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Zelensky afirma que guerra não está mais nas mãos de Putin

Presidente ucraniano sugere que Kremlin perdeu poder de decisão para generais e oligarcas

Zelensky afirma que guerra não está mais nas mãos de Putin

Zelensky afirma que iniciativa da guerra "não está mais nas mãos de Putin"

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou em entrevista à emissora norte-americana Fox News que a iniciativa do conflito já não pertence ao líder russo, Vladimir Putin. A declaração foi feita após uma série de encontros em Washington, incluindo uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a participação nas cerimônias fúnebres do senador Lindsey Graham, um dos maiores aliados da Ucrânia no Congresso americano.

Segundo o portal Observador.pt, no espaço "Guerra Traduzida" da Rádio Observador, conduzido pela jornalista Laura Figueiredo, Zelensky sustentou que, mesmo perdendo cerca de 30 mil soldados por mês, o Kremlin se recusa a encerrar as hostilidades. "Todos os dias a Ucrânia pede para pôr fim à guerra ou, pelo menos, negociar um cessar-fogo temporário e dar oportunidades aos diplomatas, mas Putin não quer e, por isso, Kiev tem de continuar a responder, a ser dura e forte", resumiu o mandatário.

Por que Putin não quer parar, segundo Zelensky

Para Zelensky, a Rússia continua avançando nas frentes de combate não porque detenha a dianteira estratégica, mas porque Moscou aposta no desgaste. O argumento central é que Putin prefere manter a pressão militar a aceitar qualquer pausa que permita à Ucrânia reequipar suas tropas e consolidar posições.

A cifra de 30 mil baixas mensais — apresentada pelo próprio presidente ucraniano — funciona como termômetro do custo humano da invasão iniciada em fevereiro de 2022. Ainda que esses números não tenham sido verificados de forma independente por organismos militares ocidentais, eles indicam a profundidade da sangria que a guerra impõe ao exército russo.

Na prática, a leitura de Kyiv é de que o tempo joga a favor da Ucrânia, desde que consiga manter o fluxo de armamentos ocidentais. Sem esse suprimento, reconhece Zelensky, a vantagem numérica russa — mais soldados, mais munição, mais artilharia — tende a se impor.

Encontro com Trump e funeral de Lindsey Graham

A viagem de Zelensky a Washington ocorreu no mesmo dia em que os Estados Unidos se despediram de Lindsey Graham, senador republicano da Carolina do Sul que se tornou uma das vozes mais firmes em defesa do envio de armas à Ucrânia. Sua morte gerou comoção no Congresso e foi usada pelo governo ucraniano como oportunidade para reforçar laços com parlamentares americanos simpáticos à causa de Kyiv.

No Salão Oval, Zelensky e Trump discutiram o aprofundamento da cooperação militar. O ponto mais concreto do encontro, conforme reportado pelo Observador.pt com base nas declarações do próprio Zelensky, foi a decisão norte-americana de conceder licenças para a coprodução de mísseis Patriot em território ucraniano.

Patriot: o que são e por que a Ucrânia precisa com urgência

O sistema Patriot (Phased Array Tracking Radar to Intercept on Target) é um dos mísseis antiaéreos de longo alcance mais sofisticados do mundo, produzido pela gigante americana Raytheon. Ele é capaz de interceptar aviões, drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro, sendo peça-chave para defender cidades einfraestruturas críticas contra ataques russos.

Desde o início da invasão, a Rússia tem usado mísseis hipersônicos, balísticos e drones iranianos Shahed para atingir a rede elétrica, portos e alvos civis espalhados pelo território ucraniano. Sem sistemas de defesa aérea modernos, Kyiv ficou por longos períodos quase sem defesas eficazes contra esses ataques. Justamente por isso, Zelensky classificou os mísseis Patriot como prioridade absoluta.

Segundo o Observador.pt, o líder ucraniano disse que os Patriots são "precisos para ontem" e que trabalha para garantir o envio de 300 unidades antes do início do inverno — período historicamente marcado por ataques maciços da Rússia contra a infraestrutura energética da Ucrânia.

A indústria de defesa da Ucrânia e o desafio do tempo

Um dos pontos mais destacados por Zelensky na entrevista à Fox News foi a capacidade tecnológica do próprio país. O presidente afirmou que a Ucrânia possui atualmente cerca de 500 empresas de tecnologia militar e que, a cada três a seis meses, essa indústria desenvolve novos sistemas.

