A Rússia lançou na madrugada desta sexta-feira uma das maiores ofensivas aéreas combinadas contra a capital ucraniana desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. Segundo o portal Terra.com.br, foram disparados 35 mísseis e 185 drones de ataque contra Kiev em um intervalo de poucas horas. Destes, apenas dois mísseis e 154 drones foram interceptados pelas defesas antiaéreas. O saldo até o momento é de ao menos dez mortos e mais de 30 feridos, de acordo com os serviços de emergência locais.
O que aconteceu em Kiev durante a madrugada
Os ataques atingiram sete bairros da capital, conforme informações publicadas no Telegram pelos serviços de emergência ucranianos. Um prédio residencial de cinco andares no bairro de Solomiansky foi parcialmente destruído, e vídeos compartilhados em redes sociais mostram imensas colunas de fumaça subindo em diferentes pontos da cidade. Mais de dez explosões consecutivas foram ouvidas, acionando alarmes de veículos nas ruas e obrigando moradores a se abrigarem em estações de metrô e porões improvisados.
Entre os alvos atingidos está a embaixada da Lituânia em Kiev, o que amplia a dimensão diplomática do bombardeio. O chanceler lituano, Kęstutis Budrys, publicou imagens dos danos nas redes sociais e afirmou que "a agressão russa não quebrará a resiliência da nação ucraniana nem enfraquecerá nosso compromisso inabalável de apoiar a Ucrânia por todos os meios disponíveis".
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, descreveu a madrugada como "uma noite infernal". Em publicação na rede social X, Sybiha sustentou que a Rússia intensifica sua campanha aérea porque não está conseguindo alcançar seus objetivos no campo de batalha. "A Ucrânia precisa urgentemente de sistemas adicionais de defesa antiaérea e antimísseis, além de interceptores", reiterou o chanceler.
Por que a Rússia está intensificando os ataques a Kiev?
Analistas militares ouvidos por veículos internacionais nos últimos meses apontam que Moscou tem recorrido a bombardeios massivos contra infraestruturas urbanas como instrumento de pressão política. O uso simultâneo de dezenas de mísseis e centenas de drones em uma única noite tem como objetivo saturar os sistemas de defesa antiaérea da Ucrânia, forçar o país a gastar munição cara em alvos baratos e, ao mesmo tempo, gerar impacto psicológico sobre a população civil.
De acordo com o presidente Volodymyr Zelensky, dos 27 mísseis balísticos disparados nesta madrugada, apenas um foi interceptado — taxa de eficiência de cerca de 3,7%. O restante atingiu o solo. O descompasso é significativo quando comparado à defesa contra drones, onde a taxa de interceptação chegou a 83% (154 de 185). Essa diferença evidencia a escassez de sistemas modernos capazes de lidar com mísseis balísticos de curto e médio alcance, como os Iskander-M, frequentemente empregados pela Rússia neste tipo de ofensiva.
Qual é a diferença entre mísseis balísticos e drones de ataque?
A combinação tática usada nesta madrugada reflete uma estratégia que se tornou rotina em 2024 e 2025. Os mísseis balísticos viajam em alta velocidade, em trajetórias que dificultam a interceptação por sistemas convencionais e exigem equipamentos como os Patriot americanos ou os SAMP/T franco-italianos. Já os drones Shahed, de origem iraniana e montados em território russo, são mais lentos e baratos, sendo usados para distração, reconhecimento de posições antiaéreas e, secundariamente, como vetores de ataque direto.
Ataques mistos obrigam a defesa a tomar decisões rápidas sobre quais alvos priorizar. Quando os recursos antiaéreos são limitados — como Kiev tem alertado repetidamente —, a cobertura se torna irregular e bairros inteiros ficam desprotegidos.
Repercussão internacional: o ataque à embaixada da Lituânia
O fato de uma missão diplomática da União Europeia ter sido atingida em Kiev é um dos elementos mais sensíveis do episódio. Embora a Lituânia seja um dos países mais vocalmente críticos da Rússia na OTAN e forneça armamento, treinamento e financiamento à Ucrânia desde o início da invasão, a destruição parcial de sua embaixada extrapola o conflito bilateral e toca em princípios de proteção diplomática regidos pela Convenção de Viena de 1961.
