Economia

Seneca compra BNI do BTG e vira banco com balanço próprio

Movimentação estratégica consolida atuação no segmento de wealth management e reposiciona o grupo entre os principais players do mercado financeiro.

Seneca compra BNI do BTG e vira banco com balanço próprio

Seneca compra o BNI do BTG Pactual e vira banco de investimento com balanço próprio

O Grupo Seneca, dos sócios Daniel Wainstein, Luis Miraglia e Rodrigo Mello, fechou a aquisição do Banco Nacional de Investimentos (BNI), instituição que pertencia ao BTG Pactual, segundo informações divulgadas pelo portal Abril.com.br. O negócio, que ainda depende de aprovação do Banco Central, transforma a boutique independente de fusões e aquisições em um banco de investimento com balanço próprio e licença para operar crédito estruturado, além de reforçar sua presença em underwriting e distribuição de títulos.

O que muda com a compra do BNI?

Até então concentrada em assessoria de M&A, reestruturações e operações de mercado de capitais, a Seneca dará um salto estratégico. Com o CNPJ e a licença bancária do BNI, a casa passa a poder usar capital próprio para estruturar operações de crédito, algo que diferencia profundamente uma boutique tradicional de um banco de investimento pleno.

O último balanço disponível do BNI registra cerca de R$ 470 milhões em patrimônio líquido. A instituição será transferida sem endividamento financeiro, conforme reportado pela fonte. Os termos financeiros da aquisição não foram divulgados.

Como fica a estrutura do novo banco?

  • Denominação: o BNI será rebatizado como Banco Seneca.
  • Sócios da Seneca Evercore: a Evercore permanece como sócia minoritária, com 20% de participação.
  • Aprovação pendente: o negócio depende do aval do Banco Central do Brasil.

Quem é o BNI e de onde ele vem?

O Banco Nacional de Investimentos tem origem no antigo Banco Nacional, instituição que atravessou quase três décadas sob regime especial de liquidação extrajudicial. O BTG Pactual assumiu o controle da instituição após longos anos de intervenção administrativa. Em agosto de 2024, o Banco Central encerrou oficialmente a liquidação extrajudicial do banco e, na sequência, aprovou a transferência de controle, abrindo caminho para a negociação com a Seneca.

Esse histórico explica por que o ativo é considerado uma "oportunidade regulatória rara": instituições que saem de um regime especial de décadas chegam ao mercado com base patrimonial relevante, mas sem a complexidade operacional que normalmente acompanha um banco em funcionamento. Para a Seneca, isso representa um atalho significativo para entrar no mercado de crédito com estrutura pronta.

Por que a Seneca quer virar banco agora?

O movimento acontece em um cenário de crescimento do mercado de capitais brasileiro e de maior demanda por crédito estruturado por parte de empresas de médio e grande porte. Boutiques de M&A que se restringem à assessoria enfrentam um teto de receita natural, já que ganham comissões sobre transações, mas não conseguem capturar margens na originação e na retenção de operações.

Ter balanço próprio muda essa equação. O banco pode:

  • Originar operações e mantê-las na carteira, capturando spread de crédito.
  • Participar com mais força em processos de underwriting de debêntures, CRIs e CRAs.
  • Distribuir títulos para uma base de investidores mais ampla.
  • Oferecer produtos de crédito estruturado sob medida, área em expansão no Brasil.

Para os clientes corporativos da Seneca — em geral empresas que demandam reestruturações, captações e processos de M&A — a expectativa é de ganho de escala e de uma oferta mais integrada de serviços financeiros.

Os novos sócios que chegam com a operação

A expansão vem acompanhada da entrada de dois profissionais de peso no quadro societário do grupo.

Jeff Hoberman assume o crédito estruturado

Fundador da Recovery, tradicional gestora brasileira especializada em crédito distressed e reestruturação de dívidas, Hoberman chega para comandar a nova área de crédito estruturado do Banco Seneca. Sua trajetória inclui décadas de atuação em casos complexos de recuperação judicial e negociação com credores, o que dá à Seneca uma capacidade técnica rara para estruturar operações em um segmento historicamente dominado por instituições tradicionais.

Ricardo Stabile vira COO e CFO do grupo

Ex-Goldman Sachs, Stabile assume as funções de diretor de operações (COO) e diretor financeiro (CFO) do grupo Seneca. A dupla atribuição reforça a leitura de que a casa está se preparando para operar em escala institucional, com governança, controles de risco e gestão de capital compatíveis com o padrão de um banco de investimento.

Quanto o negócio vale para o mercado brasileiro?

