A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, operação para cumprir 48 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas investigadas por possíveis irregularidades no financiamento do filme "Dark Horse", longa-metragem biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As ordens judiciais foram assinadas na véspera pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e são executadas em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.
Segundo informações divulgadas pela PF e reproduzidas pelo portal Abril.com.br, a investigação aponta para a existência de uma "organização criminosa" formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos a empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços. De acordo com os investigadores, as tentativas de dissimular os desvios se estenderam até julho deste ano.
Quem são os alvos da operação
Entre os investigados estão a empresária Karina Gama, produtora do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro. Ambos são alvo direto das buscas determinada por Dino.
A operação mira 48 alvos nos quatro estados e no DF. A PF não detalhou publicamente a identidade de todos os investigados, mas confirmou que levantamentos financeiros identificaram movimentação "da ordem de centenas de milhões de reais" entre empresas que integram o esquema sob apuração.
O que é o filme "Dark Horse"
O longa "Dark Horse – The Movie" é um projeto cinematográfico inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciado ainda durante o governo anterior. A produção reúne figuras próximas ao bolsonarismo e foi divulgada como uma das maiores apostas do segmento conservador no audiovisual brasileiro. É justamente o financiamento desse projeto que está no centro das suspeitas da Polícia Federal.
Por que o caso está no STF
O inquérito principal sobre o filme foi instaurado em São Paulo, mas foi transferido ao Supremo por determinação do próprio ministro Flávio Dino. A investigação na corte apura o suposto uso de emendas parlamentares para bancar o longa, o que envolve diretamente o deputado federal Mario Frias, que tem foro privilegiado.
Em paralelo, corre no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, um outro inquérito que investiga repasses feitos por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para o mesmo projeto cinematográfico. Foi a partir desse segundo fio que Dino se conectou à apuração principal e ordenou as buscas de hoje.
"As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados", diz a PF, em nota.
O que a PF já encontrou até agora
De acordo com os investigadores, o material apreendido e as análises financeiras preliminares apontam para um padrão sistemático de repasses: dinheiro público ou privado entrava para o projeto cinematográfico e era redirecionado para empresas subcontratadas, sem que houvesse clareza sobre o que, de fato, foi entregue. Os indícios de dissimulação, segundo a PF, teriam se estendido até julho de 2025.
Como o dinheiro circularia, segundo as investigações
- Recursos eram captados junto a apoiadores privados e, possivelmente, por meio de emendas parlamentares;
- Os valores passavam por empresas formalmente contratadas para serviços de produção;
- Parte dos montantes era redirecionada a empresas subcontratadas sem comprovação clara de serviço prestado;
- Movimentações financeiras da ordem de centenas de milhões de reais foram identificadas entre as empresas do esquema.
Quem é Daniel Vorcaro e por que ele aparece no caso
Daniel Vorcaro é o controlador do Banco Master, instituição financeira que ganhou projeção nos últimos anos no mercado de crédito e investimentos. O nome dele apareceu nas apurações por causa de repasses ao filme "Dark Horse". Esse trecho da investigação está sob relatoria do ministro André Mendonça e corre em separado no STF.
A existência de duas frentes de investigação – uma sobre emendas parlamentares e outra sobre aportes privados de Vorcaro – explica por que o mesmo projeto cinematográfico aparece em mais de um inquérito no Supremo.
Quem é Karina Gama
Karina Gama é a empresária responsável pela produção executiva do longa sobre Bolsonaro. Ela aparece na operação como uma das principais pessoas físicas investigadas e é vista pelos investigadores como peça-chave na articulação entre os investidores, as empresas contratadas e os subcontratados.
Quem é o deputado Mario Frias
Mario Frias foi ator, apresentador e secretário especial da Cultura entre 2020 e 2022, na gestão de Bolsonaro. Ele é filiado ao PL de São Paulo e exerce atualmente mandato de deputado federal. Sua presença na lista de alvos ocorre justamente porque o STF entendeu que há elementos suficientes para investigar o parlamentar como possível elo do suposto esquema de financiamento.
Quais são os próximos passos da operação
Com as buscas cumpridas, a Polícia Federal deve agora analisar o material apreendido – celulares, computadores, contratos, notas fiscais e registros financeiros – para identificar a extensão dos desvios e confirmar ou descartar o envolvimento de cada um dos 48 alvos. Oitivas devem ser marcadas nas delegacias responsáveis em cada estado, e o procedimento seguirá para manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de eventuais denúncias.
Especialistas em direito penal ouvidos em outras oportunidades explicam que, em inquéritos dessa natureza, a fase de análise de provas costuma durar meses antes de qualquer acusação formal. Como há investigados com foro privilegiado, parte do desfecho depende do próprio STF.
Qual o impacto político e jurídico da operação
A operação atinge simultaneamente dois campos sensíveis: o audiovisual e o financiamento de projetos com viés político-ideológico. Ao mirar um filme dedicado à vida de Bolsonaro e nomes ligados ao bolsonarismo, o caso ganha dimensão política, com potencial de mobilização tanto de aliados quanto de críticos do ex-presidente.
No campo jurídico, o inquérito testa a tese de que emendas parlamentares – dinheiro público – podem ter sido usadas para fins privados, o que, se confirmado, configura crime de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros. Para Vorcaro, a apuração pode ter reflexos na imagem e na regulação do Banco Master, instituição já sob atenção do Banco Central.
O que ainda precisa ser esclarecido
Apesar da robustez dos indícios apresentados pela PF, várias perguntas seguem em aberto: qual foi o valor total desviado, quantos agentes públicos estavam realmente envolvidos e se houve participação direta de Bolsonaro no esquema de financiamento. A corporação não confirma, até o momento, se o ex-presidente figura entre os investigados.
Perguntas frequentes
Por que a PF cumpriu mandados no caso do filme sobre Bolsonaro?
A operação investiga indícios de desvio de recursos no financiamento do longa "Dark Horse", com suspeita de organização criminosa que teria direcionado valores a empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços prestados.
Quem são os principais alvos da operação?
Entre os alvos estão a produtora do longa, Karina Gama, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). A operação mira, ao todo, 48 pessoas físicas e jurídicas em quatro estados e no Distrito Federal.
Por que o caso está no STF e não na Justiça comum?
Porque a investigação envolve o deputado federal Mario Frias, que tem foro privilegiado, e repasses ligados a emendas parlamentares, o que atrai a competência do Supremo Tribunal Federal.
Qual é a ligação de Daniel Vorcaro com o filme?
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria feito repasses para o financiamento do longa. Esse trecho do caso é apurado em inquérito separado, sob relatoria do ministro André Mendonça.
O ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado?
Até o momento, a Polícia Federal não confirmou oficialmente que Bolsonaro figure entre os investigados. A operação mira pessoas envolvidas na produção, na execução financeira e no uso de emendas parlamentares.
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