Especialistas em direito internacional avaliam que o bombardeio pode configurar violação grave de norma consuetudinária, mesmo em contexto de guerra. A Lituânia é também sede de um centro de coordenação aérea da OTAN que supervisiona missões no Báltico, o que confere ao incidente peso simbólico adicional dentro da Aliança Atlântica. Nos próximos dias, é esperada uma reação formal da União Europeia e dos países do G7.
Qual é o impacto para o Brasil e para a comunidade internacional?
Embora o Brasil não faça fronteira com o conflito, a guerra tem efeitos indiretos sobre o país. O Itamaraty tem mantido, desde 2022, uma posição de "neutralidade ativa": condenou a invasão russa sem romper relações diplomáticas com Moscou e defende solução negociada. O bombardeio desta madrugada tende a renovar o debate sobre a postura brasileira em fóruns multilaterais como o G20 e a Assembleia Geral da ONU.
No campo econômico, a alta nos preços de petróleo e gás natural na Europa — reflexo da destruição de infraestruturas energéticas ucranianas e da interrupção de cadeias logísticas no Mar Negro — pode pressionar o câmbio e a inflação no Brasil nas próximas semanas. Relatórios de entidades industriais brasileiras já apontavam, no segundo semestre, sensibilidade da inflação interna às oscilações do barril de petróleo no mercado internacional.
Para a diáspora ucraniana no Brasil, estimada em centenas de milhares de pessoas — com concentração histórica no Paraná —, episódios como o desta sexta-feira costumam intensificar campanhas de arrecadação de donativos e pressão sobre parlamentares por envio de ajuda humanitária adicional.
Quais são os próximos passos esperados?
Nas próximas horas, autoridades ucranianas devem divulgar um balanço atualizado de vítimas e danos. O governo Zelensky já solicitou a parceiros ocidentais o envio emergencial de sistemas antiaéreos, especialmente Patriot, Nasams e SAMP/T. Paralelamente, é esperada uma reação formal do Conselho de Segurança da ONU — onde a Rússia tem poder de veto —, mas também manifestações públicas da União Europeia e do G7.
Para a população de Kiev, a rotina imediata será de limpeza de escombros, restabelecimento parcial de energia e água e novos deslocamentos para abrigos. Desde o início da guerra, milhões de pessoas deixaram a capital, mas ela segue habitada por cerca de 3 milhões de residentes que convivem com blecautes, toques de recolher e sirenes intermitentes.
Perguntas frequentes
Quantos mísseis e drones a Rússia lançou contra Kiev nesta madrugada?
Segundo informações divulgadas pelos serviços de emergência ucranianos e reproduzidas pelo portal Terra.com.br, foram 35 mísseis e 185 drones de ataque, dos quais dois mísseis e 154 drones foram interceptados.
Quantas pessoas morreram no ataque?
O balanço inicial divulgado pelas autoridades de Kiev aponta ao menos dez mortos e mais de 30 feridos. O número pode ser atualizado nas próximas horas, à medida que equipes de resgate trabalham nos escombros.
Por que a Rússia está atacando Kiev com tanta intensidade?
A combinação de mísseis balísticos e drones visa saturar as defesas antiaéreas ucranianas, forçar o gasto de munição cara em alvos baratos e manter a pressão psicológica sobre a população civil. Autoridades ucranianas avaliam que a escalada também reflete dificuldades russas no front terrestre.
A embaixada da Lituânia foi realmente atingida?
Sim. O chanceler lituano Kęstutis Budrys publicou imagens dos danos em redes sociais e classificou o ato como mais uma demonstração da "agressão russa". Não houve, até o momento, registro de vítimas diplomáticas, segundo informações disponíveis.
Qual é a posição do Brasil diante da guerra?
O Brasil tem defendido, desde o início da invasão, uma solução negociada e condenou a violação de integridade territorial da Ucrânia. Ao mesmo tempo, mantém relações diplomáticas e comerciais com a Rússia, sem aplicar sanções.
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