O mercado de fusões e aquisições no Brasil viveu anos de volatilidade, com altos e baixos ligados a fatores como taxa Selic, câmbio e cenário político. Mesmo assim, a demanda por crédito privado continuou crescendo, puxada por empresas que buscam alternativas à dívida bancária tradicional. Segundo dados amplamente acompanhados pelo setor, o estoque de títulos de renda fixa privada emitidos por empresas no Brasil já supera a casa do trilhão de reais, o que dá dimensão do potencial de mercado para um novo entrante com balanço relevante.

Para a Seneca, a operação representa:

  1. Escala imediata — começar com R$ 470 milhões de patrimônio líquido, mesmo que modestos para padrões de grandes bancos, é um salto relevante para uma boutique.
  2. Diversificação de receita — menos dependência de comissões pontuais de M&A.
  3. Posicionamento estratégico — inserção em um nicho (crédito estruturado) com margens mais altas e maior recorrência.

Quais são os próximos passos da operação?

A conclusão do negócio depende, inevitavelmente, da aprovação do Banco Central do Brasil. O órgão regulador precisa analisar a idoneidade dos novos controladores, a origem dos recursos envolvidos e a adequação da estrutura de capital proposta. Em casos recentes, o BC tem sido rigoroso com a entrada de novos controladores em instituições financeiras, independentemente do porte, o que torna o cronograma ainda incerto.

Além disso, a Seneca precisará:

  • Obter licenças operacionais específicas para atuação em crédito estruturado.
  • Adaptar a governança do banco às exigências regulatórias.
  • Integrar a equipe do BNI com o time de M&A e mercado de capitais.
  • Definir a estratégia comercial para os primeiros meses de operação como Banco Seneca.

Enquanto isso não ocorre, a Seneca Evercore, braço de assessoria financeira, segue operando normalmente com seu portfólio de clientes e com a Evercore como sócia minoritária.

O que essa compra diz sobre o setor financeiro brasileiro?

A aquisição sinaliza uma tendência que vem ganhando força nos últimos anos: a migração de boutiques independentes para plataformas mais completas, com capacidade de originação, distribuição e retenção de operações. O movimento é semelhante ao que aconteceu com casas como BTG Pactual, Vinci Partners e outras que entenderam que a convergência entre M&A, mercado de capitais e crédito é o caminho natural para crescer de forma sustentável.

Também reflete um amadurecimento do mercado de capitais doméstico, com investidores institucionais, fundos de pensão e gestoras cada vez mais dispostos a comprar crédito privado de qualidade, o que viabiliza o modelo de negócio de um banco boutique com balanço.

Para o leitor brasileiro — seja ele investidor, empresário ou profissional do setor financeiro — a notícia tem implicações práticas: novos produtos de crédito podem surgir no mercado, a concorrência em operações de underwriting tende a aumentar e o ecossistema de assessoria financeira ganha mais um player relevante.

Perguntas frequentes sobre a compra do BNI pela Seneca

1. A Seneca já está autorizada a operar como banco?

Não. A aquisição do BNI foi firmada entre as partes, mas o negócio ainda depende da aprovação do Banco Central do Brasil. Enquanto o aval não sai, a Seneca segue operando como boutique de M&A e mercado de capitais.

2. Por que o BTG Pactual vendeu o BNI?

O BTG havia assumido o controle do BNI após o fim da liquidação extrajudicial, encerrada em agosto de 2024. O grupo optou por negociar o ativo, repassando o controle para a Seneca, que pretende transformar a estrutura no novo Banco Seneca. Os motivos estratégicos da venda não foram detalhados publicamente.

3. Quanto a Seneca pagou pelo BNI?

Os termos financeiros da operação não foram divulgados pelas partes, segundo o portal Abril.com.br. O que se sabe é que a instituição será transferida sem endividamento financeiro e que o último balanço disponível indicava cerca de R$ 470 milhões em patrimônio líquido.

4. O que é crédito estruturado e por que ele é tão relevante?

Crédito estruturado é uma modalidade de financiamento sob medida para empresas com necessidades específicas, geralmente envolvendo garantias, covenants e estruturas jurídicas personalizadas. No Brasil, é um segmento em expansão e com margens atrativas, dominado historicamente por grandes bancos e fundos especializados.

5. Quem são os novos sócios que entraram na Seneca?

Dois nomes reforçam o grupo: Jeff Hoberman, fundador da Recovery, que vai comandar a área de crédito estruturado; e Ricardo Stabile, ex-Goldman Sachs, que assume como COO e CFO do grupo.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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