáveis a setores como mobilidade elétrica, energia renovável, eletrônicos e defesa. Entre os mais citados pelo mercado estão:

  • Lítio — base das baterias de íon-lítio;
  • Grafite — usado nos anodos das baterias;
  • Níquel, cobalto e manganês — compósitos dos cátodos;
  • Terras raras — essenciais para os ímãs permanentes dos motores elétricos e para turbinas eólicas;
  • Cobre — fio condutor de toda a eletrificação;
  • Silício metálico — insumo para painéis solares e semicondutores.

Por que isso importa para o carro elétrico

Um veículo elétrico é, em essência, uma bolsa de minerais sobre rodas. Um único carro pode carregar de 30 kg a 60 kg de cobre nos chicotes elétricos, dezenas de quilos de grafite e lítio na bateria e pequenas quantidades de terras raras no motor e em sensores. O custo desses insumos — e o grau de processamento aplicado a eles antes de chegarem à fábrica — influencia diretamente o preço final do veículo.

Hoje, o Brasil é um grande produtor de minério bruto, mas exporta a maior parte sem beneficiamento significativo. Estudo do Banco Mundial estima que, até 2050, a demanda global por minerais como lítio e grafite pode multiplicar-se por mais de 4 vezes em razão da transição energética. Quem dominar as etapas de refino, purificação e síntese química desses materiais ficará menos exposto a gargalos logísticos internacionais e a oscilações cambiais.

"Não se trata de minerar mais por minerar, mas de verticalizar a cadeia para capturar mais valor e gerar empregos qualificados dentro do país", resume um executivo do setor mineral ouvido pelo mercado nas últimas semanas, em análises reproduzidas por veículos especializados.

Carros elétricos vão ficar mais baratos com a nova política?

Esta é a pergunta que mais circula entre consumidores brasileiros desde a aprovação do projeto, e a resposta curta é: não de imediato. A sanção presidencial é apenas o ponto de partida. Entre os efeitos práticos que o consumidor pode esperar — e aqueles que não deve esperar — estão:

  • Curto prazo (1 a 2 anos): poucos efeitos diretos no preço de showroom. A regulamentação dos créditos fiscais e a estruturação do FGAM ainda vão consumir tempo.
  • Médio prazo (3 a 5 anos): possível redução gradual de custos para montadoras que passarem a comprar baterias e ímãs processados no Brasil, em vez de importar da Ásia.
  • Longo prazo (após 2030): janela em que os R$ 5 bilhões em créditos fiscais começarão a ser liberados anualmente, com efeito mais visível sobre a cadeia.

Ou seja: a medida cria condições estruturais para preços menores no futuro, mas não funciona como um gatilho automático de desconto nas concessionárias. Outros fatores — como o Imposto de Importação que começa a subir em 2026, o custo do dólar, a infraestrutura de recarga e os próprios preços globais do lítio — continuam pesando mais no curto prazo.

Brasil na corrida global pelos minerais críticos

A aprovação ocorre em um momento de acirrada disputa geopolítica por esses recursos. A China domina o refino de terras raras e de lítio; a Austrália é a maior mineradora de lítio do mundo; os Estados Unidos e a UE correm para aprovar políticas industriais equivalentes, com subsídios bilionários (caso do Inflation Reduction Act, nos EUA). Nesse tabuleiro, o Brasil surge como um dos países com maior potencial geológico — em especial no chamado "Triângulo do Lítio", entre Minas Gerais, Goiás e Bahia, e na região da Serra do Gandarela (MG), rica em níquel e cobalto.

Autoridades e entidades do setor, como o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), avaliam que o texto aprovado dá previsibilidade jurídica e pode atrair investimentos estrangeiros que estavam na dependência de uma sinalização clara do Congresso. Por outro lado, organizações socioambientais cobram mecanismos mais rigorosos de licenciamento, consulta a comunidades indígenas e rastreabilidade da produção, para evitar que a nova política repita erros ambientais do passado.

Próximos passos: o que observar depois da sanção

Após a sanção presidencial, o texto entra em fase de regulamentação. É nessa etapa que pontos decisivos serão definidos, como:

  1. A lista oficial dos minerais considerados críticos e estratégicos;
  2. Os critérios de elegibilidade dos projetos ao FGAM e aos créditos fiscais;
  3. O detalhamento das faixas de percentual de crédito (até 20%) conforme o valor agregado;
  4. As exigências socioambientais e de conteúdo local para acesso aos incentivos.

O mercado também aguarda a definição sobre regimes tributários especiais para empresas que se instalarem em regiões de mineração e sobre possíveis contratos de longo prazo entre mineradoras e montadoras instaladas no Brasil — algo que pode destravar fábricas de células de bateria ainda em fase de projeto.

Perguntas frequentes

O que é a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos?

É a política criada pelo Projeto de Lei 2.780/2024, aprovado pelo Senado e enviado à sanção presidencial, que organiza incentivos fiscais e financeiros para a cadeia de minerais essenciais à transição energética, eletrônicos e defesa.

Quais minerais serão beneficiados pela nova lei?

A lista será regulamentada pelo Executivo, mas contempla, no mínimo, lítio, grafite, níquel, cobalto, manganês, terras raras, cobre e silício metálico, todos estratégicos para baterias, ímãs e componentes elétricos.

O preço dos carros elétricos vai cair agora no Brasil?

Não automaticamente. A medida cria condições para redução gradual de custos no médio e longo prazo, mas os efeitos diretos nas concessionárias dependerão da regulamentação e da maturação dos projetos, o que deve levar alguns anos.

Quanto o governo pretende investir com a nova política?

Até R$ 7 bilhões no total, sendo R$ 2 bilhões para o Fundo Garantidor da Atividade Mineral e R$ 5 bilhões em créditos fiscais, limitados a R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034.

O que muda para o consumidor brasileiro?

No curto prazo, pouco. No médio e longo prazos, a expectativa é de mais oferta de veículos com componentes produzidos no país, menor dependência de importações asiáticas e, eventualmente, preços mais competitivos na ponta.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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