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Rússia dispara 27 mísseis balísticos sobre Kiev; 10 mortos

Ataque é um dos mais intensos dos últimos meses e expõe crise humanitária na capital ucraniana

Rússia dispara 27 mísseis balísticos sobre Kiev; 10 mortos

Rússia bombardeia Kiev com 27 mísseis balísticos e 185 drones; ao menos 10 mortos na madrugada

A Rússia lançou na madrugada deste sábado um dos ataques mais pesados contra a capital ucraniana desde o início da guerra, com 35 mísseis — incluindo 27 do tipo balístico — e 185 drones, segundo balanço divulgado pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy. O bombardeio matou ao menos 10 pessoas na região de Kiev e em áreas vizinhas, reacendendo o alerta internacional sobre o esgotamento dos sistemas de defesa aérea ucranianos.

De acordo com testemunhas ouvidas pela Reuters, mais de uma dúzia de explosões foram ouvidas em diferentes bairros da capital durante várias ondas de ataque. Apenas um míssil balístico foi interceptado, "simplesmente porque não existem interceptores para o sistema Patriot", afirmou Zelenskiy em mensagem publicada no aplicativo Telegram.

A reportagem-base do portal Terra.com.br destaca que o episódio ocorre no momento em que Kiev reclama publicamente da falta de munição para os mísseis interceptores fornecidos pelos Estados Unidos, peça-chave da defesa antiaérea ucraniana.

Por que a Ucrânia ficou sem interceptores Patriot?

O sistema Patriot, fabricado pela americana Raytheon, é considerado o mais eficaz contra mísseis balísticos de alta velocidade, justamente o tipo de armamento que a Rússia tem usado com frequência crescente nos últimos meses. Cada bateria custa cerca de US$ 1,1 bilhão, e cada míssil interceptor pode ultrapassar US$ 4 milhões — valores que tornam o reabastecimento um gargalo logístico e financeiro constante para Washington e aliados europeus.

Segundo Zelenskiy, o cenário atual é fruto do atraso na entrega de novas remessas de munição aprovadas por países ocidentais. "Cada pacote de interceptores de mísseis balísticos salva a vida do nosso povo. E cada noite sem eles resulta em mais vítimas", escreveu o presidente ucraniano.

Como foi a sequência dos ataques?

  • Ondas sucessivas durante a madrugada: moradores de Kiev relataram ao menos três grandes ondas de explosões, com sirenes antiaéreas soando por horas seguidas.
  • Predominância de mísseis balísticos: dos 35 mísseis lançados, 27 eram balísticos — proporção considerada atípica e apontada como indicativo de mudança de doutrina pela Rússia, que prioriza alvos estratégicos e infraestruturas críticas.
  • Volume de drones recorde: os 185 drones (geralmente modelos Shahed, de fabricação iraniana ou réplicas russas) foram usados para saturar os radares e esgotar os estoques de munição antes do ataque principal.
  • Intercepção mínima: apenas um míssil balístico foi derrubado, taxa de sucesso bem abaixo do que Kiev vinha obtendo em meses anteriores.

Qual a situação na linha de frente?

O conflito completa cinco anos em 2027 — a guerra iniciada em fevereiro de 2022 já entrou em seu quinto ano — e os combates seguem intensos ao longo de cerca de 1.200 quilômetros de frente de batalha que se estende do norte ao sul do país, passando pelas regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson.

Apesar da ofensiva russa, dados de análises independentes como o Institute for the Study of War (ISW) e reportagens do Kyiv Independent indicam que os avanços territoriais de Moscou diminuíram em mais da metade ao longo deste ano, reflexo da consolidação das linhas defensivas ucranianas e do impacto das minas e drones de ataque, armas que se tornaram protagonistas do conflito.

Em paralelo, a Ucrânia passou a levar a guerra para o território russo, atacando refinarias de petróleo, centros logísticos e fábricas de armamentos — uma estratégia que busca pressionar a economia de guerra de Moscou e forçar negociações a partir de uma posição menos desvantajosa.

O que a Ucrânia atingiu na Rússia?

Segundo Zelenskiy, tropas ucranianas atacaram nas últimas semanas a infraestrutura de três refinarias de petróleo na República do Bascortostão, região localizada a mais de mil quilômetros da fronteira, no extremo leste da Rússia europeia. Outros alvos ligados ao esforço de guerra também foram atingidos, embora detalhes operacionais não tenham sido divulgados por questões de segurança.

