Simone Tebet declara guerra ao fascismo em ato com Lula

Depois de enfrentar o PT no pleito de 2022, Tebet integra nova frente em defesa da democracia brasileira

Simone Tebet declara guerra ao fascismo em ato com Lula

Simone Tebet declara "guerra contra o fascismo" em ato com Lula no interior de São Paulo

A ex-ministra do Planejamento e candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), elevou significativamente o tom de seu discurso eleitoral no sábado (5), durante ato político em São José do Rio Preto, no interior paulista. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin e da também candidata ao Senado Marina Silva, Tebet afirmou que está em "guerra contra o fascismo, contra a família Bolsonaro, contra aqueles que negaram vacina no braço do povo brasileiro e foram responsáveis pela morte de milhares de pessoas".

A declaração marca uma inflexão retórica de uma das principais vozes da chamada "terceira via" brasileira, que construiu sua trajetória nacional se apresentando como liderança de centro e defensora da conciliação política. Segundo o portal Pragmatismopolitico.com.br, Tebet argumentou que a disputa eleitoral ultrapassa divergências partidárias comuns e envolve a defesa da democracia e das instituições brasileiras.

O que Simone Tebet disse exatamente

Em um trecho da fala, Tebet foi enfática: "A partir de agora estamos em guerra. Guerra contra o fascismo, contra a família Bolsonaro, contra aqueles que negaram vacina no braço do povo brasileiro e foram responsáveis pela morte de milhares de pessoas. Eles não passarão." A frase, com tom próximo ao de mobilizações históricas de esquerda, foi proferida diante de militantes na região noroeste paulista, área considerada estratégica tanto na corrida estadual quanto na disputa presidencial.

Quem estava presente no ato

O evento em São José do Rio Preto reuniu algumas das principais figuras da frente governista para a corrida de 2026:

  • Luiz Inácio Lula da Silva — presidente da República e principal cabo eleitoral do campo progressista;
  • Fernando Haddad (PT) — candidato ao governo de São Paulo;
  • Geraldo Alckmin — vice-presidente da República, filiado aoPSB;
  • Marina Silva — ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo pelaRede Sustentabilidade.

A presença de Lula e Haddad no mesmo palanque evidencia o esforço de unidade do campo governista em torno das candidaturas paulistas, especialmente em um estado onde o bolsonarismo tem forte presença no interior.

Os alvos do discurso

O alvo principal da declaração em nível nacional foi Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato do PL à Presidência da República. Tebet direcionou críticas à herança política do bolsonarismo, retomando temas como o negacionismo sanitário durante a pandemia de Covid-19, a propagação de desinformação sobre vacinas e o que classificou como ataques à democracia.

Em São Paulo, a candidata também voltou suas baterias contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição e é considerado um dos nomes mais fortes do bolsonarismo no estado. A estratégia une os pleitos estadual e presidencial em uma mesma narrativa de oposição à direita radical.

O que mudou no discurso de Tebet

Até então conhecida pelo tom moderado e pela defesa do diálogo institucional, Tebet surpreendeu aliados e adversários ao adotar uma retórica de confronto direto. A mudança de intensidade acontece em meio à percepção, dentro do campo governista, de que a campanha exige mobilização mais agressiva para reduzir a vantagem do bolsonarismo nas pesquisas de intenção de voto no estado mais populoso do país.

A aproximação com Lula, Haddad e Marina Silva em um mesmo ato simboliza o reposicionamento da ex-ministra, que em 2022 concorreu à Presidência peloMDB (naquela época ainda no partido) e terminou em terceiro lugar, com cerca de 4,9 milhões de votos. Após a disputa, Tebet foi nomeada ministra do Planejamento no governo Lula, mas deixou a pasta em 2025 para se dedicar à corrida ao Senado paulista.

Por que a fala sobre a vacina é central

A referência à vacinação contra a Covid-19 é um dos pontos mais simbólicos do discurso. A gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia foi alvo de críticas contundentes de órgãos internacionais, cientistas e da CPI da Covid, instalada no Senado em 2021 para investigar ações e omissões do governo federal no combate à pandemia.

O relatório final da comissão, aprovado em outubro de 2021, apontou indícios de crimes como epidemia com resultado de morte, infração de medidas sanitárias preventivas, prevaricação, charlatanismo, incitação ao crime e falsificação de documentos particulares. Entre as pessoas indiciadas estavam o próprio ex-presidente Bolsonaro e diversos ex-ministros e auxiliares.

Para o campo progressista, o resgate do tema funciona como forma de lembrar o eleitor do custo humano da gestão bolsonarista da pandemia — o Brasil registrou oficialmente mais de 700 mil mortes por Covid-19 — e de contrastar a atuação do atual governo, que voltou a priorizar a vacinação em larga escala.

Qual é o impacto político da declaração

No curto prazo, o discurso pode ajudar Tebet a se consolidar como uma voz combativa no palanque governista, algo especialmente útil em uma campanha ao Senado em que ela precisa se diferenciar de nomes como Marina Silva, também candidata na mesma chapa informal. A retórica "em guerra" tende a mobilizar a base eleitoral mais engajada, embora possa afastar setores do centro que se identificavam com seu perfil anterior de mediadora.

No médio prazo, a fala insere Tebet na disputa narrativa que opõe o campo de Lula ao bolsonarismo, tema que dominará a corrida presidencial de 2026. Ao colocar-se como antítese direta de Flávio Bolsonaro e do bolsonarismo, a candidata procura ocupar um espaço de liderança feminina no campo progressista que ficou parcialmente esvaziado após o término da campanha de 2022.

Próximos passos da campanha

Com a declaração de São José do Rio Preto, Tebet sinaliza que os próximos atos devem manter o tom de confronto. A expectativa é de que a candidata intensifique a agenda no interior de São Paulo, região onde o bolsonarismo tem alta penetração e onde Haddad enfrentará disputa acirrada contra Tarcísio de Freitas. A estratégia é clara: associar o adversário estadual ao bolsonarismo nacional e utilizar a vacinação como marcador moral e político.

Perguntas frequentes

O que Simone Tebet disse em São José do Rio Preto?
A candidata ao Senado declarou estar em "guerra contra o fascismo, contra a família Bolsonaro e contra aqueles que negaram vacina no braço do povo brasileiro", em ato que reuniu Lula, Haddad, Alckmin e Marina Silva.

Quando e onde ocorreu o discurso?
O ato aconteceu no sábado (5), em São José do Rio Preto, no interior paulista, durante agenda da campanha eleitoral.

Quem são os principais alvos das críticas de Tebet?
Em nível nacional, Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência; em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas, que tenta a reeleição.

Por que Tebet mudou o tom de seu discurso?
A candidata argumenta que a disputa atual extrapola divergências partidárias e envolve a defesa da democracia e das instituições, o que justificaria uma retórica mais combativa em comparação com seu histórico de centro.

Qual é a relação da fala com a pandemia de Covid-19?
Tebet citou diretamente a gestão Bolsonaro durante a pandemia, retomando críticas sobre o negacionismo sanitário, a demora na aquisição de vacinas e as mortes atribuídas ao que ela classificou como omissões do governo anterior.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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