A fala busca responder a uma pergunta estratégica central: por que depender exclusivamente de fornecedores externos se Kyiv pode construir parte do que precisa? Para Zelensky, a equação é simples: "É preciso ser mais rápido do que Putin, porque Putin tem mais pessoas."

O prazo de 1 a 5 anos para produção local

Apesar do otimismo, o portal Axios advertiu que, mesmo com a concessão das licenças, a produção em larga escala de mísseis Patriot levaria de um a cinco anos para começar a entregar volumes significativos. Em resposta, Zelensky reconheceu o gargalo, mas reiterou a urgência de receber estoques prontos enquanto a cadeia produtiva local não entra em operação.

Esse descompasso entre demanda imediata e capacidade produtiva é um dos grandes dilemas da defesa aérea ucraniana. Construir uma fábrica de mísseis exige não apenas厂房 e know-how, mas uma cadeia de fornecedores de componentes eletrônicos de altíssimo padrão, semicondutores e propelentes — boa parte deles fora do alcance da indústria europeia atual.

A variável Irã e o limite da ajuda americana

Outro ponto relevante levantado pelo Observador.pt diz respeito à menção feita por Trump sobre a guerra com o Irã. Segundo Zelensky, o presidente americano prometeu tentar ajudar no envio dos caças e sistemas de defesa, mas deixou claro que há uma limitação: os Estados Unidos também precisam dos mesmos equipamentos para potenciais operações no Oriente Médio.

A declaração expõe uma tensão estrutural da política externa de Washington: ao mesmo tempo em que a Ucrânia precisa de mais armamentos, Israel e as forças americanas estacionadas no Golfo vivem semanas de alta tensão com Teerã. Em momentos de crise simultânea, o estoque estrategicamente disponível se torna o principal ponto de estrangulamento — não a vontade política.

O que muda com a visita de Zelensky a Washington

  • Cooperação industrial: abertura para coprodução de mísseis Patriot em solo ucraniano.
  • Compromisso diplomático: Trump prometeu intermediar o envio de 300 mísseis antes do inverno.
  • Sinal político: os Estados Unidos mantêm a Ucrânia na agenda, mesmo com prioridades divergentes no Oriente Médio.
  • Reconhecimento militar: Zelensky conseguiu apresentar publicamente a indústria de defesa ucraniana como parceira de longo prazo.
  • Pressão sobre Putin: a declaração de que "a iniciativa não está nas mãos de Putin" busca minar a narrativa russa de que o tempo favorece Moscou.

Impacto para o Brasil e a comunidade internacional

Embora o Brasil não seja parte direta do conflito, a guerra na Ucrânia tem efeitos colaterais relevantes para o país. A prolongada instabilidade no Mar Negro já provocou alta nos preços de fertilizantes, trigo e óleo de girassol — itens importados em larga escala pelo agronegócio brasileiro. Qualquer escalada que prolongue a guerra tende a manter pressionada a inflação de alimentos.

No campo diplomático, Brasília tem mantido posição de neutralidade ativa, defendendo negociações de paz e acusando o uso de sanções unilaterais. Para o leitor brasileiro, acompanhar os movimentos em Washington é essencial para entender como a guerra pode esfriar ou aquecer o tabuleiro global nos próximos meses.

Perguntas frequentes

1. O que Zelensky quis dizer com "a iniciativa não está nas mãos de Putin"?

Segundo a entrevista à Fox News, o presidente entende que a Ucrânia recuperou o controle do ritmo do conflito. Mesmo com desvantagem numérica, Kyiv estaria ditando a dinâmica das operações e forçando Moscou a reagir, em vez de avançar.

2. Quantos mísseis Patriot a Ucrânia quer receber?

Zelensky afirmou que busca 300 mísseis Patriot antes do inverno, considerando a proximidade da temporada de ataques russos contra a infraestrutura energética.

3. Por que os Estados Unidos não enviam mais armas imediatamente?

Trump deixou claro que parte do estoque precisa ser preservada para operações com o Irã. A produção industrial de mísseis é limitada e não atende simultaneamente a dois teatros de guerra em ritmo acelerado.

4. Quem foi Lindsey Graham e por que sua morte importa para a Ucrânia?

Lindsey Graham era senador republicano dos Estados Unidos, considerado um dos maiores defensores do envio de armas à Ucrânia no Congresso americano. Sua morte representa a perda de um aliado político de peso dentro do Partido Republicano.

5. A produção de Patriots na Ucrânia é viável?

O presidente Zelensky defende que sim, em razão das 500 empresas de tecnologia militar no país. Porém, segundo o Axios, a produção em escala levaria de um a cinco anos para se concretizar, o que não resolve a emergência atual.


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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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