Esses ataques marcam uma escalada qualitativa: pela primeira vez, drones ucranianos alcançaram regularmente alvos profundos no coração da Rússia, afetando a produção de combustíveis que abastecem o Exército e a economia civil russa.

Por que o sistema Patriot é decisivo?

O Patriot (sigla em inglês para Phased Array Tracking Radar to Intercept on Target) é o único sistema em operação na Ucrânia capaz de interceptar com alta taxa de sucesso os mísseis balísticos russos, como o Iskander-M e o Kinzhal. Outros sistemas, como o IRIS-T (alemão) e o NASAMS (norueguês-americano), são eficazes contra aviões, helicópteros e drones, mas têm desempenho limitado contra mísseis hipersônicos e balísticos.

Especialistas ouvidos por veículos como a BBC e o Financial Times apontam três fatores que agravam o problema atual:

  1. Estoque global pequeno: a produção anual de interceptores Patriot não acompanha a demanda simultânea de Ucrânia, Israel e outros aliados dos EUA.
  2. Custo unitário elevado: cada interceptor custa entre US$ 2 milhões e US$ 4 milhões, valores que tornam cada disparo uma decisão estratégica.
  3. Dependência política: o envio depende de aprovação do Congresso americano e de decisões da Casa Branca, sujeitas a oscilações conforme o cenário interno nos EUA.

Qual o impacto para a população civil?

Além das dez mortes confirmadas neste ataque, a sequência de bombardeios tem provocado apagões rotativos em várias regiões da Ucrânia, danos a prédios residenciais, escolas e hospitais, e o deslocamento forçado de milhares de famílias. Organizações humanitárias como a ONU e o Crescente Vermelho relatam que a população de Kiev convive há meses com a rotina de madrugadas em abrigos subterrâneos e estações de metrô adaptadas como bunkers.

Para o Brasil, o conflito tem reflexos diretos no preço de combustíveis, fertilizantes e trigo — a Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais desses produtos —, além de manter em alerta a comunidade de imigrantes ucranianos que vive no país, estimada em mais de 600 mil pessoas, segundo dados do Itamaraty e do Consulado da Ucrânia em São Paulo.

O que esperar dos próximos dias?

Nos bastidores diplomáticos, espera-se que o tema dominará as conversas entre líderes europeus e norte-americanos nas próximas semanas. A Ucrânia já solicitou formalmente novas baterias de Patriot e interceptores adicionais. A Alemanha, a Polônia e os países nórdicos também discutem o envio de sistemas próprios ou o financiamento conjunto de novas remessas.

Enquanto isso, a Rússia não demonstra sinais de arrefecimento: analistas militares avaliam que o Kremlin aposta no desgaste prolongado, na chegada do inverno e na pressão sobre a opinião pública ocidental para reduzir o apoio à Ucrânia. O inverno, historicamente, é o período em que a Rússia intensifica os ataques à infraestrutura energética, buscando deixar grandes cidades sem aquecimento e eletricidade.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas morreram no ataque a Kiev?
Segundo o presidente Volodymyr Zelenskiy, ao menos 10 pessoas morreram na madrugada de sábado nos bombardeios russos contra a região de Kiev. O balanço pode ser atualizado nas próximas horas, à medida que equipes de resgate trabalham nos escombros.

Quantos mísseis e drones foram disparados pela Rússia?
De acordo com Zelensky, foram 35 mísseis (dos quais 27 balísticos) e 185 drones lançados contra a Ucrânia em uma única madrugada. Apenas um míssil balístico foi interceptado, por falta de munição para os sistemas Patriot.

Por que a Ucrânia está sem mísseis Patriot?
Porque os estoques enviados pelos Estados Unidos e aliados se esgotaram e as novas remessas, já autorizadas, ainda não chegaram à Ucrânia. A produção global de interceptores Patriot é limitada e atende também a outros países aliados.

Qual o risco de a guerra escalar ainda mais?
Analistas ouvidos por veículos como Reuters, BBC e Le Monde consideram que o cenário é de risco elevado, principalmente com o inverno europeu se aproximando e a Rússia intensificando ataques à infraestrutura energética da Ucrânia. O nível de apoio militar ocidental será determinante para o desenrolar dos próximos meses.

O conflito tem impacto no Brasil?
Sim. O Brasil sente os efeitos da guerra principalmente no preço de combustíveis, fertilizantes (a Rússia é grande fornecedor) e alimentos, além da pressão sobre rotas marítimas globais. A comunidade ucraniana no Brasil acompanha com preocupação a situação de familiares na zona de conflito.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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